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Memory Remains: Blind Guardian – 33 anos de “Battalions of Fear” e a estreia com o pé na porta

Semanas depois de o vocalista Hansi Kursch declarar que estava abandonando o projeto Demons & Wizards por não concordar com as ideias fascistas do imbecil chamado Jon Schaffer, enchendo de orgulho aqueles que estudaram o estilo e sabem que Rock and Roll e Fascismo JAMAIS devem andar juntos, o primeiro disco do Blind Guardian completou 33 anos de lançamento. “Battalions of Fear” trouxe ao mundo aquela que seria um dos expoentes do Heavy Metal alemão e é um dos álbuns clássicos que estão sendo comentados na presente data em nosso Memory Remains.

Em meados dos anos 1980 tínhamos algumas excelentes bandas fazendo história na Alemanha: Kreator, Sodom, Destruction, Tankard e Helloween, eram algumas delas. Então quatro jovens da região da Vestfália formaram uma banda, que a princípio fora chamada de Lucifer’s Heritage, isso no ano de 1984.

A banda mudou de nome em 1986 após duas demos gravadas e em 1988 lançou o disco homenageado de hoje. Três músicas presentes aqui estavam na segunda demo que os caras lançaram sob o antigo nome: “Majesty“, “Run for the Night” e “Battalions of Fear“, esta última, que também era o título desta demo.

Para gravar seu debut-album, a banda se juntou ao produtor Kalle Trap e todos adentraram ao “Karo Studio”, na antiga Alemanha Oriental, durante os meses de outubro e novembro de 1987. Vamos colocar a bolacha para rolar e conferir faixa a faixa deste discaço:

Majesty” abre o disco trazendo uma música rápida e vigorosa, que em certos momentos flerta intensamente com o Thrash Metal. Hansi Kursch mostra uma variação interessante nos vocais, ora mais rasgado, ora mais melódico, assim como os músicos que o acompanham. Essa música nasceu clássica e de vez em quando aparece ainda nos shows da banda. Esta é uma das canções inspiradas na obra “O Senhor dos Anéis”, de J.R.R. Tolkien.

Hans-Martin Issler

Guardian of Blind” traz a bateria espetacular de Thomas Stauch e é marcada pela velocidade das guitarras. Essa música é inspirada em um romance de Stephen King, chamado It. “Trial by Archon” é uma curta instrumental e tem riffs de guitarra bem crus e solos melódicos que contrastam de forma excepcional.

Wizards Crown” entra logo em seguida e o ouvinte desavisado acha que ainda está ouvindo a faixa número três, pois ela é na mesma pegada da anterior, guitarras com riffs crus e muita melodia nos solos, com a diferença de que é uma faixa mais rápida do que a instrumental, com uma breve mudança de andamento no refrão. Muito boa. “Run for the Night” chega trazendo mais Speed Metal onde o destaque é o bumbo duplo de Thomas Stauch. As guitarras mantém a mesma linha das anteriores. Uma boa canção.

Aí temos duas músicas um pouco mais extensas que as demais: “The Martyr” é bem intrincada e já mostra que os caras do Blind Guardian são capazes de fazer uma música com diversas mudanças de andamento, ainda que prevaleça as palhetadas de guitarras e os riffs cheios de melodia, protagonizados por essa dupla sensacional que é Marcus Siepen e André Olbrich.

A faixa título é outra que ultrapassa os 6 minutos de duração e também é bastante intrincada, com direito a riffs de guitarra à lá Iron Maiden, quando mudam o andamento em algumas partes. Essas duas faixas são as que me chamam mais atenção, juntamente com a clássica “Majesty“. “By the Gates of Moria” é uma instrumental e fecha o álbum de maneira épica. Essa é parcialmente baseada em “New World Symphony“, composição de Antonin Dvorák.

Temos aí em pouco mais de 33 minutos um excelente álbum de estreia em que o Blind Guardian se mostra uma banda rápida, melódica e intensa. Era um excelente início e tudo indicava que as coisas aconteceriam para os caras como de fato foi o que aconteceu.

A banda mudaria os rumos musicais mais adiante, mas os caras provaram que a Alemanha vivia um ótimo momento no cenário da música pesada. No ano de 2007 “Battalions of Fear” seria relançado com a inclusão da primeira fita demo gravada pelos caras, dos tempos de Lucifer’s Heritage.

Com este debut, o quarteto alemão mostrava que tinha muita lenha para queimar e a prova é que estão aí, 33 anos e na ativa. Só podemos hoje festejar o lançamento desta obra e desejar longa vida ao quarteto alemão. Que possamos vê-los nos palcos e lançando novas obras assim que esta pandemia maldita ao menos seja controlada.

Battalions of Fear – Blind Guardian

Data de lançamento: 15/02/1988

Gravadora: No Remorse Records

Faixas:

01 – Majesty

02 – Guardian of the Blind

03 – Trial by the Archon

04 – Wizard’s Crown

05 – Run for the Night

06 – The Martyr

07 – Battalions of Fear

08 – By the Gates of Moria

Formação:

Hansi Kursch – Baixo/Vocal

André Olbrich – Guitarra

Marcus Siepen – Guitarra

Thomas Stauch – Bateria