Há dez anos, em 28 de agosto de 2015, o Motörhead lançava “Bad Magic“, o 23° e último álbum da banda que melhor representa o Rock N’ Roll, e que é tema do nosso Memory Remains desta quinta-feira, a última do mês.
Apesar dos problemas de saúde enfrentados por Lemmy, que era diabético e estava passando por um agressivo câncer de próstata, o Motörhead seguia, ou pelo menos, tentava seguir em atividade. Um pouco antes do lançamento do aniversariante, a banda foi uma das confirmadas na edição de 2015 do Monsters of Rock brasileiro, mas, a apresentação que aconteceria em 25 de abril de 2015, não aconteceu em virtude do estado de saúde do líder da banda. Na mesma noite, Ozzy Osbourne também foi atração, naquela que foi uma das últimas, se não a última, em que ambos estiveram juntos em um festival.
O trio gravou o álbum no primeiro semestre de 2015, em três estúdios, todos localizados na Califórnia: NRG North Hollywood, Maple Studios e no Grandmaster. A produção foi mais uma vez assinada por Cameron Webb. O baterista Mikkey Dee falou sobre o processo de composição e gravação do play e iremos reproduzir abaixo:
” […] dessa vez, estávamos em um estúdio de gravação compondo o álbum e, na verdade, todos tocando juntos. Antes, costumávamos ficar em um estúdio de ensaio, compor as músicas e então entrar e gravar uma de cada vez, mas aqui nós meio que gravamos ao vivo, na hora, como tínhamos a música. Costumávamos compor de forma muito espontânea, e este é provavelmente ainda mais espontâneo do que qualquer álbum [anterior] do Motörhead. Mas nós realmente gostamos do álbum. E é um disco muito ao vivo, muito espontâneo. Acho que funciona melhor para nós.”
O guitarrista do Queen, Brian May, foi convidado e participou da gravação, tocando o solo da música “The Devil“. A banda gravou uma versão para “Sympathy for the Devil“, do The Rolling Stones. Aliás, esta música foi gravada por eles atendendo a um pedido do lutador profissional Triple H. Uma outra versão, para “Heroes“, de David Bowie, também foi gravada durante as sessões nos estúdios, mas acabou ficando de fora. Ela foi lançada em 2017, no álbum “Under Cöver“.
Em seu álbum de despedida, o Motörhead nos brindou com o velho e bom Crossover que sempre apresentou. São treze canções e duração de 42 minutos. Os destaques ficam por conta de faixas como “Victory or Die“, “Thunder & Lightning“, “Shoot Out All of Your Lights“, “Electricity“, “Evil Eye“, além da já citada versão para “Sympathy for the Devil“, que o trio conseguiu deixar ainda melhor. Apesar das limitações de Lemmy, a banda estava no auge de sua forma.
A receptividade foi excelente, tanto por parte da crítica especializada, que não poupou elogios à obra, quanto pelo público que abraçou aquela que se tornava o canto do cisne do Motörhead. O desempenho nas paradas de sucesso foi ótimo: alcançou o topo na Áustria, Finlândia e na Alemanha; foi 2° Croácia e na Suiça, 3° na Suécia, 4° na República Tcheca, 7° na Noruega, 8° na Escócia, 9° na Bélgica, 10° no Reino Unido e no Canadá, 12° na Itália, 16° na França e na Hungria, 23° na Espanha, 25° na Nova Zelândia, 32° na Polônia, 35° na “Billboard 200“, 43° na Irlanda e 67° no Japão. Foi certificado com Disco de Ouro na Alemanha.
Em 2016, o álbum foi indicado ao ECHO Award, na categoria “Melhor Álbum de Rock/ Alternativo Internacional” do ano de 2015, mas acabou sendo derrotado para os conterrâneos do Iron Maiden e o álbum “The Book of Souls“. “When the Sky Comes Looking for You” foi a única música deste álbum tocada ao vivo nos poucos shows que o Motörhead fez após o lançamento.
Exatamente 4 meses depois do álbum ter sido lançado, Lemmy veio a falecer. A notícia, embora esperada, deixou os fãs devastados e Mikkey Dee e Phil Campbell não tiveram outra alternativa a não ser anunciar que a banda estava sendo sepultada junto com seu fundador. Ele havia completado 70 anos 4 dias antes de vir a óbito e viveu o Rock N’ Roll como poucos.
O Motörhead não está em atividade, mas isso não significa que o legado da banda se apagou, pelo contrário. Ele segue vivo e nós vamos dando a nossa contribuição para que a chama que Lemmy e seus parceiros ajudaram a difundir em seus mais de 40 anos de existência. Hoje é dia de celebrar “Bad Magic“. Foi uma despedida bastante honrosa para quem fez muito pela música pesada.
Bad Magic – Motörhead
Data de lançamento – 28/08/2015
Gravadora – Motörhead Music
Faixas:
01 – Victory or Die
02 – Thunder & Lightning
03 – Fire Storm Hotel
04 – Shoot Out All of Your Lights
05 – The Devil
06 – Electricity
07 – Evil Eye
08 – Teach Them How to Bleed
09 – Till the End
10 – Tell Me Who to Kill
11 – Choking on Your Screams
12 – When the Sky Comes Looking for You
13 – Sympathy for the Devil
Formação:
Lemmy Kilmister – baixo/ vocal
Phil Campbell – guitarra/ piano
Mikkey Dee – bateria
Participação especial:
Brian May – solo de guitarra em “The Devil“