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Memory Remains: Cannibal Corpse – 7 anos de “A Skeletal Domain” e a adoção de uma sonoridade mais sombria aliada a brutalidade habitual

 

Em 16 de setembro de 2014, o Cannibal Corpse lançava o disco de número 13 em sua vasta discografia. E o Memory Remains desta quinta feira vai tratar de “A Skeletal Domain“, certamente o mais brutal de todos os plays dos reis do Death Metal.

O quinteto havia terminado uma turnê mundial, que inclusive visitou o Brasil exatamente durante os protestos que mudaram o país para pior: o povo usando a desculpa dos R$0,20 de aumento da passagem para exigir a saída do PT do poder e com isso aconteceu a desgraça que é ter esse presidente fascista e genocida, destruindo a reputação de nossa nação perante a comunidade internacional. E o Cannibal Corpse se apresentou no Rio de Janeiro pela primeira vez exatamente em um dia que coincidiu com uma das manifestações mais violentas daquele período. Este redator que vos escreve estava por lá e relembra que sobrou até spray de pimenta, atirada do lado de fora da casa de eventos, no Rio de Janeiro, por uma policia militar que já deveria ter encerrado suas atividades, diante de tanta corrupção e repressão. Os Headbangers presentes ali nada tinham a ver com os protestos, só queriam prestigiar o Cannibal Corpse, que passava pela primeira vez na cidade maravilha e purgatório da beleza e do caos.

O baixista e principal compositor da banda, o monstro chamado Alex Webster, deu a seguinte declaração acerca das expectativas sobre o vindouro álbum do Cannibal Corpse. Aspas para ele.

“Eu acho que está se revelando um álbum meio sombrio. Que, você sabe, é um álbum de Death Metal, então, é claro, deveria soar meio sombrio e assustador de qualquer maneira, mas eu acho que este é um pouco mais do que o normal. Essa foi a direção em que a composição foi.”

Então o quinteto se trancafiou no “Audiohammer Studios“, em Stanford, Florida, entre os meses de fevereiro e maio de 2014. Desta vez não foi o produtor de longa data e atual dono da segunda vaga de guitarrista da banda, Erik Rutan quem atuou e sim Mark Lewis, que já havia trabalhado antes com Six Feet Under, Kataklysm, DevilDriver, Conquering Distopya (projeto paralelo do baixista Alex Webster com o gênio das sete cordas Jeff Loomis) e que mIs tarde produrizia também um single dos brasileiros do Project 46. Vamos colocar a bolacha para rolar, pois o play é relativamente curto: são 46 minutos de muita brutalidade.

Brutalidade essa que abre com “High Velocity Impact Splatter“, que tem uma intro medonha, mas ainda bem que os caras correram atrás antes que pensássemos que tudo seria colocado a perder. Riffs brutos, batidas secas, porém, eficazes e um George Corpsegrinder insano nos vocais, fazem essa música ser perfeita para a abertura do álbum. Ela tem partes rápidas mescladas com outras mais arrastadas, além de extremamente bem trabalhada e agressiva o suficiente para mostra que os caras chegaram com o pé na porta.

Sadistic Embodiment“, a faixa número dois e que foi a primeira a ser conhecida pelo público, lançada pelo canal oficial da Metal Blade, em 1° de julho de 2014, dois meses antes do lançamento do Full-lenght, mostra uma banda veloz, extrema e com uma sede de se superar na brutalidade. Delícia de canção. “Kill or Become“, a faixa que ganhou um videoclipe oficial, já aposta em intercalar partes mais arrastadas nas estrofes com um pouco mais de velocidade no refrão.

A faixa título chega ainda mais brutal e alternando partes rápidas com outras mais arrastadas e sombrias. Os riffs da dupla Pat O’Brien e Rob Barrett se mostram mortais e a dupla está cada vez mais afiada, afinal já era o quarto álbum juntos e dez anos de parceria. “Headlong Into Carnage” é rápida e ríspida, como se caracterizou o Cannibal Corpse dos anos 2000. Moderna sem perder sua essência, pesada e extrema. Os riffs da parte arrastada, no meio da música, embora sejam breves, são perfeitos.

The Murder’s Pact” traz uma quebradeira só nas estrofes e no refrão a coisa descamba para um violento Splatter. Aqui eles incluem diversas mudanças no andamento, o que faz desta a faixa mais criativa do play. “Funeral Cremation” traz de volta o clima sombrio do qual Alex Webster se referia e aqui esse clima se deve muito aos riffs de Pat O’Brien e Rob Barrett, que fazem com que o Cannibal Corpse soe como se fosse uma banda de Black Metal em alguns instantes. Claro que os blastbeats dão as caras aqui e acolá, mas não são predominantes.

