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Memory Remains: Black Sabbath – 51 anos de “Paranoid”, um disco que deveria ser ensinado nas escolas

O ano de 1970 foi marcado por grandes acontecimentos: a guerra fria entre os Estados Unidos e a União Soviética era a grande ameaça a paz mundial; o Brasil atravessava o período da ditadura militar, que estava no seu período mais violento, com o general Emílio Garrastazu Médici; no esporte, a seleção brasileira conquistava o tricampeonato mundial e a taça Jules Rimet em definitivo, que seria roubada e o ouro derretido, em mais um caso de vergonha mundial proporcionado pelo Brasil. E o Black Sabbath lançava o segundo álbum de sua carreira. “Paranoid” é o assunto do nosso Memory Remains deste sábado.

O disco foi gravado em um curto espaço de 5 dias, entre 16 e 21 de junho de 1970, no “Regent Sound” e no “Island Studios“, ambos na cidade de Londres e novamente com a produção a cargo de Rodger Bain. O disco foi lançado pela gravadora “Vertigo“.

Este é considerado pela maioria dos fãs como sendo o melhor dos álbuns do Black Sabbath. E também pudera, em 42 minutos e oito músicas, todas elas se tornaram clássicos não só da banda, mas do estilo que começava a ser moldado. Um novo tipo de som, baseado no Blues com muito peso e algumas partes mais rápidas e que logo logo tomaria conta do Mundo, ganhando adeptos e influenciando pessoas a montar suas bandas e fazer um som rápido e agressivo.

Vamos colocar a bolacha para rolar e destrinchar faixa por faixa a partir de agora: A abertura não poderia ser melhor, com a intro sombria e medonha de “War Pigs,” com o baixo de Geezer Butler dando aquele clima maravilhoso. E o clima de blues pesado que Tony Iommi proporciona por toda a música. E o que dizer das viradas de Bill Ward? Sensacionais. Música que é referência até hoje. E que abria os shows da última tour da banda. E para que o headbanger que acha que Rock and Roll e ideias fascistas combinam, recomendo que leia atentamente a letra desta música, Caso seja capaz de compreender, não voltará mais a chamar genocida travestido de presidente pela alcunha de mito.

A faixa título chega com tudo, uma música que é a cara do Heavy Metal, assim podemos descrever a igualmente clássica “Paranoid“. Linda e a frente de seu tempo, bem como o Black Sabbath sempre foi. “Planet Caravan” é uma faixa que eu conheci através da versão que o Pantera faz, no álbum “Far Beyond Driven“. Uma música calma, com umas batidinhas tribais. Muito boa.

Outra música obrigatória para quem quer conhecer o Black Sabbath chega e ela atende pelo nome de “Iron Man“. Sua intro bem assustadora logo se revela uma música bem executada, com riffs excelentes, e aqui cabe chover no molhado, trata-se do pai de todos os guitarristas de Heavy Metal: Tony Iommi, o responsável por essa bagaça toda. Também temos um Bill Ward inspirado, com batidas fortes e viradas precisas. Que música, senhores!

Electric Funeral” e seu clima Stoner, outra invenção destes quatro cavaleiros de Birmingham. No meio a música ganha um clima bluesy, com ótimas linhas de baixo. Iommi usa e abusa dos efeitos na sua guitarra e isso dá um clima perfeito à música. Essa foi outra canção que eu conheci através de uma versão do Pantera, tal qual em “Planet Caravan“, desta vez na segunda edição da coletânea “Nativity in Black“.

 

Warner Bros. Records

Hand of Doom” foi outra canção que conheci através de um cover, desta feira pelo Slayer, na mesma coletânea “Nativity in Black“. Uma música que começa bem calma, mas que cresce a medida em que se desenvolve e aqui o destaque é para a cozinha: um Geezer Butler dando um peso infernal com suas linhas de baixo e um Bill Ward infernal com suas viradas. E Tony Iommi se destaca na parte final com seus riffs inspiradores. Reza a lenda que a vertente Doom Metal foi assim batizada em virtude dessa música, o que não pode ser desprezado, pois tanto o Doom e o Heavy Metal em si foram criados por este quatro fantástico rapazes.

