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Memory Remains Judas Priest – 41 anos de “Point of Entry” e a era mais comercial da banda

O Memory Remains desta quinta-feira vai contar um pouco  de “Point of Entry”, o disco de número 7 da discografia gloriosa e longeva dessa instituição chamada Judas Priest, que comemora foi lançado neste 10 de fevereiro do já longínquo ano de 1981, um ano que ficou marcado por acontecimentos como a guerra das Malvinas, onde o exército britânico garantiu por meio do poderio bélico, a posse das ilhas localizadas próximas ao território argentino.

Havia uma expectativa gigantesca em torno deste álbum, pois a banda havia acabado de lançar um de seus maiores clássicos, o aclamado “British Steel“, que foi um tremendo sucesso comercial e a responsabilidade era grande. Então o Judas adotou um direcionamento musical mais radiofônico para “Point of Entry”. Na ocasião, a banda possuía recursos financeiros que permitiram com que todos levassem seus instrumentos para a ilha de Ibiza, na Espanha, onde permaneceram nos meses de outubro e novembro de 1980 gravando o aniversariante do dia. A produção foi assinada por Tom Allom e pela própria banda.

Vamos colocar a bollacha para rolar, e temos a abertura com “Heading out to the Highway”, cujo videoclipe o leitor pode assistir mais acima, aposta na simplicidade: riffs sem muita complexidade, mas que são eficientes em uma música com a receita estrofe-refrão que vai se repetindo do início ao fim. “Don’t Go” é mais pesada do que a faixa anterior e tem uma energia maior, sobretudo no refrão.

Hot Rockin” traz o Judas Priest de volta a NWOBHM com uma música mais que empolgante, que conta com os riffs precisos de KK. Dowing e Glenn Tipton, além daquele refrão chiclete. “Turning Circles” tem a mesma pegada mais comercial que a faixa de abertura e conta com a mesma estrutura na sua composição.

Divulgação/Columbia Records

Chega “Desert Plains” com seu clima Hard Rock e o destaque aqui é para as boas linhas de baixo de Ian Hill, que vão guiando a música com certa maestria. A segunda metade do play começa com “Solar Angels” que mantém a pegada da faixa anterior, mas aqui o destaque é o belo solo de guitarra, com muito feeling.

You Say Yes” é direcionada pelas guitarras, ainda que aqui soem um pouco estridentes em diversos momentos, acaba ajudando no resultado final. A faixa ainda tem uma mudança breve no andamento, onde tem um flerte com o Prog. “All the Way” navega entre o Heavy e o Hard com um certo peso, um solo de guitarra competente e um refrão grudento. Impossível não cantarolar os versos do refrão mesmo depois de terminada a audição.

Troubleshoot” traz riffs que lembram muito o AC/DC e isso por si só já é suficiente para que a faixa seja boa. Mas quando se tem uma dupla de guitarristas como KK. Dowing e Glenn Tipton, a coisa ganha dimensões estratosféricos. E “On the Run” encerra de maneira bem honesta um play igualmente honesto. Aqui os destaques são o belo duelo entre Rob Halford e a dupla de guitarristas, que é bem interessante.

Temos um disco bem curto, são apenas 39 minutos e a certeza de uma boa experiência na audição. A curiosidade maior é com a capa: são duas imagens diferentes estampando a capa, uma exclusiva para a edição estadunidense e outra para o restante do mundo. Você pode ver as duas capas mais abaixo.

Em 2001 foi lançada uma versão remasterizada e no encarte a banda emitiu um relato interessante acerca das gravações:

“Gravado na ilha de Ibiza com múltiplas distrações, sol glorioso e álcool de custo extremamente baixo, este álbum foi visto com uma mistura de sentimentos porque foi diferente do que as pessoas esperavam. O álbum foi quase todo escrito e tocado espontaneamente em Ibiza – foi uma experiência no sentido de que antes disso já havíamos escrito a maioria das músicas antes de entrar no estúdio.”

O álbum foi premiado com Disco de Ouro nos Estados Unidos e Prata no Reino Unido. Nos charts, o aniversariante do dia alcançou a posição de número 14 na Suécia e no Reino Unido; na Alemanha, ficou na posição 19; na Noruega, chegou na posição número 32, 39 foi a posição na “Billboard 200” e no Canadá, o álbum chegou ao número 42. Em 2005, o disco entrou na lista dos “500 Maiores Álbuns de Hard Rock e Heavy Metal de Todos os Tempos“, pela revista “Rock Hard”. É uma boa performance, mas muito mais pela expectativa dos fãs pelo sucessor de “British Steel”,

Apesar de algumas reações negativas, não se trata de um álbum ruim. O guitarrista K.K. Dowing afirmou em entrevista que as pessoas não entendiam a pressão que a banda sofria das gravadoras, que era praticamente uma obrigação gravar um cover ou um hit e que eles deram à gravadora exatamente o que ela queria. É um disco que merece atenção sobretudo do fã que curte um som não tão pesado, porém técnico.

E como o Judas está na ativa, mesmo com as recentes polêmicas da continuação ou não de Andy Sneap na segunda guitarra, só nos resta aguardar as coisas melhorarem um pouco para que possamos vê-los em ação novamente. Então vamos nos cuidar, tomar as vacinas, pois só elas nos salvam deste vírus maldito que se multiplica a todo o tempo. Não sejamos negacionistas. O Heavy Metal e a humanidade agradecem.

Point of Entry – Judas Priest

Data de lançamento – 26/02/1981

Gravadora – Columbia Records

Faixas:

01 – Heading out to the Highway

02 – Don’t go

03 – Hot Rockin

04 – Turning Circles

05 – Desert Plains

06 – Solar Angels

07 – You Say Yes

08 – All the Way

09 – Troubleshooter

10 – On the Run

Formação:

Rob Halford – vocal

K.K. Dowing – guitarra

Glenn Tipton – guitarra

Ian Hill – baixo

Dave Holland – bateria