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Memory Remains: Ozzy Osbourne – 38 anos de “Bark at the Moon”, seguindo a vida sem Randy Rhoads e polêmicas contratuais com Jack E. Lee

Neste 15 de novembro em que comemoramos um dos inúmeros golpes sofridos pelo Brasil, comemoramos também os 38 anos de “Bark at the Moon“, o terceiro disco solo de Ozzy Osbourne, que é assunto do nosso Memory Remains deste feriado de Proclamação da República e nós vamos te contar um pouco da história desse play.

Ozzy havia sofrido um tremendo baque, com a morte prematura do maior guitarrista que já trabalhou com o Madman: Randy Rhoads sofreu um acidente de avião, fruto de um ato inconsequente do piloto que deu carona para Randy dar umas voltas, no estado da Flórida, para onde a banda toda a dirigia para tocar no Rock Super Bowl XIV, onde também se apresentariam o Foreigner, Brian Adams e o UFO. O avião bateu em uma casa, explodindo e matando o guitarrista, aos 25 anos. Ozzy ainda entrou na casa em chamas e salvou um homem, mas não conseguiu salvar seu guitar-hero. Ozzy recrutou Jake E. Lee para o lugar do imortal Randy.

A entrada de Jake rendeu algumas controvérsias: esse é o único disco onde Ozzy é creditado sozinho em todas as músicas, porém, Lee alega que compôs uma boa quantidade das músicas contidas no álbum e que foi enganado pela esposa e empresária de Ozzy, Sharon Osbourne. Ele afirma que depois que terminou as gravações de suas partes, recebeu um contrato de Sharon no qual ele abria mão da autoria das músicas e que só assinou o contrato porque foi coagido por Sharon, que ameaçou colocar outro guitarrista em seu lugar. Anos mais tarde, o próprio Ozzy admitiu que Lee ajudou na composição das músicas, incluindo a faixa titulo.

Apesar desse contratempo, o quinteto, mais o baterista Carmine Appice, se juntou no “Ridge Farm Studios” para a gravação do álbum, sob a batuta do renomado Max Norman na produção. A mixagem ocorreu no “Power Station“. Vamos então, sem mais delongas, destrinchar as oito faixas que compõem o aniversariante do dia.

A faixa título abre o play e é um verdadeiro clássico da carreira do Madman, trazendo bons riffs do estreante Jake E. Lee e boas linhas do baixista Bob Daisley. Esaa é a única faixa que não foi gravada pelo baterista Tommy Aldrige. Carmine Appice fez as partes de bateria e gravou o videoclipe. “You’re no Different” é uma balada onde o teclado tem grande influência e conta também com um belo solo de Jake E. Lee, além de boas harmonias.

Now You See It (Now You Don’t)” é um Hard Rock oitentista, com inclusão de sintetizadores em certo momento dela. “Rock ‘n’ Roll Rebel” possui bons riffs de guitarra e o baixo ajudando a deixar a música um pouco mais pesada. O destaque aqui é o belo solo, que se não lembra o inesquecível Randy Rhoads, ao menos tem suas virtudes. “Centre of Eternity“, que abre a metade final do play, tem um início meio chato, com umas vozes sacras, mas logo ela se revela um Hard Rock com andamento bem rápido e divertido, a melhor depois do faixa título.

So Tired” é uma baladinha que tem mais cara de música clássica, por conta dos teclados de Don Airey. O solo de Jake E. Lee é o que tem a se destacar por aqui. “Slow Down” tem nas guitarras o que mais chega perto do Heavy Metal, mais precisamente da NWOBHM. Uma boa canção. E “Wait for Darkness“, uma música densa e relativamente pesada, encerra bem um disco que tem mais pontos altos do que baixos.

Em 42 minutos temos um disco que se não é tão brilhante quanto os anteriores e se não traz consigo o talento de Randy Rhoads, fez o Madman ter maiores aparições na MTV, o que se certa forma caracterizou a adesão ao modismo musical da época. Ozzy saiu em turnê com o Motley Crue, uma das bandas de Glam Metal que se destacava na época.

Depois do lançamento do álbum, nova controvérsia, assim como aconteceu no disco de estreia, “Blizzard of Ozz“. Um homem canadense, chamado James Jollimore assassinou sua esposa e seus filhos após supostamente ter escutado “Bark at the Moon” e isso motivou os grupos xiitas religiosos e a mídia sensacionalista a perseguirem o Madman, alegando que o disco era satânico e que havia influenciado o homem a cometer tais crimes. Como se alguém fosse virar ladrão de veículos ao jogar GTA ou alguém se tornaria homoafetivo porque viu no gibi o filho de um super-herói beijar outro homem, como afirmaram alguns brasileiros seguidores do atual dublê de presidente.

Bark at the Moon” foi certificado com Disco de Prata no Reino Unido, Ouro na Austrália, Platina no Canadá e triplo Platina nos Estados Unidos. Já nas paradas musicais, o álbum frequentou o 9° lugar na Suécia, 19° na “Billboard 200“, 23° no Canadá, 24° no Reino Unido e 50° na Nova Zelândia. O single Bark at the Moon chegou a posição de número 21 no Reino Unido e 109 nos Estados Unidos.

Hoje é dia de celebrar esse disco e também o grande Ozzy Osbourne, que segue na ativa, tendo inclusive, anunciado recentemente que vai continuar a parceria com Zakk Wylde na guitarra para escrever seu próximo álbum. Desejamos uma longa vida a esse monstro do Rock e um dos pais do Heavy Metal. Que em breve possamos vê-lo em ação nos palcos. Enquanto isso não acontece, vamos colocar esse “Bark at the Moon” para tocar, esse disco que caminha para se tornar um quarentão, com toda pompa.

Bark at the Moon – Ozzy Osbourne
Data de lançamento – 15/11/1983
Gravadora – Epic

Faixas:
01 – Bark at the Moon
02 – You’re no Different
03 – Now You See It (Now You Don’t)
04 – Rock ‘n’ Roll Rebel
05 – Centre of Eternity
06 – So Tired
07 – Slow Down
08 – Wait for Darkness

Formação:
Ozzy Osbourne – vocal
Jake E. Lee – guitarra
Bob Daisley – baixo
Tommy Aldrige – bateria
Carmine Appice – bateria na música e no clip de “Bark até the Moon
Don Airey – teclado