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Memory Remains: Kreator – 32 anos de “Extreme Aggression” e a aula de Thrash Metal

Em 19 de junho de 1989, o Kreator lançava o seu terceiro, e mais emblemático álbum: considerado o melhor da carreira pelos fãs “old-school”, “Extreme Aggression” é o álbum que terá a sua história contada no nosso Memory Remains deste sábado..

A banda precisava manter a pegada de seu álbum antecessor, o igualmente violento “Terrible Certanity” e a época era muito boa em termos de criatividade para o quarteto. A mudança se deu nas letras, que passaram a ser mais reflexivas e o som, continuava sem deixar a desejar.

A capa, que tinha um desenho de um monstro fazendo um desenho de um canibal comendo a cabeça de uma pessoa, acabou sendo trocada a pedido das gravadoras, temendo sofrer censuras. Então temos essa capa, digamos, meio brega, com a banda reunida em uma foto, com um fundo laranja.

O quarteto se deslocou para Hollywood, na Califórnia e com o produtor Randy Burns, que já havia assinado trabalhos com bandas do quilate de Megadeth, Death, Nuclear Assault e Suicidal Tendencies. Ficaram na costa oeste dos EUA durante os meses de janeiro e fevereiro de 1989, caprichando no play., Vamos destrinchar uma a uma, todas as nove faixas deste petardo.

A faixa título abre o trabalho com ótimos riffs e em um clima bem cadenciado, logo a pancadaria toma conta de tudo em uma música simplesmente arrebatadora. “No Reason to Exist“ é bem enérgica e tem mais riffs matadores. Em certos momentos, lembra o Thrash Metal praticado na Bay Área, mas claro, com as particularidades das hordas alemães.

Carlos Pupo/Headbangers News

Love us or Hate us” começa veloz e ríspida, depois muda um pouco o andamento, com bons riffs e menos rápida do que o seu início. Linda. “Stream of Counsciouness” é rápida e desesperadora ao mesmo tempo. Impossível manter o pescoço parado com esse petardo, nem na parte em que a banda tira o pé do acelerador.

Some Pain Will Last” começa tensa, sombria e ela é bem arrastada durante boa parte de sua extensão, ficando um pouco mais rápida antes e durante o solo, retomando sua pegada mais calcada no peso. Excelente. Depois de uma faixa mais trabalhada, nada como o maior clássico da banda; a veloz, bruta e agressiva “Betrayer”. Rápida como um jato, com uma breve, bem breve pausa para uns riffs mais lentos e logo a pancadaria volta a destruir tudo. “Don’t Trust” é um baita Thrash Metal, pesada, bem trabalhada, já indicava o que a banda pretendia fazer no seu sucessor, o ótimo “Coma of Souls” .

Bringer of Torture” traz de volta a artilharia pesada e mortal que os riffs de Mille Petrozza e Jörg Tritze podem nos proporcionar em uma faixa curta e grossa. E “Fatal Energy” encerra bem o play com uma faixa em que temos várias mudanças de andamento, que vai do extremamente técnico à quebradeira total.

Em 37 minutos, temos um álbum simplesmente impecável e não a toa é idolatrado por fãs de música rápida, agressiva e ao mesmo tempo, técnica. Um disco que como muitos no Metal, envelhece muito bem, obrigado. E por isso, hoje ele é digno de toda nossa homenagem. Só esperamos que essa pandemia passe logo para que o Kreator possa voltar a nos brindar não só com a sua música, mas com sua mensagem que nos faz pensar em um mundo mais justo, esses antifascistas lindos que ensinam a muitos que o Rock and Roll não combina com autoritarismo e preconceitos de maneira geral.

Extreme Aggression – Kreator

Data de lançamento – 19/06/1989

Gravadora – Noise Records/Epic

Faixas:

01 – Extreme Aggressions

02 – No Reason to Exist

03 – Love us or Hate us

04 – Stream of Consciousness

05 – Some Pain Will Last

06 – Betrayer

07 – Don’t Trust

08 – Bringer of Torture

09 – Fatal Energy

Formação:

Mille Petrozza – Vocal/Guitarra

Jörg Tritze – Guitarra

Rob Fioretti – Baixo

Ventor – Bateria

Participações especiais:

Dan Clements – Backing Vocal (“Betrayer” e “Don’t Trust”)

Greg Saenz – Backing Vocal (“Betrayer” e “Don’t Trust“)