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Memory Remains: Metallica – 3 décadas do “Black Album” e a explosão no mainstream

 

O que o caro leitor fazia em 12 de agosto de 1991? Já era nascido? Já curtia Heavy Metal? Xingava o Metallica por ter lançado um disco “comercial demais”? Ou nem sequer havia nascido? Pois bem, em 12 de agosto de 1991 a banda lançava o seu mais bem sucedido álbum (comercialmente). O tema do nosso Memory Remains de hoje é o álbum autointitulado, ou simplesmente “Black Álbum” ou “Álbum Preto”, quase ninguém chama o disco pelo seu nome oficial.

Naquela data, este redator que vos escreve era um pré-adolescente e nem sequer fazia ideia do que era o Metallica, apesar de já escutar Rock e de ser telespectador assíduo da MTV, que na época passava na TV aberta e tinha em bandas como Guns ‘N’ Roses, Faith no More e Red Hot Chilli Peppers como sendo as estrelas do momento, além das bandas do movimento grunge de Seattle que emergiam. Confesso que só tomei conhecimento do quarteto californiano anos mais tarde e foi através do aniversariante do dia.

O disco tem um grande marco: o Thrash Metal executado pela banda nos quatro primeiros álbuns é sumariamente deixado de lado, e eles demorariam para voltar a praticá-lo, mas nem de longe nada que se assemelhasse aos grandes clássicos dos anos 1980. Aqui o som continua a soar pesado, mas pela primeira vez, a produção era caprichadíssima. A intenção era agradar aos fãs antigos e angariar novos fãs. A segunda tentativa foi bem mais sucedida, tendo em vista que a banda alcançou as rádios e a MTV, tendo mais visibilidade E os créditos são para Bob Rock, goste você ou não deste play, é inegável o up que a banda deu em termos de produção aqui neste play.

O curioso é que Bob Rock não era cotado para produzir o play; em princípio ele seria apenas o responsável pela mixagem. Mas James e Lars ficaram impressionados com seu trabalho na produção do álbum “Dr. Feelgood”, do Mötley Crue. Aspas para Lars:

“Sentimos que temos a melhor gravação dentro de nós e Bob pode nos ajudar a torná-la real.”

Black álbum marca também com o fato de a banda sempre incluir uma faixa instrumental em seus discos e tem letras mais pessoais, como por exemplo, “The God That Failed”, que fala da morte da mãe do vocalista em decorrência de câncer e da sua recusa ao tratamento médico, preferindo esperar pela ajuda divina. E qualquer semelhança com um certo país da América do Sul que durante a pandemia do novo Coronavírus prefere refutar a ciência, amparados pelo slogam piegas de “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos,” preferindo esperar pela ajuda divina, não é mera coincidência. “Nothing Else Matters” trata da relação do frontman com uma namorada, enquanto este estava em turnê com a banda.

Outro marco (ou seria a banda se retratando?) é o devido espaço dadoo ao baixista Jason Newsted, pois o que foi feito com o rapaz no álbum anterior foi de um mau caratismo, para ser bem generoso, já que o que ele gravou foi sumariamente ignorado, e a sensação que temos é de que “AJFA” só tem guitarra, bateria e o vocal. E Jason pôde enfim, mostrar que é um excelente músico.

Sobre a capa, completamente negra, apenas com um desenho de uma cobra enroscada, não há uma razão especial. A banda apenas quis que o ouvinte prestasse mais atenção no som do que nas gravuras. Para a gravação, o estúdio seriam o mesmo utilizado no disco anterior: o “One on One Recording Studios”, onde a banda permaneceu entre os meses de outubro de 1990 e junho de 1991, Vamos então discorrer sobre o play.

Enter Sandman” já nasceu clássica. Sua introdução que serve para qualquer iniciante na guitarra (N. do R: este que vos escreve está muita coisa inserida nesta parte) e que cresce na medida em que se desenvolve. Um refrão grudento faz dela uma das maiores músicas do Heavy Metal.

Sad But True” e sua afinação bem baixa, com os riffs sombrios de sua introdução, fazem dela a música mais pesada da carreira do Metallica. E os riffs vão se repetindo nas estrofes provocando uma hipnose no ouvinte. Baita música.