Icepick Lobotomy” é uma das minhas favoritas do play pela combinação perfeita do já conhecido bate-estaca da banda, alternado com partes arrastadas e que causam uma sensação de pânico ao escutar. Já estamos no terço final do play, com a arrastada “Vetor of Cruelty” e seus riffs terrivelmente arrastados e maravilhosos, além de um belo solo, sem fritação.

Bloodstained Cement” é relativamente veloz e boa o suficiente para garantir a nota máxima ao play e a parte arrastada ganha o coração do ouvinte, pois é simplesmente fantástica. E fechando o play, temos as que o redator aqui elege como as melhores do play: “Asphyxiate to Resuscitate” e “Hollowed Bodies“. Enquanto a primeira nos apresenta riffs aterrorizantes, que tem um compasso não muito arrastado mas também não é veloz, são simplesmente pesados, brutais e perfeitos, enquanto que a derradeira faixa é de uma violência sonora sem dó nem piedade para com o ouvinte, no bom sentido da palavra, é bom deixar isso bem claro aqui. Riffs arrastados e rápidos se alternam em um sincronismo poucas vezes visto no Heavy Metal de uma maneira geral.

Ao terminarmos a audição do play, a sensação que temos é de que fomos atropelados por uma legião de rolos compressores impiedosos. É certamente o melhor lançamento do ano de 2014. Particularmente eu não me lembro de outro disco tão pesado, brutal, raivoso, sombrio e perfeito que tenha visto a luz do dia no ano em que o Brasil protagonizou a maior vergonha da história do futebol, ao tomar de 7 a 1 para a seleção da Alemanha, em uma semifinal de Copa do Mundo disputada em casa. E mal sabíamos que levaria os outros 7 a 1, na política, na economia, na pandemia. Mas no som, o 7 a 1 é do quinteto de Buffalo, radicado na Flórida.

A Skeletal Domain” chegou a honrosa posição de número 32 na “Billboard 200“, sendo que nas subcategorias da própria Billboard, o disco esteve bem perto do topo: 3° na categoria “Top Hard Rock Albuns“; 5° na “Top Independent Albuns” e 7° nas categorias “Top Rock Albuns” e “Top Tastemaker Albuns“. Pelo mundo, a performance também foi boa: 21° na Alemanha, 26° no Reino Unido e Finlândia, 28° na Áustria e 50° na Suiça. Nada mal para um álbum de Metal Extremo. Quase 9 mil cópias foram vendidas na primeira semana de seu lançamento, o que também é um bom número se considerarmos que em 2014 a digitalização da música, seja nas plataformas de streaming ou através de downloads ilegais já estava em alta e praticamente decretava o fim do comércio de mídias físicas, como a galera com mais de 40 anos, entre eles este que vos escreve, conhecia.

É de se destacar também a produção, que deixou os instrumentos perfeitamente audíveis, perfeito para você, caro leitor, mostrar para aquele amigo que diz que Death Metal não passa de barulho desconexo. A banda caiu no mundo em turnê após o lançamento e o Brasil em 2015 novamente recebeu os caras, desta vez sem protestos nem polícia jogando spray de pimenta nos Headbangers. Desta vez eles foram banda de abertura para o Testament. Para nossa sorte, temos o Cannibal Corpse em atividade e o mais importante, com um lançamento neste ano que dificilmente será superado como o melhor, o extremamente brutal “Violence Unimagined“. Nos resta esperar que o dublê de presidente da República deixe se toque que a campanha eleitoral ficou para trás, que aja de fato como um chefe de estado, providenciando vacinas e tente frear a variante delta para que possamos ver nossos ídolos novamente em ação. O Cannibal Corpse é certamente o maior nome do Death Metal atual e com certeza eles irão manter esse status por um longo tempo. Hoje é dia de celebrar esse lindo play e também de desejar uma longa vida a esse quinteto espetacular.

A Skeletal Domain – Cannibal Corpse
Data de lançamento – 16/09/2014
Gravadora – Metal Blade

Faixas:
01 – High Velocity Impact Splatter
02 – Sadistic Embodiment
03 – Kill or Become
04 – A Skeletal Domain
05 – Headlong Into Carnage
06 – The Murder’s Pact
07 – Funeral Cremation
08 – Icepick Lobotomy
09 – Vector of Cruelty
10 – Bloodstained Cement
11 – Asphyxiate to Resuscitate
12 – Hollowed Bodies

Formação:
George Corpsegrinder Fischer – vocal
Alex Webster – baixo
Pat O’Brien – guitarra
Rob Barrett – guitarra
Paul Mazurkiewicz – bateria

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