Rat Salad” é uma faixa instrumental em que a banda inclui elementos diferentes no seu som, com solos de Iommi e uma espécie de solo de Bill Ward. Sensacional. “Fairies Wear Boots” fecha um álbum lindo de maneira espetacular, ela tem em sua intro, novamente Iommi e Ward inspiradíssimos e logo a música se mostra um blues pesado para ninguém colocar defeito. O título da música é uma provocação aos skinheads, que na época, provocavam tanto Ozzy Osbourne quanto Geezer Buttler, por isso, sendo os skins, as “fadas que usam botas”, a livre tradução do título.

Lançado sete meses apenas depois do grandioso álbum de estreia, “Paranoid” veio para afirmar o Black Sabbath como a banda que seria definitivamente conhecida como a mãe das mães de todas as bandas de Heavy Metal. Todas as outras que surgiram depois, carregam alguma influência dos quatro cavaleiros de Birmingham. “Paranoid” é um dos três discos mais importantes do Heavy Metal e todo headbanger tem a obrigação de ter uma cópia deste play em casa.

Uma curiosidade deste clássico é que inicialmente o título seria “War Pigs” e a capa fora projetada para casar com a ideia deste título em mente, porém, a gravadora se opôs ao título e a explicação mais provável é que o veto se deu por conta da Guerra do Vietnã. Então o disco foi renomeado para o nome como o conhecemos. A história da faixa título é que ela foi a última a ser composta e gravada. O produtor Rodger Bain solicitou uma nova música à banda. Ele achava que o álbum merecia uma faixa extra.

Outro fator curioso é que, na edição estadunidense do play, duas músicas tiveram seus títulos trocados: “War Pigs” virou “Luke’s Wall” e “Fairies Wear Boots” virou “Jack the Stripper”. Apesar de não haver aparente explicação para tal fato, a “War Pigs” nós podemos entender, pois a letra é uma crítica pela maneira que os Estados Unidos conduziram as coisas na Guerra do Vietnã, na qual saiu derrotada. As coisas foram tão atrapalhadas como agora, na retirada das tropas estadunidenses do Afeganistão, após 20 de anos de lutas que não resultaram em praticamente nada.

Paranoid” tem a sua importância e jamais ela será questionada. É um dos álbuns que fazem parte da lista dos “200 Álbuns Definitivos no Rock and Roll Hall of Fame. Em 2017, a revista Rolling Stone elegeu o nosso cinquentão como o melhor álbum de Heavy Metal de todos os tempos. O aniversariante do dia chegou ao topo das paradas britânicas; ficou em 5º na Noruega e 12º na “Billboard”, além de ter sido certificado com Disco de Ouro na Inglaterra, Platina no Canadá e 4 vezes Platina nos Estados Unidos. É o disco mais vendido de sempre na história da bandfa. São números que impressionam.

E assim temos um disco clássico, que envelhece e envelhece muito bem, obrigado. Mesmo curtinho, ele é certeiro, não tem uma música ruim e além de ser considerado por muitos como o maior disco da carreira do Black Sabbath, é um disco que influenciou e influencia até os dias de hoje. “Paranoid” é o meu segundo disco preferido na discografia da banda (em minha opinião só perde para o “Master of Reality“, seu sucessor) e pertence ao que podemos chamar de quadrado mágico, os quatro primeiros discos da banda que são indispensáveis para qualquer headbanger que se preze. E vou mais além, é um disco que deveria inclusive, ser ensinado nas escolas.

A banda não está mais na ativa, embora Tony Iommi tenha deixado no ar há alguns anos atrás, a possibilidade de um retorno para shows pontuais. É claro que nós ficamos nessa torcida, muito embora a pandemia do novo Coronavírus tenha deixado essa possibilidade praticamente nula. Mas se isso não acontece, vamos comemorando mais um ano de existência deste álbum eternizado para sempre como parte do pontapé inicial deste estilo que nós abraçamos e seguimos fieis até o último dia de nossas existências. Para sempre Black Sabbath.

Paranoid – Black Sabbath
Data de lançamento – 18/09/1970
Gravadora – Vertigo

Faixas:
01 – War Pigs
02 – Paranoid
03 – Planet Caravan
04 – Iron Man
05 – Electric Funeral
06 – Hand of Doom
07 – Rat Salad
08 – Fairies Wear Boots

Formação:
Ozzy Osbourne – Vocal
Tony Iommi – Guitarra
Geezer Butler – Baixo
Bill Ward – Bateria