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Memory Remains: Led Zeppelin – 52 anos de “Led Zeppelin II”, sucesso de vendas e influência para gerações

O Memory Remains desta sexta-feira vai falar sobre “Led Zeppelin II“, um dos discos mais importantes e influentes do Rock em geral, que completa 52 anos de lançamento na presente data.

A banda mal havia lançado seu aclamado disco de estreia e já estava preparando novo material. O quarteto se reuniu por diversos estúdios na Inglaterra e nos Estados Unidos entre os meses de janeiro e agosto de 1969. Tal como o Black Sabbath, em menos de um ano, eles também já tinham dois álbuns na discografia.

Considerado por muitos como o trabalho mais pesado e influente da banda, “Led Zeppelin II” é caracterizado por uma sonoridade mais complexa, como iremos observar mais abaixo ao comentarmos faixa a faixa e por isso acabou ganhando maior notoriedade do que o seu antecessor.

A explicação para a utilização de diversos estúdios é bem simples: a banda estava fazendo a turnê de seu disco de estreia e eles aproveitavam os momentos livres para escrever e gravar as músicas. O baixista John Paul Jones disse em entrevistas que a maior parte do material contido neste álbum veio de improvisações que Jimmy Page fazia no palco durante o solo da música “Dazed and Confused” e depois das apresentações, todos tentavam lembrar o que foi feito no palco para gravar e assim o álbum foi sendo concebido. Page também deu sua explicação sobre o processo de composição e gravação do álbum:

“Em outras palavras, parte do material surgiu enquanto reuníamos novos sons e ensaiávamos para a próxima turnê.”

Como foi um disco produzido com a banda na estrada, obviamente nem todos os estúdios tinham recursos para suprir as necessidades da gravação; por exemplo, um local utilizado em Vancouver, Canadá, foi creditado como uma cabana e não como um estúdio. Não havia uma mesa de som com mais de 8 canais e sequer havia suporte para que os músicos pudessem utilizar headphones. E se pararmos para analisar, uma gravação precária em alguns momentos, resultou nesse trabalho magnífico, imaginemos como seria se a banda tivesse parado em um bom estúdio, com tempo para fazer e refazer tudo até a perfeição.

Sobre esse louco processo de composição, Robert Plant também deu uma declaração. Aspas para o vocalista:

“Foi realmente uma loucura. Compúnhamos em quartos de hotel, gravávamos a faixa de ritmo em Londres, adicionávamos os vocais em Nova Iorque, a gaita em Vancouver e, por fim, fazíamos a mixagem em Nova Iorque.”

O trabalho contou com a participação de Eddie Kramer na engenharia de som e também na mixagem. Kramer havia trabalhado com Jimi Hendrix e havia impressionado todos no Led Zeppelin, em especial, Jimmy Page e o cara fez tudo acontecer aqui no aniversariante do dia.

Vamos colocar a bolacha para rolar, a abertura se dá com um clássico, “Whole Lotta Love” e seu psicodelismo aliado ao peso. Tudo aqui é perfeito: a guitarrada de Jimmy Page, as batidas frenéticas de John Bonham. Essa é a minha música preferida do Zeppelin. “What is What Should Never be” tem um clima bem Southern Rock, onde se destaca o baixo consistente de John Paul Jones.

The Lemon Song” e seus mais de seis minutos nos brinda com uma pegada bluesy, que ganha velocidade durante o belo solo de Page, retomando seu estilo inicial para depois encerrar com outro solo e o compasso acelerado novamente. Excelente canção. “Thank You” encerra o lado A do vinil em uma canção com influências folk e um John Bonham com viradas sensacionais, que parecem não combinar muito com o ritmo da música, mas deixou o som ainda melhor.

O play prossegue com os belos riffs de guitarra de Page e o baixo pesado de John Paul Jones em “Heartbreaker“, que algum desavisado poderá até confundir com Black Sabbath, porém, aqui, a sonoridade é mais limpa, mas tão boa quanto a dos inventores do Heavy Metal.

