Notícias

Memory Remains: Foo Fighters – banda celebra as bodas de prata de ‘The Colour and the Shape’

Por onde estava o caro leitor há 25 anos atrás? Esse redator que vos escreve era um jovem adolescente que começava a desbravar o mundo do Heavy Metal, mas que tinha as bandas daquela época entre as suas favoritas. Uma delas era o Foo Fighters, cujo segundo álbum, “The Colour and the Shape” completou 1/4 de século na última sexta-feira. O Memory Remains desta segunda-feira vai fazer uma homenagem tardia, é bem verdade, mas honesta para este que é um dos clássicos da segunda metade da década de 1990.

Este é o primeiro álbum a ser gravado por uma banda completa, Recuperada a sua motivação por tocar, agora não mais atrás de um kit de bateria, como nos tempos de Nirvana e sim como vocalista e guitarrista da banda que formou, ele colhia os frutos do primeiro álbum, o qual gravou todos os instrumentos sozinho e de uma aclamada turnê, era a hora de compor novas músicas e mostrar que não se tratava apenas de um projeto sem muitas pretensões. O segundo play do Foo Fighters é liricamente inspirado no divórcio de Grohl e sua então esposa, a fotógrafa Jennifer Youngblood, sendo a tracklist propositalmente intercalada entre faixas rápidas e lentas, para que se parecesse com uma sessão de terapia.

O sucesso do álbum de estreia jogava uma pressão para a banda. E todos esperavam que o novo play viesse com a mesma atmosfera do primeiro, mas o que se viu foi um álbum vigoroso, mais pesado e muito denso. Mas isso foi resultado de muito trabalho. Dave Grohl não ficou satisfeito com o trabalho do baterista William Goldsmith e decidiu regravar todas as partes de bateria, às escondidas. O restante da banda acabou regravando todas as suas partes por inteiro e isso se reflete no resultado final do álbum, que eu particularmente considero como sendo o melhor e definitivo álbum do Foo Figthers até os dias atuais.

E o fato de toda a banda ter regravado suas partes explica o tempo que eles ficaram no estúdio; entre outubro de 1996 e fevereiro de 1997. Três estúdios foram escolhidos para as sessões de gravação: “Bear Creek”, na cidade de Woodnville, Washington, “WGNS”, na capital Washington e no “Grandmaster”, em Hollywood. Sob a batuta do produtor Gil Norton, escolhido a dedo por Dave Grohl por este ter gostado muito do trabalho feito por este com a banda Pixies.

Danny Clinch

Colocando a bolacha para rodar, temos a impressão de que as coisas não vão acontecer, com a faixa de abertura, a calma “Doll”, mas basta vir a faixa número dois, a poderosa “Monkey Wrench”, que as impressões mudam. Uma música vigorosa, com ótimos riffs de guitarra e uma energia de Dave Grohl na bateria que contagia. Óbvio que os  anos 1990 foram repletos de grandes clássicos no Rock: “Smells Like Teen Spirit”, “Even Flow”, “Man in in ,the Box”, “Outshined”, “Killing in the Name”, “Give It Away”,  “Glamour Boys”,Enter Sandman”, entre outras, mas se alguém me pedir para definir essa década em uma música, eu escolho sem titubear, “Monkey Wrench”. Hoje ela é uma das poucas que sobrevivem no setlist dos shows da banda.

Hey, Johnny Park” vem a seguir e ela é uma música bem agradável, sendo uma espécie de balada pesada. “My Poor Brain” tem uns barulhos chatos na intro, mas é outra que engana, pois logo ela se torna interessante, com acordes bem agradáveis na primeira estrofe e o peso aparece no refrão, deixando-a ainda mais magnífica. Temos um Dave Grohl insano em dado momento, com gritos estridentes. “Wind up” é outra que pertence ao meu rol das favoritas (detalhe, só incluo neste rol, músicas dos dois primeiros trabalhos da banda) de sempre do FF. Ela é bem pesada e aqui eu destaco além dos riffs, as batidas firmes e violentas, como se fossem uma aula do dono da bandal ao então titular das baquetas naquele instante, o coitado do William Goldsmith, que estava no lugar errado e na hora errada.


Up in Arms” começa com ares de que vai ser uma balada, e ela segue assim por quase metade de sua extensão, quando Grohl insere viradas loucas em seu kit de bateria e a música toma direcionamento mais Punk Rock, com direito até a um solo, que se não chega a ser virtuoso, ao menos é divertido. Ótimo som. Batidas fortes anunciam um dos maiores clássicos da banda, “My Hero”. E se trata de uma música maravilhosa mesmo, pesada e densa. Haviam rumores de que Grohl havia escrito a letra em homenagem a seu outrora companheiro de Nirvana, Kurt Cobain, mas isso nunca foi confirmado pelo frontman. Enfim, uma bela música, que agrada a todo tipo de fã de música pesada. E bem feita.

