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Memory Remains: Led Zeppelin – 46 anos de “Psysical Graffiti” a maturidade alcançada no álbum mais aclamado do quarteto

Outro aniversariante do dia é esse classicão do Led Zeppelin e que atende pelo nome de “Physical Grafftti”. Considerado por muitos como a obra prima do grupo, ele não poderia ficar de fora do Memory Remains.

O fato curioso deste álbum é que as músicas começaram a ser gravadas no ano de 1970, cinco anos antes do lançamento oficial. A produção do álbum em si se iniciou em novembro de 1973. É o primeiro álbum lançado pelo selo criado pela própria banda, a Swan Song.

Das quinze músicas que fazem parte deste álbum, lançado na época como um vinil duplo, sete foram gravadas antes do período de produção, incluindo a faixa “Houses of the Holy”, que foi o título do álbum anterior. Eu desconheço um caso em que uma banda tenha gravado uma canção com o mesmo nome de um álbum, mas que tenha lançado tal música em um álbum subsequente.

Os estúdios utilizados para a gravação do homenageado de hoje foram: Headley Garage, Ronny Lane’s Mobile Studios, Olympic Studios, Island Studios. A mixagem se deu no Olympic Studios e também Electric Lady Studios e a produção foi assinada por Jimmy Page. Vamos destrinchar as faixas do play. Elas são muitas e o play é bastante longo.

Custard Pie” abre os trabalhos e temos uma pegada bluesy onde o baixo de John Paul Jones faz toda a diferença e sonoridade suja da guitarra de Jimmy Page também brilha. Excelente abertura. “The Rover” abre o leque musical do quarteto para o progressivo em uma música que faz o ouvinte viajar no som simplesmente espetacular que foi tirado aqui. Destaque para o belo solo de um Jimmy Page inspirado.

In my Time of Dying” com sua sonoridade Southern/ bluesy e um ótimo som tirado por Jimmy Page e sua steel guitar, é outra música que mantém o nível do disco acima da ionosfera. No meio, a música ganha mais velocidade e chegou a vez de John Bonham brilhar com sua pegada precisa. É a faixa mais forte do play com seus onze minutos que não soam pedantes em nenhum instante. Se o caro leitor está no vinil, é a hora de virar a bolacha, que abre com “Houses of the Holy”, aquela canção que foi gravada nas sessões do álbum antecessor, com o mesmo nome, mas que acabou entrando aqui. E nesta faixa a banda aposta no bom e velho Rock and Roll setentista.

Jim Marshall/Warner Music

Trampled Under Foot” é a faixa que vem a seguir e mantém a aposta no Hard Rock com bons riffs que causam hipnose no ouvinte. Os sintetizadores dão as caras por aqui com John Paul Jones. Fechando o primeiro disco, temos a clássica “Kashmir”, que dispensa maiores apresentações. Com seu clima denso, e embalada pelo órgão de John Paul Jones, é um verdadeiro clássico da banda. Vale lembrar que o Angra já prestou homenagem à banda tocando essa música.

Pegando a segunda e derradeira bolacha que compõe esse duplo, temos “In the Light” com seus quase nove minutos de duração e um início pra lá de psicodélico, com o sintetizador de John Paul Jones em uma intro interminável. E a medida em que se desenvolve, o Progressivo toma conta, com diversas mudanças interessantes em seu andamento.

Bron-Yr-Aur” é a mais curta faixa do disco e se resume a um belo dedilhado de Jimmy Page em seu violão. E logo chega “Down by the Seaside”, uma faixa onde a banda flerta com o country num primeiro momento. A música ameaça crescer e entrar no Rock and Roll, mas fica só na ameaça, o que prevalece é o clima bem calmo, que nos faz imaginar em umugar distante, no campo.

