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Memory Remains: Judas Priest – 35 anos de “Turbo” e a onda dos sintetizadores na década de 1980

Memory Remains: Judas Priest – 35 anos de “Turbo” e a onda dos sintetizadores na década de 1980

14 de abril de 2021


Já falamos do clássico “British Steel” no texto anterior, pois o dia 14 de abril é especial para o Judas Priest. Na mesma data, em 1986, temos o álbum “Turbo” também apagando as velinhas. Chegou a vez de o décimo primeiro álbum da carreira dos britânicos ser tema do Memory Remains desta quarta-feira.

E este foi um disco que causou bastante controvérsia, devido à inclusão de alguns novos elementos, como sintetizadores e letras mais comerciais. Os fãs mais conservadores, claro, torceram o nariz. Em contrapartida, a banda estava indo na tendência da época, algumas bandas já havia aderido a modernidade e fazendo uso destes sintetizadores, como o Rush por exemplo, muito embora a proposta musical de ambas as bandas sejam completamente diferentes.

A banda havia se apresentado no icônico “Live Aid“, em julho de 1985, última aparição dos caras após a tour de divulgação do álbum anterior, “Defenders of the Faith“. E os caras tinham uma intenção bastante ambiciosa: gravar um disco duplo com 19 músicas, que contariam a história deles e em princípio ele se chamaria “Twin Turbos“, porém, a gravadora CBS vetou a ideia, sob alegação de que os custos para a produção do álbum seriam altos.

O álbum ganhou este nome em razão de o guitarrista K.K. Dowing ter comprado um Porsche Turbo pouco tempo antes de a banda se reunir para iniciar o processo de composição. O mesmo K.K. Dowing em 2018, na sua autobiografia lamentou o fato de a banda ter recusado uma proposta dos produtores do filme “Top Gun”, que queriam que a música “Reckless” fizesse parte da trilha sonora da película, mas, que fosse exclusiva. Eles não aceitaram e obviamente, perderam muito dinheiro.

Assim sendo, a banda adentrou ao “Campass Point Studios“, nas Bahamas, sob a batuta de Tom Allom e o resultado foi este álbum, que saiu um pouco diferente do que havia sido previamente planejado pela banda e que passaremos a destrinchar abaixo.

Turbo Lover” abre os trabalhos e embora ela comece flertando intensamente com o post-punk, ela vai ganhando contornos Hard Rock confirme se desenvolve. Já “Locked” in é bem mais empolgante do que a faixa que abre a bolacha e aqui temos o melhor do que a NWOBHM pode nos oferecer em uma música bem enérgica. Muito boa. Em “Private Propriety”, um efeito bem cretino foi usado nas guitarras durante a introdução, o que leva o ouvinte a crer que a música será chata. Não, não é. Se é longe de ser um clássico do Judas Priest, a música pelo menos fica mais agradável, onde eles apostam num Hard Rock, bem parecido com o que as bandas contemporâneas faziam à época.

É a vez de “Parental Guidance” temos um Judas Priest novamente apostando no Hard Rock, mas desta vez soando muito parecido com Van Halen. Temos “Rock You All Around the World” uma das melhores composições da carreira do Judas Priest em minha opinião. É simplesmente matador o trabalho das guitarras da dupla Glen Tipton e K.K. Downing. Sem contar na ótima performance do “Metal God”, Rob Halford. Essa música tem um clima muito bom e já vale pelo disco inteiro.

Out in the Cold” tem um clima meio chato em sua intro, mas depois se torna uma boa canção de Hard Rock e um belo solo de guitarra, enquanto que “Wild Nights, Hot & Crazy Days” chega com uma atmosfera bem Glam, típica das bandas de Hard Rock, ainda que o Judas Priest seja primordialmente uma banda de Metal. Mas aqui temos bons riffs de guitarra.

Hot For Love” é outra das músicas que eu destaco pelo sua capacidade de despertar diversão no ouvinte: trata-se de outro som com uma pegada bem Hard Rock e novamente conta com um belo trabalho da dupla de guitarristas. E convenhamos, quem tem K. K. Downing e Glenn Tipton em seu time, já comela o jogo ganhando por 3 a 0, no mínimo. Ótima canção.

Reckless” fecha o álbum com mais Hard Rock, não tão empolgante quanto a faixa anterior, mas muito bem feito e uma composição bem estruturada, que dá ao álbum um brilho bem peculiar. Se não se trata de um clássico da banda, é um bom disco e merece os confetes por mais um ano de seu lançamento. E em 40 minutos de audição temos um álbum que se não é Heavy Metal, mas que vale a pena o leitor dar uma chance nestes tempos de pandemia. Longa vida aos mestres do Heavy Metal. Em breve tudo isso vai passar e teremos o Judas em ação, juntamente com as demais bandas que admiramos.

Turbo – Judas Priest
Data de lançamento: 14/04/1986
Gravadora: CBS

Faixas:
01 – Turbo Lover
02 – Locked in
03 – Private Propriety
04 – Parental Guidance
05 – Rock You All Around the World
06 – Out in the Cold
07 – Wild Nights, Hot & Crazy Days
08 – Hot for Love
09 – Reckless

Formação:
Rob Halford – Vocal
Glenn Tipton – Guitarra
K.K. Downing – Guitarra
Ian Hill – Baixo
Dave Holland – Bateria