Memory Remains

Memory Remains: Death – 36 anos de “Spiritual Healing” e a confusão na turnê feita sem Chuck Schuldiner

16 de fevereiro de 2026


Há 36 anos, em 16 de fevereiro de 1999, o Death, do grandioso e inesquecível Chuck Schuldiner lançava “Spiritual Healing“, que é tema do nosso Memory Remains desta segunda-feira de carnaval. Vamos contar um pouco da história deste belo play.

Spiritual Healing” é o terceiro disco na ordem cronológica de lançamentos do Death. O álbum é marcado por algumas importantes mudanças na banda capitaneada pelo gênio Chuck: a começar pelo conteúdo lírico. Ele deixou de lado o sangue e o terror, para abordar os problemas sociais, como o aborto, a religiosidade e assuntos genéticos. A capa é um retrato deste último tema, mostrando um pastor com a mão sobre a cabeça de um paraplégico, com alguns fanáticos ao redor. E 30 anos depois, nada mudou, não é mesmo?Principalmente se olharmos para esse Brasil atual, dominado por neopetencostais, carregados de preconceitos e que tentam impor na base da força suas ideias estúpidas e ultrapassadas. O pior é que tem headbanger brasileiro comprando tais ideias, lamentável, não é, caro leitor? Ainda sobre a capa, foi a última obra do artista Edward Repka a serviço do Death.

Outra mudança foi na parte instrumental, em que pese a entrada do guitarrista James Murphy, que gravou apenas este álbum com a banda, mas acrescentou mais melodia, que marcava o começo da evolução na sonoridade da banda, que teria o seu ápice no último disco, “The Sound of Perseverance”, de 1998 , o qual contaremos a sua história em um momento oportuno.

Spiritual Healing” foi o segundo e último disco gravado pelo baterista Bill Andrews e pelo baixista Terry Butler. Eles gravariam ainda a demo do álbum posterior, porém, ambos foram demitidos e as razões nós iremos explicar mais abaixo.

Pois bem, a banda se reuniu no “Morrisound Studios” durante verão do hemisfério norte de 1989, para a gravação deste play, que foi produzido por Chuck Schuldiner em parceria com o então empresário da banda, Eric Greuf. Scott Burns atuou também, dando total assistência nas sessões de gravação. O “Morrisound” foi o local de gravação de todos os outros álbuns do Death que foram lançados depois deste, e também abrigou a gravação do álbum “The Fragile Art of Existence“, do Control Denied, projeto que Chuck criou após o Death.

O álbum é composto por oito matadoras canções e tem duração de breves 43 minutos. A faixa título, com seus 7 minutos e 44 segundos, foi por muitos anos a mais longa composição do Death, até que o último álbum, “The Sound of Perseverance“, trouxe a faixa “Flesh and the Power It Holds“, que tem mais de oito minutos de duração. Os destaques ficam por conta de músicas como “Living Monstrosity“, “Defensive Personalities“, “Genetic Reconstruction“, além da faixa-título, que fazem deste álbum um verdadeiro petardo.

Na época do lançamento, o álbum recebeu críticas positivas e algumas outras menos favoráveis, com alguns fãs de Metal extremo torcendo o nariz para a produção mais limpa que Chuck Schuldiner utilizou nesta gravação. Mas hoje em dia o álbum goza de um prestígio enorme. As músicas “Living Monstrosity“, ‘Within the Mind“, “Defensive Personalities“, é a faixa-título foram tocadas ao vivo pela banda durante muito tempo, até os últimos dias.

Algumas curiosidades: O riff do meio da música “Spiritual Healing‘ era originalmente o riff de abertura da faixa “Legion of Doom“, que só apareceu em demos e na fita “Scream Bloody Gore Aborted Sessions”. O primeiro riff de “Living Monstrosity” foi da faixa-título da demo “Back from the Dead” de 1985. Chuck reaproveitou essas passagens e fez uma releitura de sua própria obra, fazendo as suas versões definitivas.

Em virtude dos problemas que a banda teve na turnê realizada na Europa para promover o álbum anterior, “Leprosy“, e também motivado por razões pessoais, Chuck Schuldiner, optou por desistir da turnê em cima da hora. Por conta disso, Terry Butler e Bill Wanders resolveram cumprir a agenda de shows, usando o nome Death. Os roadies Walter Trachsler e Louie Carrisalez substituíram o líder da banda, que reagiu com choque e desgosto, e entrou com uma ação judicial contra o baixista e baterista, conseguindo recuperar o poderio da banda. A partir deste momento, ele passou a contar com músicos contratados e o Death virou uma espécie de alterego de Schuldiner.

Temos um disco excelente, em que qualquer pessoa que curta um som extremo e ao mesmo tempo virtuoso, tem a obrigação de escutar e de tê-lo na sua galeria. A única ressalva no álbum diz respeito ao som da bateria, que ficou estranho. No mais, ele é lindo do jeito que foi concebido e merece toda a nossa reverência. Enfim, o legado do grande Chuck Schuldiner está ai para quem quiser aproveitar. Eu escuto gente morta! E quem gosta de gente morta e talentosa, fica a sugestão para escutar esse play no talo.

Spiritual Healing – Death

Data de lançamento: 16/02/1990

Gravadora: Combat Records/ Relapse Records

 

Faixas:

01 – Living Monstrosity

02 – Altering the Future

03 – Defensive Personalities

04 – Within the Mind

05 – Spiritual Healing

06 – Low Life

07 – Genetic Reconstruction

08 – Killing Spree

 

Formação:

  • Chuck Schuldiner – vocal/ guitarra
  • James Murphy – guitarra
  • Terry Butler – baixo
  • Bill Andrews – bateria