Jim Marshall/Warner Music

Living Loving Maid (She’s Just a Woman)” é um belo Rock and Roll pra ninguém botar defeito e embora ela seja bem curta, menos de três minutos, tem algumas mudanças interessantes em seu andamento. “Ramble on” já traz a veia experimental que a banda carregaria consigo durante sua carreira. As estrofes mais puxadas para o folk e o refrão ganhando um pouco de peso.

Moby Dick” é uma canção instrumental psicodélica e alucinante, que conta com solo de bateria de John Bonham e belos riffs de Page. A música é inspirada no romance homônimo do escritor Herman Melville. Ela também é conhecida pelo nome de “Over the Top“. Sensacional. E “Bring It on Home” é o ato final do play e traz de volta a mistura de estilos: temos blues, folk, Southern, e, claro, Rock and Roll, com direito a uso de gaitas que antecedem a sonzeira que Page tira de sua guitarra, dando ao álbum o final que ele merece, épico.

Em 41 minutos temos um play versátil, onde o peso do Rock se funde com outros estilos, dando a obra uma forma única e visceral. Após o lançamento, a banda saiu em turnê que se iniciou em janeiro de 1970 e se estendeu até dezembro de 1971. Um desses shows, em Londres, foi especial e causou nervosismo em Jimmy Page: a razão? Nomes como John Lennon, Eric Clapton e Jeff Beck estavam entre o público e a responsabilidade era grande. Tal apresentação foi filmada e trechos dela foram incluídas no DVD duplo lançado pelo Led Zeppelin, no ano de 2003.

O álbum vendeu 400 mil cópias logo de cara e em abril de 1970 as vendas já ultrapassavam a marca de 3 milhões de cópias vendidas. Nos charts, a banda alcançou o topo da “Billboard 200“, batendo ninguém menos do que o clássico “Abbey Road“, dos Beatles; a primeira posição também foi repetida na Alemanha, Canadá, Espanha, Austrália e no Reino Unido, sendo que neste último, o álbum permaneceu por 138 semanas consecutivas na lista. O álbum chegou ao 2° na Noruega, 3° na França e 8° no Japão. Foi certificado com Disco de Ouro na Argentina e na Áustria, duas vezes Ouro na França; na Alemanha recebeu Platina; na Austrália e no Reino Unido foi 4 vezes Platina, 9 vezes Platina no Canadá e 12 vezes Platina nos Estados Unidos. É o terceiro disco da banda que mais vendeu na terra do Tio Sam, ficando atrás somente de “Physical Graffiti” e de “Led Zeppelin IV“. É um baita feito

Temos um excelente álbum que vai envelhecendo cada vez melhor e que deixa o rico legado do que foi o Led Zeppelin, banda que inspirou e inspira ainda as gerações. Para quem reclama por exemplo que o Greta Van Fleet copia a banda de Page e Plant, eu vos digo: melhor que eles copiem o Led Zeppelin do que copiar por exemplo, o Coal Chamber, não é mesmo? Então hoje é dia de botar o “Led Zeppelin II” para tocar bem alto, principalmente se você tiver um vizinho com péssimo gosto musical.

Led Zeppelin II – Led Zeppelin
Data de lançamento – 22/10/1969
Gravadora – Atlantic

Faixas:
01 – Whole Lotta Love
02 – What is What Should Never be
03 – The Lemon Song
04 – Thank You
05 – Heartbreaker
06 – Living Loving Maid (She’s Just a Woman)
07 – Ramble on
08 – Moby Dick
09 – Bring It on Home

Formação:
Jimmy Page – guitarra/ backing vocal/ teremim em Whole Lotta Love
Robert Plant – vocal/ harmônica
John Paul Jones – baixo/ órgão
John Bonham – bateria/ tímpanos