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Memory Remains: Iron Maiden – 33 anos de “Seventh Son of a Seventh Son” e a saída dos anos 1980 no auge

Em 11 de abril de 1988, o Iron Maiden lançava seu sétimo álbum. Aclamadíssimo por uma maioria esmagadora, “Seventh Son of a Seventh Son” faz parte do belo legado consrruído pelo Iron Maiden na década de 1980 e é um dos temas do Memory Remains de hoje.

A banda vinha do igualmente clássico “Somewhere in Time”, álbum que foi bem premiado por suas vendas, inclusive no Brasil, onde foi certificado com Disco de Ouro. Entre 1987 e 1988, o então quinteto embarcou para a Alemanha, onde na companhia do parceiro de longa data, Martin Birch, que assinava mais uma vez a produção do aniversariante do dia. O estúdio utilizado foi o “Musicland Studios”, na cidade de Munique.

Trata-se de um álbum conceitual, que se inspirou na lenda do sétimo filho do sétimo filho e dos poderes que este viria a ter. Na parte lírica, a banda abordou diversos temas como visões proféticas, misticismo, reencarnação e vida após a morte. A arte da capa, assinada por Derek Riggs, mostra uma imagem um tanto quanto simples, com Eddie desenhado só pela metade. O artista explicou que a maçã em uma das mãos da mascote representa o Jardim do Éden e que a cabeça pegando fogo foi um “símbolo de inspiração”, segundo as suas palavras. Vamos sem mais delongas, extrair faixa por faixa deste play:

A abertura se dá com “Moonchild”, que começa com ares de balada, tendo a voz suave de Bruce Dickinson acompanhada do violão, mas logo ela ganha peso e fica bem rápida, ganhando um clima épico e abrindo o play de uma maneira nada menos que sensacional. Em seguida temos “Infinite Dreams”, que foi o single de número 4 lançado para promover o aniversariante do dia. Aqui, os caras tiraram bem o pé do acelerador, comparado com a faixa anterior e temos aqui uma faixa que transita pelo Prog, mas ganha peso do meio para o final, destacando o trabalho da cozinha. Muito boa também.

Carlos Pupo/Headbangers News

A faixa número três é a clássica “Can I Play With Madness”, que conta com riffs cavalgados e bem estruturados nas estrofes e aquele refrão bem grudento. Foi o primeiro single lançado pela banda. Depois temos uma faixa que, pessoalmente, é uma das minhas favoritas de todos os tempos da carreira da Donzela: “The Evil That Men Do”, onde Steve Harris se destaca com seu baixo cavalgado em meio às guitarras um tanto quanto melodicas, fechando em grande estilo a primeira metade da bolacha.

Se você está no vinil, é hora de virar o lado e é a faixa título que abre e do alto de seus 9 minutos, ela tem algumas mudanças em seu andamento, que inclui até mesmo um coral. Uma música bem trabalhada onde o potente vocal de Bruce Dickinson se destaca. Só acho que ficaria mais legal se a faixa título fosse a número sete. O sétimo álbum do Iron com o nome de O sétimo Filho do Sétimo Filho, tendo a faixa título na posição sete na bolacha, renderia boas ações de marketing.

Depois desta epopeia, restam pouco mais de 14 minutos de audição e mais três músicas: a vez agora é de “The Prophecy”, uma faixa mais arrastada e pesada que se o ouvinte prestar bem atenção, se assemelha muito ao que Bruce Dickinson viria a fazer em sua carreira solo. O belo final, com o violão, é a cereja do bolo. Linhas de baixo sensacionais executadas por uma das autoridades das quatro cordas, anunciam a chegada de outra das faixas que entram no meu rol das favoritas do Iron: “The Clairvoyant”, que nasceu clássica e vira e mexe entra nos shows da banda. Musicalmente, ela é bem enérgica e o destaque aqui são para as viradas de Nicko McBrain, que estava inspirado em todo o disco, diga-se de passagem.

A faixa derradeira atende pelo nome de “Only the Good Die Young”, que é uma faixa relativamente rápida, onde as já conhecidas guitarras com riffs cavalgados vão se alternando com os duetos e uma performance impecável de Steve Harris no baixo, vão conduzindo as coisas, proporcionando um final bem honesto para mais um disco que marcou a carteira de uma das maiores bandas de Heavy Metal.

São 43 breves minutos, divididos em 8 faixas que fazem deste disco tão especial. Durante a turnê, chamada de “7th Tour of 7th Tour”, a banda se apresentou pela Europa e Estados Unidos, onde o ápice desta tour foi a apresentação no lendário Monsters of Rock, que era realizado no autódromo de Donnington Park. Só para que o leitor mais novo tenha ideia, esse festival era o que hoje é o Wacken Open Air. Entre 2012 e 2014, o Iron refez essa mesma turnê, chamada de “Maiden England Tour”.

O play marcava a despedida temporária do guitarrista Adrian Smith. Ele ainda faria a turnê e sairia antes da gravação do sucessor, “No Prayer for Dying” (1990). Ficaria 9 anos fora, retornando junto com Bruce Dickinson, assim fazendo parte do lineup que perdura até os dias atuais.

O aniversariante do dia foi o segundo álbum da Donzela a alcançar o topo das paradas britânicas, sendo “The Number of the Beast” (1982) o primeiro. A banda repetiria dose por mais três oportunidades, com “Fear of the Dark” (1992), “The Final Frontier” (2010) e “The Book of Souls” (2015). Além disso, o álbum ficou em 1° na Finlândia, 2° na Holanda, Suécia e Suíça, 3° na Nova Zelândia e Noruega, 4° na Alemanha, 6° na Áustria e 12° na Billboard 200. Foi certificado com Disco de Ouro no Estados Unidos, Reino Unido, Suiça e Alemanha, e com Platina no Canadá.

Em Outubro de 1995, uma semana depois do lançamento de “The X- Factor”, o álbum foi relançado pela Castle, com um CD bônus, que trazia para os fãs versões de músicas como “Prowler”, “Black Bart Blues”, “Charlotte the Hariot”, além de faixas ao vivo como “The Clairvoyant”, “The Prisoner”, “Killers” e “Still Life”.

Um belo disco que completa seus 33 anos e segue como um dos nortes dessa que é uma das mais bem sucedidas bandas, em termos comerciais. Uma sugestão de audição neste domingo em que ficar em casa se tornou um ato de precaução consigo mesmo e com os seus. Tenhamos paciência e logo logo teremos a oportunidade de ver o Iron Maiden novamente em cena.

Seventh Son of a Seventh Son – Iron Maiden

Data de lançamento – 11/04/1988

Gravadora – EMI

Faixas:

01 – Moonchild

02 – Infinite Dreams

03 – Can I Play With Madness

04 – The Evil That Men Do

05 – Seventh Son of a Seventh Son

06 – The Prophecy

07 – The Clairvoyant

08 – Only The Good Die Young

Formação:

Bruce Dickinson – vocal

Steve Harris – baixo

Adrian Smith – guitarra

Dave Murray – guitarra

Nicko McBrain – bateria