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Memory Remains: Deicide – 22 anos de “Insineratehymn” e o ódio de Glen Benton contra… sua ex-mulher

Em 27 de junho, há vinte e dois anos atrás, o Deicide lançava “Insineratehymn”, o disco de número cinco, e se não é o mais controverso, certamente é um dos álbuns que mais causam discórdia em toda a carreira desta banda nem um pouco politicamente correta e que é tema do nosso Memory Remains desta segunda-feira.

A razão para tanta controvérsia se dá pela simples razão de Glen Benton e os irmãos Hoffmann terem incluído novos elementos em sua sonoridade, sem, contudo, abrir mão da brutalidade. Os fãs mais xiitas, óbvio, torceram o nariz. É um álbum que não tem meio termo, ou a pessoa ama ou odeia. O redator que vos escreve pertence ao primeiro time, pelo fato de ser um disco com uma produção impecável e muito, mas muito virtuoso. Os críticos dizem que a banda incluiu muito Groove nas músicas, o que eu discordo veementemente. Há sim, muita técnica e menos tosqueira como havia nos primórdios.

Pois bem, a banda vinha de um álbum ao vivo, “When Satan Lives”, gravado durante turnê do álbum “Serpents of the Light” (1997) e era a hora de apresentar algo novo aos fãs: então o quarteto retornava ao ‘Morrisound Recording“, praticamente o quintal deles, para a concepção deste álbum, com produção da própria banda. Glen Benton, em entrevistas à época do lançamento dizia que o título era uma referência à incineração de Cristo, quase sempre o alvo das letras ácidas do vocalista/ baixista. Hora de colocar a bolacha para rolar porque vem um petardo dos bons por aí.

Bible Basher” abre o play e mostra uma banda coesa, pesada e com uma produção caprichada, que deixou o som ainda mais brutal e a sonoridade mais elaborada só ajudou. A faixa que sucede o play é ainda mais musicalmente elaborada: “Forever Hate You” tem flertes intensos com o Heavy e muitos riffs nos remetem ao grandioso Death. Particularmente é uma das minhas faixas favoritas de sempre da banda do trevosão Glen Benton. A curiosidade aqui é que apenas observarmos o título da música, iremos facilmente concluir que Benton se refere à Deus como sendo a pessoa que ele vai odiar para sempre, só que não. A “homenageada” no caso é a ex-esposa do frontman. É, caro leitor, pode buscar seu queixo que acaba de cair no chão.

Standing in the Flame” aposta na tática adotada pela banda desde seu debut álbum, que teve a sua história contada por nós dias atrás: intercalar partes rápidas e mais arrastadas, só que desta vez com muito mais técnica e com a experiência de anos de estrada. Um sonzão. “Remnant of a Hopless Path” em menos de três minutos, destila muita brutalidade através de riffs simplesmente sensacionais e mais cadenciadas, que perduram por toda a sua extensão. Não há como não pirar em um som desses.

The Keeps That Keeps Giving on” começa dando a pinta de que vai ser aquele Death Metal bate estaca, por sua velocidade impressionante na intro, mas não é bem o que acontece: a velocidade até dá as caras em alguns momentos na canção, mas os riffs bem lentos, quase Doom é o que direcionam a música, que por si só é espetacular. Em “Halls of the Warship” tem a mesma intro rápida como a faixa anterior, mas aqui há uma variação constante entre partes rápidas e mais arrastadas, todas bem brutais e essa é a minha favorita desse disco pelo conjunto da obra. Perfeita.

Suffer Again” tem riffs intrincados e brutalidade para dar e vender, tudo isso em um tempo quase que recorde: pouco mais de dois minutos de duração tem essa pérola. “Worst Enemy” é outra que não chega a marca dos três minutos e se não preza pela velocidade, ao menos é pesada ao extremo. A parte final é formada pela rápida, feroz e ao mesmo tempo trabalhada “Apovalyptic Fear” e pela surpreendente “Refusal of Penance”, que conta com um solo bem melódico em sua intro. Sim, você leu isso mesmo, melodia no solo, algo quase que inimaginável nas músicas do Deicide. A faixa de desenvolve em um clima mais Death N Roll, com muita complexidade nos riffs e uma quebradeira absurda na bateria.

Em apenas 31 minutos, o ouvinte se sente como se tivesse sido atropelado por uma carreta em uma via de alta velocidade, tamanho o poder que a música do Deicide imprimiu neste belo play. Odiado pelos troos, apreciado pelos que gostam de música pesada, extrema, mas acima de tudo, bem escrita e bem executada, esse é um play que exemplifica bem o caminho que algumas bandas de Death Metal iriam começar a trilhar neste século XXI que estava chegando. Outras bandas contemporâneas como o Cannibal Corpse estavam começando a aliar complexidade ao peso extremo e o Deicide viu que o caminho era esse e teve a competência de criar um belo play.

Hoje é dia de celebrar esse belo play. Os caras são dignos de todas as homenagens não só pela importância no cenário, mas também pela influência que eles exercem. Felizmente o Deicide superou essa Pandemia interminável sem grandes problemas e teremos ainda Glen Benton destilando sua bela blasfêmia durante muito tempo ainda. Longa vida ao Deicide.

Insineratehymn – Deicide

Data de lançamento – 27/06

Gravadora – Roadrunner

 

Faixas:

01 – Bible Basher

02 – Forever Hate You

03 – Standing in the Flame

04 – Remnant of a Hopeless Path

05 – The Gift That Keeps on Giving

06 – Halls of the Warship

07 – Suffer Again

08 – Worst Enemy

09 – Apocalyptic Fear

10 – Refusal of Penance

 

Formação:

Glen Benton – vocal/ baixo

Eric Hoffman – guitarra

Brian Hoffman – guitarra

Steve Ashein – bateria