Memory Remains

Memory Remains: Metallica – 40 anos de “Master of Puppets” e a morte prematura de Cliff Burton

3 de março de 2026


Há 40 anos, em 03 de março de 1986, o Metallica lançaria aquele que é considerado por muitos, não só o melhor álbum da banda, mas do Thrash Metal de maneira geral. “Master of Puppets” é o tema do nosso Memory Remains desta terça-feira.

O álbum trava uma batalha com outro peso-pesado, o não menos espetacular “Reign in Blood“, do Slayer, curiosamente lançado também no ano de 1986. Alguns consideram o álbum do Metallica o melhor, outros consideram o do Slayer. A ideia aqui não é criar uma competição entre os discos, pois ambos têm uma importância bastante significativa para o Thrash Metal, para a região da Bay Area, de San Francisco, tanto que anos depois as bandas se juntaram ao Megadeth e ao Anthrax no chamado The Big 4, ainda que a ideia de resumir o Thrash Metal a apenas 4 super bandas seja bastante injusto, pois se a gente enumerar as bandas importantes do estilo, a gente vai chegar em pelo menos 4 dúzias delas. E hoje não é esse o tema em discussão.

A banda vinha de uma baita evolução em seu segundo disco: “Ride the Lightning“, que é o meu preferido da discografia deles, mostrava uma banda bem mais técnica e madura em relação ao debut, “Kill’ em All“, no qual o quarteto emergia de uma maneira agressiva, porém, crua, inexperiente (normal) e por vezes até inocente demais, o que não diminui o mérito e a qualidade do álbum.

Mas os caras se superaram e neste álbum eles juntaram as qualidades dos dois álbuns anteriores, acrescentada da experiência que a banda pegou na estrada e o resultado é essa obra-prima que se tornou o aniversariante do dia e que ajudou a marcar o ano de 1986 como o melhor, disparado, da história do Heavy Metal de uma maneira geral.

A banda então viajou até o país natal do baterista Lars Ulrich, e acompanhada do produtor Flemming Rasmussen, a banda gravou a bolacha, no “Sweet Silence Studios”, na capital Copenhague. A banda já havia trabalhado com o produtor no álbum anterior e resolveu repetir a fórmula que tinha dado muito certo.

Embora não seja um álbum conceitual, as letras de “Master of Puppets” tratam de temas como desonestidade e enganação, coisas que permanecem ainda muito em evidência nos dias de hoje, sobretudo na época em que somos praticamente escravos do mundo digital, é fácil cometer enganar alguém sem deixar rastros, não é mesmo, caro leitor?

Apertando play, “Master of Puppets” traz oito petardos, cada uma mais poderosa do que a outra. Os caras combinaram riffs nervosos e agressivos de músicas como “Battery“, a faixa-título, “Disposable Heroes” e “Damage Inc.”, com outras igualmente pesadas e densas como “The Thing That Should Not Be“, “Welcome Home (Sanitarium)” e “Leper Messiah“, e incluíram a parte erudita de Cliff Burton, que se inspirou na obra “Come, Sweet Death“, de Bach, em “Orion“. É perfeito do início ao fim. 54 minutos de pura magia em forma de Thrash Metal.

Este disco é cultuado por 12 em cada 10 fãs do Metallica e o fã mais radical vai dizer que a banda acabou após este lançamento. Eu não diria isso, eu consigo ainda escutar até o “Load“, porém, depois do “Master of Puppets“, eu concordo que a banda não foi mais a mesma, muito embora ela tenha atingido a sua maturidade musical e de composição no “Álbum Preto”, porém, ali a banda já não fazia mais aquele Thrash Metal que encontramos aqui, puro, cristalino e influenciador.