See You” é claramente inspirada no Rock dos anos 1960 e mostra o talento que Dave escondia enquanto socava sua bateria nos tempos de sua banda anterior. Com belos acordes e muita melodia, essa música ganha o coração do ouvinte logo de cara. A seguir, duas faixas que não me fazem muito a cabeça e que eu costumo pular, mas não o fiz desta vez porque precisava revisitar o álbum: “ Enough Space” que tem um mix de Punk com New Wave e a tristonha “February Stars”. São os pontos fora da curva deste play maravilhoso.

Mas logo as coisas retornam aos eixos com outra clássica da banda: “Everlong”, que ainda hoje é tocada pela banda. Talvez seja a música mais popular do FF e a isso muito se deve à MTV, que veiculou o clipe a exaustão. Videoclipe esse que é divertidíssimo, como muitos dos que a banda viria a produzir. E isso os caras sabem fazer muito bem. A música tem um Punch interessante e aqui o que temos é um Rock’ N’ Roll genuíno, maravilhoso.

As duas faixas que encerram o disco são bem diferentes da proposta da banda. A tranquila e harmônica “Walking After You”, que é bem agradável e “New Way Home”, que já dá uma pista do que se tornaria o som do FF no futuro, que é aquele Rock and Roll mais radiofônico, não que a banda nunca tivesse soado assim desde o primeiro disco, mas aqui é mais explícito e foi o caminho que a banda optou em seguir sua trilha, tirando o punch, visando alcançar um número maior de pessoas. Os últimos acordes desta música traz a energia que marcaria estes dois primeiros discos do novo projeto de Dave Grohl, uma pegada Punk com um bom solo que dá um belo final ao play.

São 46 minutos de uma experiência maravilhosa, sobretudo se o leitor for um saudosista confesso. Pessoalmente, este álbum me traz uma série de lembranças espetaculares, sempre que coloco o disco para rodar, me passa um filme na cabeça e várias lembranças da adolescência me voltam à cabeça. E se recordar é viver, eu vivo de recordar o passado. Nos álbuns que sucederam, a banda foi se distanciando deste estilo inicial, o que me fez perder o interesse na banda, mas é legal ver uma banda de Rock fazendo sucesso e se destacando no mainstream, onde tantas músicas de gosto musical pra lá de duvidoso fazem um sucesso incompreensível.

Após a gravação do álbum, o baterista William Goldsmith se sentiu ofendido pelo fato de o chefe ter refeito as partes de bateria e abandonou o grupo. Para seu lugar, Grohl recrutou Taylor Hawkins, que recentemente nos deixou e naquele momento se destacava com a banda de Alanis Morissette. A curiosidade é que ambos eram amigos e após Grohl lhe pedir indicações para a bateria, ele mesmo se candidatou a vaga. O lado não tão bom disso é que o líder do FF jamais gravou bateria nos discos posteriores

The Colour and the Shape” obteve ótimo retorno tanto de público e crítica: chegou ao 2° lugar nas paradas da Grécia, 3° no Reino Unido, 5° na Austrália, 7° na Belgica, 8° no Canadá, 10° na Irlanda, Nova Zelândia, Suécia e também na Billboard 200. Foi premiado com Disco de ouro no Japão e na Nova Zelândia e platina nos seguintes países: Austrália, Canadá, Estados Unidos e Reino Unido. Os números falam por si.

Enfim um álbum que marcou época e que merecia até ser mais lembrado pela banda nas apresentações ao vivo, não só este, mas o primeiro também. E infelizmente, poucas músicas destes dois discos entram no setlist atualmente. Dave Grohl é certamente o sujeito mais boa praça da cena e merece todo o sucesso qur faz, ainda que ofuscado pela recente perda do talentoso Taylor Hawkins. Vamos esperar a banda viver o luto e torcer para que eles possam dar a volta por cima, pois o Rock precisa de bandas como o Foo Fighters. Vamos celebrar esse discão, que foi feito para quem gosta de Rock ‘n’ Roll direto e reto, com um clima visceral

The Colour and the Shape – Foo Figthers

Data de lançamento – 20 /05/1997

Gravadora – Capitol

 

Faixas:

01 – Doll

02 – Monkey Wrench

03 – Hey, Johnny Park

04 – My Poor Brain

05 – Wind up

06 – Up in Arms

07 – My Hero

08 – See You

09 – Enough Space

10 – February Stars

11 – Everlong

12 – Walking After You

13 – New Way Home

 

Formação:

Dave Grohl – vocal/ guitarra/ bateria

Pat Smear – guitarra

Nat Mendel – baixo

William Goldsmith – bateria em “Doll”