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Memory Remains: Motörhead – 39 anos de “Iron Fist”, último disco com a formação clássica

Em 17 de abril de 1982, o Motörhead lançava o seu sexto álbum: e “Iron Fist” seria marcado por uma drástica mudança sonora e também por ser o último álbum com “Fast” Eddie Clarke na guitarra, que fazia parte da chamada “formação clássica” do Power-Trio. E o Memory Remains deste sábado vai tratar deste petardo.

Os caras vinham do sucesso de “Ace of Spades“, certamente o maior clássico da carreira e era preciso fazer algo à altura para que a reputação do Motörhead que aquela altura já era imensa, fosse mantida. Mas não foi muito assim que as coisas aconteceram. Não, “Iron Fist” não é um disco ruim, longe disso. mas a produção, que ficou a cargo do guitarrista Eddie, deixou o som muito polido, muito limpo e essa não foi a característica do som do Motörhead. Lemmy dizia que este álbum era “ruim, pior do que qualquer outra coisa que já fizemos.”

E a produção, muito provavelmente foi o fator preponderante para a saída de Eddie da banda. Lemmy também afirmou que ter o guitarrista produzindo não foi uma coisa correta e que a banda não estava pronta para lançar um outro álbum, ao menos naquele momento.

Bem, fato foi que a banda se reuniu em dois estúdios em Londres para gravar o aniversariante de hoje: a maior parte do álbum foi gravada no “Morgan Studios“, enquanto que as faixas “Iron Fist” e “Shut it Down” foram gravadas no “Ramport“, em sessões que ocorreram entre janeiro e fevereiro daquele ano. Vamos então destrinchar faixa a faixa do aniversariante do dia.

A abertura, fantástica, com a faixa título, rápida, numa mistura perfeita entre Punk e Metal. Lembra um pouco a clássica “Ace of Spades“, só que com mais melodia nas guitarras. Muito boa. “Heart of Stones” tem uma pegada parecida com a faixa anterior, porém, mais longa e com riffs que se repetem durante toda a sua extensão, deixando o ouvinte com aqueles sons em sua cabeça durante algum tempo. Uma boa canção.

I’m the Doctor” é bem Rock and Roll e conta com uma sonoridade extremamente limpa, o que é ótimo em alguns casos, mas não propriamente com o Motörhead. Porém, não vamos desprezá-la. “Go to Hell” aposta novamente na fórmula de repetição dos riffs à exaustão, com uma sutil mudança destes durante o refrão, em outra boa música.

Loser” conta com riffs hipnotizantes e aqui “FastEddie Clarke encontrou uma boa timbragem. “Sex & Outrage” traz de volta a veia Rock And Roll do Motöthead, em uma música contagiante. Muito boa. Se você está ouvindo a versão em vinil, é hora de virar o lado e aqui a abertira se dá com “America” tem uma pegada zeppeliana no seu riff principal que abre a música e se repete durante boa parte dela. É também uma música bem densa e conta com um excelente solo de Eddie.

Shut It Down” é ligeiramente rápida e empolgante. Ótima para se ouvir bem alto, aterrorizando seus vizinhos. Já “Speedfreak” traz de volta o baixo inconfundível de Lemmy na intro, e aquela energia que só o Motörhead consegue nos proporcionar no Rock. Excelente. “(Don’t Let’ Em) Grind You Down” é psicosdélica e melódica ao mesmo tempo, ao contrário de “(Don’t Need) Religion“, que é uma espécie de blues com um andamento mais rápido e pesado.

Bang to Rights”, uma das minhas favoritas deste play, fecha a audição com chave de ouro, com riffs muito legais e a batida, mesmo que reta, de PhilthyAnimalTaylor, ficou muito boa. Temos um álbum curto, porém, direto e que se não está entre os melhores da carreira da banda, pode e deve ser muito reverenciado. Polêmicas da produção a parte, é um disco muito bom e consegue captar a energia que a banda sempre teve. Para alguns fãs, em “Iron Fist“, terminava a magia da banda, pois a partir dali, Lemmy trabalharia com outros parceiros.

Iron Fist” foi relativamente bem recebido: Alcançou o 6º lugar nas paradas do Reino Unido, 4º na Noruega, 27º na Alemanha e na “Billboard 200” alcançou a 174ª posição, além, de claro, um lugar especial no coração deste redator que vos escreve e certamente também no coração do caro leitor.

Enfim, essa é a nossa homenagem a este disco e ao legado que o Motörhead deixou para nós, apreciadores da música pesada. E se você também escuta gente morta, junte-se a nós e venha não apenas escutar “Iron Fist”, mas também prestar todas as reverências a estes três caras. Fica a aí a sugestão de som para escutar neste sabadão. Se possível, fique em casa, proteja você e os seus. Em breve tudo isso vai passar e se a gente não tem mais o Motörhead para ver ao vivo, ao menos poderemos futuramente estar em um bar, com os amigos e colocando a banda de Lemmy para tocar em um aparelho de jukebox.

Iron Fist – Motörhead

Data de lançamento: 17/04/1982

Gravadora: Bronze Records

Faixas:

01 – Iron Fist

02 – Heart of Stone

03 – I’m the Doctor

04 – Go to Hell

05 – Loser

06 – Sex & Outrage

07 – America

08 – Shut it Down

09 – Speedfreak

10 – (Don’t Let’ Em) Grind Ya Down

11 – (Don’t Need) Religion

12 – Bang to Rights

Formação:

Lemmy Kilmister – Baixo/ Vocal

Fast” Eddie Clarke – Guitarra

Philthy “Animal” Taylor – Bateria