Holier Than You” é uma mescla do Thrash Metal outrora praticado pela banda com toques mais modernos, sem perder o peso, talvez o último suspiro de Thrash Metal da banda. Já “The Unforgiven” é uma balada densa e ao mesmo tempo pesada. Kirk Hammet, por quem eu tenho muitas ressalvas quanto a sua performance (o “cara” das guitarras é mesmo James Hetfield), fez o melhor solo de sua vida. Talvez o único. Essa foi a primeira música da banda que eu escutei, na época minhas fontes de música eram as “rádios rock”, e elas não tocariam “Master of Puppets” nem sob tortura.

Whereaver I May Roam” tem uma introdução influenciada em música árabe, mas logo entra o peso e a música transcorre de forma cadenciada. O disco está bom demais. Outra das minhas favoritas é “Don’t Tread on me”, ainda que James a cante de maneira estranha, meio corrida, em contraste com a música que segue arrastada e pesada demais.

Through the Never” é um baita Metalzão com as guitarras bastante técnicas nas estrofes e um refrão bem épico. “Nothing Else Matters” é uma segunda balada em um álbum do Metallica e o fã true vai bater pezinho, afinal de contas, a banda só pode compôr músicas movidas a palhetadas, segundo estes. Aqui a gente percebe a versatilidade da banda, que alcançaria a sua maturidade musical. Belas harmonias da dupla de guitarristas, James e Kirk, com um belo solo protagonizado pelo frontman.

O quadrado final do álbum conta com quatro músicas bem diferentes entre si: a divertida “Of Wolf and Man”, que tem bons riffs e um refrão grudento; “The God that Failed”, que transmite um clima bastante dramático, ao mesmo tempo que ela soa pesada e densa.

Se em “… And Justice for All”, a banda simplesmente agiu sem o menor respeito pelo recém-chegado Jason Newsted, aqui em “My Friend of Misery” ele é o protagonista, com seu solo na introdução e ajudando a imprimir mais peso enquanto a música se desenrola. É um sonzaço. E o final com se dá com “The Struggle Within”, trazendo Lars Ulrich fazendo sua caixa rufar e a música, se não é a melhor do álbum (NÃO MESMO!), ela não compromete. Seria a última música genuinamente Heavy Metal que a banda escreveria, até “Death Magnetic“, 17 anos depois.

Após 62 minutos, temos um belo disco, mostrando que a banda era capaz de fazer tanto um som mais rápido, agressivo e técnico como os anteriores, quanto mais simples como o que encontramos aqui. É de longe o álbum mais bem produzido da carreira da banda, pode até não ser o melhor e quanto a isso há uma discussão infinita: alguns acham que é “Master of Puppets”, outros como este que vos escreve preferem “Ride the Lightning” e outros preferem o “Kill’em All”.

Metallica”, além de ter colocado a banda no mainstream, obteve diversos resultados: a começar pelo 1º lugar nos mais diversos charts: Austrália, Canadá, Alemanha, nova Zelândia, Noruega, Suíça, Reino Unido e na “Billboard 200”; é o disco de Heavy Metal mais vendido da história, com mais de 25 milhões de cópias e o 27º disco mais vendido da história, contabilizando todos os estilos musicais; foi certificado com disco de Platina por 16 vezes como disco nos EUA, 12 na Austrália, 10 na Nova Zelândia, 5 na Argentina, diamante no Canadá e outras premiações em outros países.

O aniversariante de hoje está em 14º lugar na lista dos 200 álbuns de definitivos elaborada pela Rock and Roll of Fame; em 2003, ficou em 252º lugar na lista dos “500 Melhores Álbuns de Sempre” da revista Rolling Stone e foi eleito o 25º melhor álbum de Metal pela mesma revista; em 1992, ganhou o Grammy Awards pela Melhor Performance de Heavy Metal.

Enfim, por mais que alguns fãs torçam o nariz, o disco não pode de maneira nenhuma ser subestimado. É um bom disco sim e que merece todas as suas conquistas. E ainda que o Metallica esteja longe do que um dia foi, o importante é que temos a banda ainda na ativa e fica a nossa torcida para vê-los novamente em ação tão logo essa pandemia chegue ao final,

Metallica – Metallica

Data de lançamento – 12/08/1991

Gravadora – Vertigo

 

Faixas:

01 – Enter Sandman

02 – Sad But True

03 – Holier Than You

04 – The Unforgiven

05 – Whereaver I May Roam

06 – Don’t Tread on me

07 – Through the Never

08 – Nothing Else Matters

09 – Of Wolf and Man

10 – The God That Failed

11 – My Friend of Misery

12 – The Struggle Within

 

Formação:

James Hetfield – Vocal/ Guitarra

Lars Ulrich – Bateria

Kirk Hammet – Guitarra

Jason Newsted – Baixo