Ten Years Gone” mantém a calmaria que tomou conta do álbum, com destaque para um belo solo de guitarra de Jimmy Page. Hora de virar o disco para a parte final e o lado 4 tem cinco músicas que não ultrapassam os cinco minutos. A começar com “Night Fight” e sua pegada mais folk. Interessante. “The Wanton Song” tem riffs fantásticos e um John Bonham inspiradíssimo em sei kit de bateria em um Rock and Roll visceral, enquanto que “Boggie With Stu” traz o Led Zeppelin tocando o Rock and Roll dos primórdios e trazendo uma participação especial no piano que domina a música: Ian Stewart.

Black Country Woman” tem um início bem folk com a viola de Page acompanhando a voz de Plant, mas depois que John Bonham entra com sua bateria, a coisa vita um ótimo Rock clássico. E o ato final se dá com a certeira “Sick Again”, onde os ótimos riffs de Page conduzem as coisas ao final e da melhor maneira possível.

E assim temos 15 músicas distribuídas em 4 lados na versão vinil, em dois discos na versão em CD, totalizando mais de 1 hora e 20 minutos. Um tempo relativamente longo para um álbum, é bem verdade, mas não é um álbum qualquer e sim um verdadeiro clássico de uma das maiores bandas de todos os tempos. A rapaziada dessa nova geração tem preguiça de escutar um disco inteiro, mas quem se arriscar a fazê-lo aqui, certamente não se arrependerá.

Physical Graffiti” foi aclamado pela crítica e público, chegando rapidamente ao topo da Billboard, onde permaneceu por seis semanas nesta posição. Sempre citado entre os maiores discos de todos os tempos, ele faz parte da lista dos 200 álbuns definitivos do Rock and Roll of Fame, além de ocupar a posição de número 70 na lista dos melhores álbuns de todos os tempos da revista Rolling Stone.

Outro fato curioso é que o homenageado do dia quando lançado, alavancou os álbuns antecessores do Led Zeppelin, fazendo com que a banda entrassem para a lista dos 200 álbuns mais ouvidos. Vendeu mais de 8 milhões de cópias apenas nos Estados Unidos e ganhou 16 discos de platina neste país, dois de platina no Reino Unido, além de ouro na Argentina, Alemanha e França.

Na época do lançamento, além do primeiro lugar na Billboard, Physical Grafitti alcançou o topo no Canadá e Reino Unido, 2° na França, Áustria, Austrália e Espanha, 3° na Nova Zelândia e 4° na Noruega. São números que mostram o quão gigante é esse play e deixa explícito o quão influenciador ele é. É de fato o trabalho onde a banda demonstra a sua total maturidade musical.

Hoje não temos mais a banda em ação, mas temos o seu legado para todos os apreciadores do bom e velho Rock and Roll. O Led Zeppelin foi e sempre será lembrado por toda a colaboração para que o estilo se tornasse o que é hoje. Tanto isso é verdade que várias são as bandas que bebem na fonte deste quarteto, isso quando não a copiam descaradamente, como é o caso do Greta Van Fleet. Ao menos eles copiam o que temos de melhor. Vamos celebrar esse fuscão, porque ele merece.

Physical Graffiti – Led Zeppelin

Data de lançamento – 24/02/1975

Gravadora – Swan Song Records

Faixas:

01 – Custard Pie

02 – The River

03 – In my Time of Dying

04 – Houses of the Holy

05 – Trampled Under Foot

06 – Kashmir

07 – In the Light

08 – Bron-Yr-Aur

09 – Down by the Seaside

10 – Ten Years

11 – Night Flight

12 – The Wanton Song

13 – Boogie With Stu

14 – Black Country Woman

15 – Sick Again

Formação:

Jimmy Page – guitarra/ violão/ steel guitar

Robert Plant – vocal/ harmônica/ cravo

John Paul Jones – baixo/ órgão/ piano/ sintetizadores

John Bonham – bateria/percussão

Participação especial:

Ian Stewart (em Boogie With Stu)