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Memory Remains: Death – “Human”, a bíblia do Death Metal técnico completou 3 décadas

Ontem comemoramos os 30 anos de “Human“, o quarto álbum da discografia do Death, essa banda que aprendemos a cultuar. E com um dia de atraso, o leitor haverá de nos perdoar, o Memory Remains vai se dedicar a esse álbum que pode definir o Death Metal técnico.

A mudança não se deu apenas na sonoridade, onde Chuck Schuldiner aderiu a elementos progressivos, mas também nas letras, onde a temática gore já havia ficado para trás nos álbuns “Scream Bloody Gore” e “Leprosy“. No antecessor, “Spiritual Healing“, a temática das letras era mais social; em “Human“, os temas envolvem questões introspectivas.

Chuck recrutou dois membros da banda Cynic: Paul Masvidal na segunda guitarra e para a bateria, o saudoso Sean Reinert. E o baixista Steve DiGiorgio deixaria a banda logo depois da gravação do álbum, retornando para gravar o sucessor deste, “Individual Thought Patterns“. Scott Carino, que havia feito a turnê anterior, substituiu DiGiorgio, inclusive, gravou um overdub para a faixa Cosmic Sea, porém, o restante da música, incluindo o solo foi registrado por Steve DiGiorgio.

Então a banda se juntou no icônico “Morrisound Studios“, em Tampa, Flórida, para as sessões de gravação, tendo produção assinada por Scott Burns e Chuck Schuldiner. A masterização ocorreu no “Fullersound“, em Miami, também na Flórida. Vamos colocar o play para tocar e comentar sobre cada uma das oito faixas.

A abertura com “Flattening of Emotions” traz riffs eletrizantes de Chuck Schuldiner e uma música cheia de mudanças de andamento, sem jamais deixar de ser técnica, brutal e pesada. “Suicide Machine” já nos dá um esboço do que seria apresentado anos mais tarde, no álbum derradeiro da banda, “The Sound of Perseverance“, no que diz respeito a quebradeira e técnica apurada. Os riffs aqui são impressionantes.

Togheter as One” começa em uma velocidade brutal, má logo os riffs intrincados e arrastados tomam conta e o grande destaque é o solo, extremamente técnico, onde se é possível ouvir nota por nota. “Secret Face” assemelha-se à faixa anterior, pois começa bem rápida, depois fica mais cadenciada, porém, aqui ela é muito melódica e ganha ares Prog. O interessante é o solo melódico com a base bem rápida, parecendo que são duas músicas diferentes tocadas ao mesmo tempo, mas que ficou muito interessante.

A seguir, temos talvez a faixa que seja o grande clássico da banda, ou pelo menos é uma das três maiores: “Lack of Comprehension“, que tem ares jazzísticos em sua intro, ficando o Jazz restrito a esse trecho mesmo, porque o restante da música é pesado, bruto, com riffs sólidos, um refrão rápido e muita, mas muita melodia no solo. Essa é a faixa mais curta do play. E a melhor, claro. “See Through Dreams” chega intercalando partes rápidas e mais arrastadas e um solo que mais se parece com um de uma banda de Power Metal. E os riffs, falar deles a essa altura parece ser chover no molhado, mas, mostram como era genial a criatividade desse inesquecível Chuck Schuldiner.

Cosmic Sea” é uma faixa instrumental e conta com elementos experimentais. “Vacant Planets” é o ato final desse discaço e nos brinda com a junção de brutalidade, peso, velocidade e, claro, muita técnica, sobretudo quando Chuck manda um two hands em sua guitarra. Um fechamento épico e que o disco certamente merecia. Um petardo do início ao fim. A versão japonesa ainda conta com uma versão para “God of Thunder“, do Kiss.

São 34 minutos que a gente nem percebe, de tão avassaladores que eles foram. E mostra um álbum já com seus trinta anos, mas com uma sonoridade ímpar. De fato, Chuck Schuldiner era um vanguardista, ele estava a frente de seu tempo e não a toa ele é considerado o pai do Death Metal técnico. Um baita play que dá vontade de ouvir e voltar a ouvir, umas dez vezes a cada vez que pegamos o CD ou o vinil.

Human” vendeu cerca de cem mil cópias nos Estados Unidos e mais de 600 mil ao redor do mundo, sendo considerado um best-seller dentro do underground. O álbum foi bastante aclamado na época e ainda hoje é lembrado como um dos maiores discos de Death Metal da história. A revista Rolling Stone, no ano de 2017 classificou “Human” como o 70° melhor disco de Metal de todos os tempos. O play figurou até na badalada “Billboard“, na categoria “Heatseekers“, chegando na honrosa 34ª posição.

Um belo disco que acaba de entrar para a categoria dos trintões do Metal. O Death é uma instituição do estilo e se é uma pena não termos mais seu mentor vivo, ao menos temos esse vasto legado que precisamos manter e ensinar para os garotos que estão começando a ouvir música pesada. Chuck Schuldiner é uma lenda e lendas não morrem. Vamos escutar “Human” e banguear até nossos pescoços não mais aguentarem. Viva o Death!

Human – Death
Data de lançamento – 22/10/1991
Gravadora – Roadrunner

Faixas:
01 – Flattening of Emotions
02 – Suicide Machine
03 – Togheter as One
04 – Secret Face
05 – Lack of Comprehension
06 – See Through Dreams
07 – Cosmic Sea
08 – Vacant Planets

Formação:
Chuck Schuldiner – vocal/ guitarra
Paul Masvidal – guitarra
Steve DiGiorgio – baixo
Sean Reinert – bateria
Scott Carino – baixo adicional em Cosmic Sea