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Memory Remains: Iron Maiden – 41 anos do álbum de estreia e o início de uma das maiores bandas do Metal

14 de abril de 1980: nesta data, era lançado o primeiro álbum desta, que é considerada por muitos como a maior banda de Heavy Metal da história: Iron Maiden. E a banda começaria a fazer história já com seu primeiro disco auto intitulado. E o Memory Remains que hoje está recheado de textos, não iria deixar a pedra fundamental da donzela de fora.

Com uma formação bem diferente da que conhecemos hoje, apenas a dupla Steve Harris e Dave Murray estavam desde os primórdios, temos um disco com uma sonoridade muito diferente do que o que viria a se caracterizar como só que conhecemos da maior banda de Heavy Metal dos anos 1980.

Voltando um pouco no tempo, a banda, que foi formada no natal do ano de 1975 e após algumas mudanças na formação ao longo destes primeiros anos de sua existência, Steve Harris acabou por dar um pouco de abertura ao Punk no seu som, já que as gravadoras faziam tal pressão sobre a banda. Com a chegada do vocalista Paul Di’Anno, que tinha uma imagem mais ligada a este estilo. Em 1979, eles conseguiram um contrato com a EMI, contrato este que perdurou até 2013.

Até que, finalmente, em fevereiro de 1980, o quinteto adentrou ao “Kingsway Studios“, em Londres, com a produção de Will Malone e de lá saíram com esta obra prima. A curiosidade é que na versão britânica do álbum, e é desta que estamos a falar hoje, a música “Sanctuary“, que é uma das clássicas da banda, acabou não entrando no debut, mas saiu na versão estadunidense, que fora lançada em 17 de agosto de 1980. Anos depois, o álbum foi remasterizado e relançado, tendo esta faixa incluída nas versões do mundo inteiro. Vamos lá destrinchar faixa a faixa do hoje quarentão:

A clássica “Prowler” abre a carreira do Iron Maiden e embora o som seja bem diferente do que a donzela de ferro apresenta hoje, é muito empolgante e a voz de Paul Di’anno é inconfundível. E Steve Harris mostra já o seu talento no baixo. Remember Tomorrow” é outra faixa bem diferente até mesmo da proposta do Iron, um som mais voltado para o progressivo na sua primeira parte e somente no meio ela vai ganhando mais velocidade e ficando mais Metal por uns momentos até voltar ao seu clima Progressivo. Um sonzaço pra ninguém colocar defeito.

Na sequência vem outra música que nasceu clássica: “Running Free“, que aqui tem uma pegada mais post-punk. E o que dizer do refrão chiclete? Muito boa. E temos mais um dos clássicos: “Phantom of the Opera“, que traz de volta o Heavy Metal tradicional em uma música muito boa com um andamento bem rápido e várias (e bruscas) mudança para partes mais psicodélica, lembrando até o Rush em uma parte destas.

Transylvania” chega e completamente instrumental, para tornar-se outro clássico da banda. Sobre esta música, devo confessar algo: até 2001, eu nunca tinha ouvido essa música é fui conhecê-la através de uma versão que o Iced Earth fez no disco “Horror Show“. Lá a versão ganhou ainda mais peso, mas aqui a versão original é linda por ser rude.

Strange World” com sua longa intro de quase dois minutos soa bem progressiva durante toda a sua extensão. E para quem critica a banda pelas faixas mais recentes em que a banda se apresenta mais progressiva, aconselho que o ouvinte preste atenção nesta faixa, que é muito boa por sinal. “Charlote the Harlot” é bem complexa, podemos dizer assim: ela é bem similar aos som das meninas do Girlschool, no meio dela uma quebrada para a inclusão de um som mais progressivo, depois a inserção do Metal tradicional que iria caracterizar o sol da banda futuramente. Uma mescla que ficou muito boa.

A faixa que dá título a banda e ao aniversariante de hoje fecha o disco e ela é tocada até os dias atuais nas apresentações da banda é a música mais rápida do play e apresenta uma forte influencia do punk, embora aqui a gente já perceba outra característica que marcaria a banda: os duetos de guitarra. E assim temos o fechamento de um excelente álbum de estreia, por isso que o Iron Maiden deu certo, uma banda que já cedo começou acertando a mão.

Vamos fazer uma menção à faixa “Sanctuary“, que hoje é um dos clássicos, não só do Iron Maiden, mas também do Heavy Metal. E trata-se de uma música bem agitada, com uma energia bem punk. E que felizmente eles resolveram incluí-la nas versões lançadas em CD mais tarde. Uma excelente canção de um excelente disco.

Este disco é tão icônico que várias são as bandas que ou se inspiraram nele, ou fizeram versões covers para as músicas deste play: “Prowler” ganhou uma versão do Black Tide e também do Blind Guardian, no caso dos alemães, eles fizeram esta versão em uma de suas primeiras demos; no caso de “Remember Tomorrow“, ganhou homenagens de Metallica, Crowber, Opeth e Anthrax; “Running Free” ganhou homenagens do Grave Digger e Iron Savior. A faixa “Iron Maiden” foi executada por Tankard e Trivium.

A banda saiu em turnê com o Judas Priest pelo Reino Unido e logo depois realizou sua própria excursão pela Europa, em que eles fizeram mais de cem apresentações que duraram mais de 8 meses naquele ano de 1980. Ainda neste período, a banda abriu alguns shows para o Kiss. Com um disco desses e fazendo abertura para duas bandas já gigantes, não tinha como dar errado.

Ainda durante esta tour, o guitarrista Dennis Stratton foi demitido e entraria um certo Adrian Smith… Era o embrião da formação clássica do Iron Maiden se iniciando. E hoje é dia de comemorarmos mais um ano de lançamento deste álbum. Vamos aproveitar para celebrarmos este clássico e também de exaltarmos o legado do hoje sexteto. Fique em casa, se puder. Tenhamos paciência, pois logo logo isso tudo vai passar e iremos ver nossos ídolos arrebentando em cima dos palcos novamente.

Iron Maiden – Iron Maiden
Data de Lançamento: 14/04/1980
Gravadora: EMI

Faixas:
01 – Prowler
02 – Remember Tomorrow
03 – Running Free
04 – Phantom of the Opera
05 – Transylvania
06 – Strange World
07 – Charlotte the Harlot
08 – Iron Maiden

OBS: a versão estadunidense, lançada meses depois tem a adição da faixa “Sanctuary“, sendo esta a sétima faixa do tracklisting.

Formação:
Paul Di’Anno – Vocal
Steve Harris – Baixo
Dave Murray – Guitarra
Dennis Stratton – Guitarra
Clive Burr – Bateria