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Memory Remains: Kreator – 30 anos de “Coma of Souls” e o fim de um ciclo vitorioso

Em 6 de novembro de 1990, o Kreator lançava seu quinto álbum. E “Coma of Souls” é mais que especial. Primeiro por representar o final de um ciclo vitorioso que a banda teve. E foi o período mais importante, em que a banda conseguiu angariar fãs e fazer seu nome na cena.

Segundo por ser o disco que sucede o maior clássico da própria banda: o poderoso e veloz “Extreme Aggressions”. “Coma of Souls” precisava ser um disco à altura. Foi até melhor que isso, pois os caras conseguiram imprimir uma técnica jamais vista até então nos discos deste quarteto alemão.

Então, com o desafio de superar seu maior clássico, a banda, entre os meses de julho e agosto de 1990, se enfurnou no Eldorado and Image Recording Studios para a gravação, e depois no Music Grinder, em Hollywood para a mixagem, este último, o mesmo onde foi mixado o álbum anterior. Para a produção, Randy Burns repetiria o trabalho de “Extreme Aggressions”, afinal, não se mexe no time que está ganhando.

É hora de colocar o play para rolar e conferir o que temos nas dez faixas que compõem o aniversariante do dia. Então vamos sem mais delongas: “When the Sun Burns Red” tem uma introdução épica, carregada até mesmo de melodia e com um violão no meio. Mas quem espera algo de diferente na sonoridade da banda, não se iluda, pois os riffs matadores de Mille Petrozza, além da bateria veloz de Ventor tratam de mostrar que o Thrash Metal segue firme e forte.

A faixa título chega novamente com a máquina de riffs chamada Mille Petrozza, bem acompanhado de Frank Blackfire, velho conhecido de nós brasileiros. O cara morou aqui e teve banda por estas terras. A música cheia de passagens diferentes impressiona por ser veloz, complexa e pesada. Essa é uma das minhas faixas favoritas da carreira da banda.

Se a faixa anterior é uma das minhas favoritas, a que vem agora, “People of the Lie”, é a minha favorita. A batida diferente que Ventor colocou aqui e os riffs mais cavalgados dão à música um brilho especial. Ela mostra um Kreator maduro, não tão rápido e privilegiando o peso e com uma levada simplesmente impecável.

A brutalidade e velocidade retornam com tudo em “World Beyond” e os caras mais uma vez destilam o melhor de suas respectivas técnicas, com destaque para o belo solo, na faixa mais curta do play. Em “Terror Zone”, a versatilidade é colocada a prova em uma intro longa, que mistura partes melódicas com riffs precisos. A música se desenvolve densa e as guitarras ditam o ritmo e no meio, a grande surpresa, um solo veloz surge e a música entra nessa vibe se encerrando rápida, bem diferente de seu início.

“Agents of Brutality” também também tem uma intro bem longa, onde a banda flerta com o Doom e logo a pancadaria chega com tudo, aqui destacando o bumbo duplo de Ventor. Durante o desenvolvimento, a música vai mudando seu andamento, com direito a um solo bem executado, onde o ouvinte consegue escutar perfeitamente cada nota.

“Material World Paranoia” é outra que nos engana na intro, sendo mais arrastada, porém a música vai alternando partes velozes nas estrofes e um refrão mais devagar. O refrão, aliás, gruda na mente do ouvinte. “Twisted Urges”, por sua vez é curta e grossa, em seus pouco mais de dois minutos, um Thrashão para ninguém botar defeito, com direito a uma breve inserção mais arrastada e trabalhada.

“Hidden Dictator” chega com o baixista Rob trazendo boas linhas nas suas quatro cordas em uma música que tem um pouco de tudo: velocidade, partes cadenciadas e até mesmo influências de Punk. Tudo sem perder a qualidade ou fazer com que os caras perdessem a mão. E a letra, nem parece ter sido escrita há 30 anos, pois alguns governantes atuais mundo afora certamente se encaixam na mensagem deixada pela banda.

“Mental Slavery” chega trazendo muito Groove em sua intro e embora não seja rápida, é uma excelente música onde os riffs comandam as ações e fecha espetacularmente um álbum espetacular do início ao fim. Após 44 minutos, percebemos que o Kreator conseguiu o melhor resultado possível e nos brindou com essa maravilha que é “Coma of Souls”.

Algumas edições do play foram lançadas com aquele selo cretino do Parental Advisory. E isso, sabemos só faz com que a curiosidade das pessoas aumentem e com certeza a banda deve ter vendido algumas cópias a mais por isso.

Depois de “Coma of Souls”, a banda andou lançando álbuns controversos. A crise do Thrash Metal foi mundial e nem os reis alemães do estilo conseguiram escapar. Mas fica aqui o legado deste play, agora um trintão. Envelhecendo bem, obrigado. Sendo cada vez mais uma referência e uma obrigatoriedade na discografia de qualquer fã de Thrash Metal que se preze. Longa vida ao Kreator.

Coma of Souls – Kreator

Data de lançamento – 06/11/1990

Gravadora – Noise Records

Faixas:

01 – When the Sun Burns Red

02 – Coma of Souls

03 – People of the Lie

04 – World Beyond

05 – Terror Zone

06 – Agents of Brutality

07 – Material World Paranoia

08 – Twisted Urges

09 – Hidden Dictator

10 – Mental Slavery

Formação:

Mille Petrozza – Vocal/ Guitarra

Ventor – Bateria

Frank Blackfire – Guitarra

Rob – Baixo