Crítica especializada e fãs são quase unânimes em apontar o disco como uma obra-prima. A Rolling Stone compilou uma lista dos 100 Melhores Álbuns de Metal de Todos os Tempos, e nosso quarentão ficou na 2ª posição, atrás apenas de “Paranoid“, do Black Sabbath. A Rock Hard fez a sua lista dos 100 Melhores Álbuns de Rock e Metal de Todos os Tempos, e deu ao nosso homenageado a mesma 2ª posição, desta vez, atrás de “Back in Black“, do AC/DC. O álbum figura no livro “Os 1001 Discos que Você Precisa Ouvir Antes de Morrer”, de Robert Dimery.

Nas paradas de sucesso, o disco teve participação bem ativa. Ficou em 3° na Polônia, 4° na Alemanha, 5° na Finlândia, 8° em Portugal, 10° na Austria, 14° na Suécia, 17° na Suiça e nos Países Baixos, 24° na Hungria, 26° na Escócia e Espanha, 28° no Canadá, 29° na “Billboard 200“, 30° na Noruega, 33° na Austrália e Nova Zelândia 41° no Reino Unido, 42° na Irlanda, 65° na Itália, 87° no Japão, 94° na Bélgica e 111° na França. Foi certificado com Disco de Ouro na Itália e Bélgica, Platina na Argentina, Finlândia, Alemanha, Nova Zelândia, Polônia e Reino Unido, além de Oito vezes Platina nos Estados Unidos.

Ozzy Osbourne afirmou certa vez que “Master of Puppets” é o que se fez de melhor no Heavy Metal.” O disco foi eleito pela revista inglesa “Metal Hammer” e pelo site “Music Radar” como o melhor disco do estilo de todos os tempos. A revista “Kerrang!” elegeu o disco como o sétimo maior da história do Heavy Metal.

Apesar da afirmação acima, Ozzy ficou incomodado com a banda em 1986, quando o Metallica ficou encarregado de abrir os shows do Madman nos Estados Unidos. Tudo porque, durante a passagem de som, James Hetfield e companhia costumavam tocar trechos de músicas do Black Sabbath para homenagear Ozzy, que não se sentiu homenageado e sim zombado. Era uma época de tensões entre Ozzy e Tony Iommi, que felizmente terminaram em um final feliz para todos, com direito ao Metallica tocando no Back to the Beginning, o último show de Ozzy Osbourne, que aconteceu em julho do ano passado, em Birmingham.

Em 2006, o Metallica saiu em turnê tocando este clássico na íntegra. Dois anos antes, Dream Theater gravou um disco ao vivo, na qual este clássico fora executado na íntegra. Uma amostra de que mesmo sendo um clássico do Thrash Metal, ele recebeu as merecidas homenagens de uma banda de Progressive Metal. Antes dessa gravação, o DT já havia feito um cover para “Damage Inc.”, contando com a participação do vocalista Mark “Barney” Greenway, do Napalm Death, nos vocais.

Infelizmente, o disco é marcado pela maior tragédia da banda, pois foi durante a turnê de “Master of Puppets” que aconteceu o terrível acidente de ônibus que fez do baixista Cliff Burton vítima fatal, em 27 de setembro de 1986, na Suécia, após o ônibus da banda capotar e o baixista foi ejetado, não resistindo ao acidente. Este fora o último registro de Cliff, que ainda deixou escrito a faixa “To Live is to Die“, esta acabou entrando no álbum posterior, “…And Justice for All“.

Hoje é dia de celebrarmos o mais novo quarentão do Thrash Metal. É uma dádiva ter um disco tão maravilhoso como este lançado no incrível ano de 1986. É inegável que o Metallica fez história com esse disco e segue lotando arenas e influenciando gerações até os dias atuais. Longa vida ao Metallica.

Master of Puppets – Metallica

Data de lançamento: 03/03/1986

Gravadora: Elektra

 

Faixas:

01 – Battery

02 – Master of Puppets

03 –The Thing That Should Not Be

04 – Welcome Home (Sanitarium)

05 – Disposable Heroes

06 – Leper Messiah

07 – Orion

08 – Damage Inc.

 

Formação:

  • James Hetfield – vocal/guitarra
  • Lars Ulrich – bateria
  • Kirk Hammet – guitarra
  • Cliff Burton – baixo