Há 21 anos, em 31 de agosto de 2004, o Lamb of God lançava “Ashes of the Wake“, o terceiro full-lenght (quarto se considerarmos o álbum lançado em 1999, quando a banda ainda se chamava Burn The Priest). E é claro que o play é tema do nosso Memory Remains deste domingo.
Se a banda já havia mostrado evolução no disco anterior, “As The Palaces Burn“, aqui em “Ashes of The Wake“, a evolução se mostra ainda mais nítida. É um álbum tão raivoso quanto o anterior, porém, muito, mas muito mais técnico. E não estou falando mal do disco que antecedeu, pois ele foi por muito tempo, o favorito deste redator que vos escreve.
Então eles juntaram ao produtor Machine e as gravações se dividiram em dois estúdios: “Water Music Studios“, em Hoboken, New jersey e no “Sound of Music“, em Richmond, “fucking Virginia”, como costuma bradar Randy Blythe nas apresentações ao vivo da banda. O disco foi lançado pela “Epic Records” e é dotado de muito peso e fúria reunidos em uma pequena bolacha.
Bolacha essa que começa arrasadora, nas primeiras seis músicas. Sim, é petardo atrás de petardo, sem piedade. Os caras seguem raivosos em suas composições. Algumas letras tratavam de temas atuais à época: a faixa título, “Now You’ve Got Something to Die For“, “One Gun“, “The Faded Line“, tratam da guerra do Iraque, um pretexto arranjado pelo ex-presidente dos EUA, o lunático George Walker Bush, para invadir o território alheio em busca de petróleo. E se pensarmos bem, elas seguem atuais até hoje.
A bolacha tem 52 minutos e onze canções, algumas que se tornaram clássicas e obrigatórias nos shows do Lamb of God, como as já citadas “Now You’ve Got Something to Die for” e “The Faded Line“, além dos hinos “Laid to Rest“, “Omerta” (esta costuma abrir as apresentações da banda) e também “Hourglass“. Ainda que seu sucessor, “Sacrament” seja o álbum mais bem sucedido comercialmente, “Ashes of the Wake” é, de longe, o álbum mais consistente da banda.
Nosso aniversariante tem dois convidados de peso: Alex Skolnick, guitarrista do Testament, que na última semana passou pelo Brasil, e Chris Poland, ex-Megadeth gravaram os solos da música “Ashes of the Wake“, o que enriqueceu ainda mais a qualidade do play, que traz as já habituais performances da dupla de guitarristas Willie Adler e Mark Morton, duas máquinas de riffs, e também o cavalar Chris Adler, cujas linhas de bateria dão trabalho até hoje ao seu sucessor, o não menos competente Art Cruz.
Inevitáveis algumas comparações com o Pantera, a banda que popularizou o Groove Metal. Apesar dos muitos elementos similares no som de ambos, porém, o quinteto de Richmond não faz muito uso dos solos em suas músicas. E por vezes soa mais brutal, pelo fato de ter dois guitarristas e um baterista que é sensacional (sem querer tirar os méritos dos irmãos Abott, uma vez que eles deixaram um lindo legado, que estão tentando apagar com essa reunião fajuta que Phil Anselmo tem feito, usando o nome do Pantera).
Algumas conquistas de “Ashes of the Wake” foram, alcançar o 27º lugar da parada da “Billboard“, vendendo 35 mil cópias somente na primeira semana de lançamento; além disso, o disco foi eleito o 49º melhor trabalho de guitarra de todos os tempos pela revista “Guitar World”. E foi na turnê deste álbum que a banda acabou lançando seu vídeo oficial, chamado “Killadelphia“.
“Ashes of the Wake” é um disco Indispensável na coleção do fã que curte um trampo pesado, brutal e ao mesmo tempo bem trabalhado e sem guitarristas fritando. Hoje é dia de celebrar esse discaço e desejar longa vida ao Lamb Of God, que segue pesado e letal. A banda foi uma das que participaram do Back to the Beginning, o show que marcou a despedida de Ozzy Osbourne dos palcos, e chamou atenção o discurso de Randy Blythe, antes da execução de “Children of the Grave”, quando ele mostrou porque é o único integrante da banda que não tem medo de se posicionar e mostrou que entendeu que o Heavy Metal precisa ser contestador sem ser reacionário, ao contrário do antivax Willie Adler e do isentão Mark Morton.
Ashes of the Wake – Lamb of God
Data de lançamento – 31/08/2004
Gravadora – Epic
Faixas:
01 – Laid to Rest
02 – Hourglass
03 – Now You’ve Got Something to Die For
04 – The Faded Line
05 – Omerta
06 – One Gun
07 – Blood of the Scribe
08 – Break You
09 – What I’ve Become
10 – Ashes of the Wake
11 – Remorse of The Dead
Formação:
Randy Blythe – vocal
Willie Adler – guitarra
Mark Morton – guitarra
John Campbell – baixo
Chris Adler – bateria
Participações especiais:
Chris Poland – guitarra solo em “Ashes of the Wake”
Alex Skolnick – guitarra solo em “Ashes of the Wake”