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Memory Remains: Iron Maiden – 35 anos de “Somewhere in Time”, o uso de sintetizadores e a concepção de mais outra obra-prima

O ano de 1986 é comumente lembrado como o ano mais frutífero para o Heavy Metal. Metallica, Megadeth e Slayer por exemplo, lançaram algumas de suas obras-primas neste ano. No Heavy Metal tradicional, a coisa também não foi diferente, o Iron Maiden lançou também um de seus discos mais importantes. “Somewhere in Time” completa 35 anos e é assunto do nosso Memory Remains desta quarta-feira.

O quinteto vinha do álbum que é considerado por muitos fãs e críticos como o melhor da carreira, que é “Powerslave“. A turnê foi bastante extensa e incluiu a inesquecível apresentação na primeira edição do Rock in Rio, no ano de 1985. Além disso, resultou na compilação do primeiro disco ao vivo da banda, o “Live After Death“. As expectativas por um novo ótimo disco da donzela eram enormes.

Grandes responsabilidades só são imputadas aos grandes e isso vale para todos os setores da nossa sociedade. Com o Iron não seria diferente, após a entrada de Bruce Dickinson e três discos de qualidade indiscutível, um quarto álbum com o mesmo selo era algo esperado e inevitável. Para isso, a banda se dividiu em dois grupos: o primeiro, composto por Steve Harris e Nicko McBrain, que atravessou o Atlântico e gravaram suas partes no famoso “Compass Point Studios“, nas Bahamas, enquanto que os demais membros foram para a Holanda, onde registraram suas partes no “Wisseloord Studios“. Esse foi o primeiro álbum do Iron no qual eles fizeram uso dos sintetizadores, algo que estava na moda naquela época. A produção foi assinada por Martin Birch, que quase sempre produziu os discos da banda.

A arte da capa, assinada pelo parceiro de sempre Derek Riggs, mostra um Eddie futurista em um cenário igualmente futurista e a concepção é inspirada no filme Blade Runner, que teve o ator Harrisson Ford como protagonista. Já na parte lírica, o tema é a relação do homem com o tempo, que podemos perceber de maneira explícita nos títulos de algumas canções como “Caught Somewhere in Time“, “Wasted Years” ou “Déjà vu“, por exemplo.

Botando o play para rolar, temos “Caught Somewhere in Time” que abre muitíssimo bem. A intro é bem progressiva, mas logo a música se desenvolve com aquela energia do Heavy Metal oitentista que o fã do Maiden tanto gosta. E tudo capitaneado pelo baixo cavalgante de Steve Harris. Tudo isso em sete minutos. A faixa que dá sequência é a clássica “Wated Years“, obrigatória nos shows da banda e com sua pegada mais Hard ‘N’ Heavy. Linda, maravilhosa. E com aquele refrão que gruda mesmo na mente. A música foi o primeiro single do disco e ganhou um videoclipe oficial, que pode ser visto no topo desta matéria.

Sea of Madness” é a faixa número três e aqui o destaque é o ótimo duelo travado pela cozinha. A quebradeira de Nicko McBrain e os poderosos riffs de Steve Harris, essa entidade das 4 cordas. Outro clássico surge e é “Heaven Can Wait“, uma música poderosa, vigorosa onde Bruce Dickinson tem provavelmente uma de suas melhores performances vocal na carreira. Tudo com o baixo de Harris tomando conta das ações e sendo o protagonista. Dessa forma magistral a gente encerra a primeira parte da bolacha e é hora de virar para continuar a audição.

Carlos Pupo/Headbangers News

Abrindo o lado B temos “The Loneliness of the Long Distance Runner“, que tem esse título gigantesco e uma bela introdução prog e se desenvolve bem intensa, com os já conhecidos duetos da dupla Dave Murray e Adrian Smith, que dão um espetáculo por aqui. Sem nós esquecer de Harris, que continua sua performance esmagadora nas quatro cordas. A seguir temos “Stranger in a Strange Land” e seu clima mais Progressivo, muito boa também.

Já estamos na parte final do play e temos “Déjà Vu” com seu clima épico e os duetos de guitarra trazendo mais emoção ao disco. “Alexander the Great (356 – 323 B.C.)”, uma ode ao imperador do reino grego antigo da Macedônia, Alexandre Magno, encerra o play, sendo essa uma canção bem Prog, onde novamente Steve Harris e seu baixo poderoso vão controlando as ações e conduzindo a música, que em seus quase nove minutos, fecham com chave de ouro o aniversariante do dia.

Depois de 51 minutos temos a melhor sensação possível. Era o Iron Maiden se consolidando como a maior banda de Heavy Metal naquele momento. O álbum foi muito bem recebido pela crítica e público na época de seu lançamento. A banda saiu em turnê pelo planeta, entre os anos de 1986 e 1987, com 151 shows em um espaço de 253 dias. Cinco das oito faixas fizeram parte do setlist daquela turnê.

Somewhere in Time” foi muito bem ranqueado nas paradas ao redor do mundo: 1°na Finlândia, 3° no Reino Unido, 5° na Nova Zelândia, 6° na Suécia, 8° na Noruega, 10° na Austrália, 11° na “Billboard 200” (EUA) e 22° na Suiça. As vendas foram muito bem, obrigado e o álbum foi certificado com Disco de Ouro no Brasil, Reino Unido e Alemanha e Platina nos Estados Unidos e Canadá. Somente nos Estados Unidos foram mais de um milhão de cópias vendidas. E é muito bom ver o Brasil na lista dos países que certificaram a banda por vendas, sabemos que o Heavy Metal, embora tenha uma quantidade razoável de fãs por estas terras, ainda é longe de ser um estilo popular.

São 35 anos desse play que está com corpinho de 20. Ainda bem que nós tivemos a sorte (ou seria privilégio?) de ter vivido na mesma época do Iron Maiden, essa banda que segue na ativa, lançando discos e que em breve, os brasileiros irão vê-los novamente em ação no Rock in Rio, mesmo que isso custe pagar por todos os pecados tendo que ver antes artistas de gosto duvidoso como Post Malone e Justin Bieber. Vamos celebrar esse play, pois ele merece e muito todos os confetes. Longa vida à Donzela de Ferro

Somewhere in Time – Iron Maiden
Data de lançamento – 29/09/1986
Gravadora – EMI

Faixas:
01 – Caught Somewhere in Time
02 – Wasted Years
03 – Sea of Madness
04 – Heaven Can Wait
05 – The Loneliness of the Long Distance Runner
06 – Stranger in a Strange Land
07 – Déjà vu
08 – Alexander the Great (356 – 323 B.C.)

Formação:
Bruce Dickinson – vocal
Steve Harris – baixo
Adrian Smith – guitarra
Dave Murray – guitarra
Nicko McBrain – bateria

Participação especial:
Graham Chapman – narração em Alexander the Great (356 – 323 B.C.)