Memory Remains

Memory Remains: Ozzy Osbourne – 41 anos de “Speak of the Devil”, a homenagem e ao mesmo tempo a rixa com o Black Sabbath

27 de novembro de 2023


Há 41 anos, em 27 de novembro de 1982, Ozzy Osbourne lançava o álbum ao vivo “Speak of the Devil“, o primeiro de sua carreira solo e que é tema do nosso Memory Remains desta segunda-feira.

Em um primeiro momento, o aniversariante do dia seria um álbum de estúdio, com músicas inéditas e seria o sucessor natural de “Diary of a Madman“, o qual fez aniversário recentemente e nós também falamos dele. Caso você tenha perdido, poderá ler clicando AQUI. Mas o terrível acidente que tirou a vida de Randy Rhoads mudou completamente os rumos e os planos do Madman, que, inclusive, chegou a cogitar a sua aposentadoria. Ozzy foi convencido a desistir da ideia, recrutou o guitarrista Brad Gillis e seguiu cumprindo a agenda de shows.

Então nos dias 26 e 27 de setembro de 1982, Ozzy fez duas apresentações no The Ritz, em Nova Iorque, e elas acabaram rendendo o nosso homenageado. Entretanto, o Madman optou em não tocar nenhuma música dos seus dois álbuns solo, “Blizzard of Ozz” e o já citado “Speak of the Devil“, e sim fez um setlist totalmente dedicado à sua passagem pelo Black Sabbath. Doze canções que contemplaram praticamente todos os álbuns gravados pela formação original dos criadores do Heavy Metal. A exceção foi o álbum “Technical Ecstasy“, que não teve nenhuma versão levada ao palco por Ozzy.

E por quê Ozzy resolveu gravar um disco com músicas apenas do Black Sabbath? Simples, o contrato de licenciamento de sua ex-banda com a editora havia expirado e com isso, todos os envolvidos se beneficiariam com os royalties. A Jet Records fez um contrato de distribuição das cópias com a CBS, o que iria garantir mais lucro para todos. Outro fator também era a concorrência de Ozzy com sua ex-banda, principalmente porque o vocalista que estava em seu lugar era Ronnie James Dio, seu desafeto. O Black Sabbath estava para lançar seu álbum ao vivo, “Live Evil” e Ozzy queria seu álbum ao vivo nas lojas antes.

A ideia começou a ser discutida antes mesmo da morte de Randy Rhoads, que não gostou da ideia, assim como Tommy Aldridge. Eles conversaram com o baixista Rudy Sarzo, que mesmo sem declinar, optou em se colocar do lado dos colegas de banda. Eles acreditavam que gravar um disco de covers seria um retrocesso profissional, uma vez que todos já estavam estabelecidos como músicos respeitáveis da cena. Todos repassaram a insatisfação para a empresária Sharon, hoje Osbourne. Ela repassou a situação para o seu marido, que ficou furioso. Ainda assim, sua vontade prevaleceu.

Ozzy teria demitido toda a banda, mas estava bêbado e diz não se lembrar do ocorrido. E algumas tensões entre ele e Randy começaram a se tornar mais constantes, com Ozzy coagindo seu guitarrista, dizendo que outros músicos como Frank Zappa e Gary Moore estariam. Dispostos a substituí-lo na gravação deste play. Randy acabou não participando, pois veio a falecer. Antes de chegar a Brad Gillis, foram tentados dois nomes: Bernie Thomé e Vito Bratta, mas as coisas não funcionaram.

Os músicos tiveram apenas cinco dias para ensaiar as músicas que fariam parte do repertório, sendo que foram informados de que ensaiaram sem Ozzy. O clima não era bom, pois todos ainda sentimos muito a perda prematura de Randy. E foi sob esse contexto que o baixista Rudy Sarzo começou a gravar, em segredo com o Quiet Riot. Ozzy apareceu apenas no dia do show, para a passagem de som. Com dificuldade para lembrar das letras, um caderno precisou ser providenciado para que ele pudesse ler e cantar. O caderno ficava em uma cadeira e também uma luminária, que auxiliava o junkie Ozzy a cantar suas próprias canções.

Apesar de todo o desleixo dos músicos na gravação, não dá para chamar de ruim um álbum com faixas da banda que criou essa bagaça chamada Heavy Metal. Clássicos como “Children of the Grave“, “Black Sabbath“, “War Pigs“, “Sweet Leaf“, “Paranoid“, entre outras, estão presentes no play, que tem duração de 70 minutos e na época foi lançado como um LP duplo. Foi considerada a possibilidade de as músicas “Paranoid“, “Children of the Grave” e “Iron Man” serem incluídas no álbum em gravações anteriores, ainda com Randy Rhoads na guitarra, mas a ideia foi abortada.

Na Inglaterra, o álbum foi batizado de “Talk With the Devil”. Nos charts, uma participação bem modesta: 10° no Canadá, 14° na “Billboard 200” e 21° no Reino Unido. Foi certificado com Disco de Prata no Reino Unido, Disco de Ouro no Canadá e Platina nos Estados Unidos. É o único registro do guitarrista Brad Gillis com Ozzy Osbourne. E Rudy Sarzo, se despediu da banda logo depois a gravação do álbum, o que gerou uma rivalidade com Ozzy, culminando em uma agressão sofrida pelo baixista, durante um festival nos Estados Unidos, em 1983.

Speak of the Devil” foi lançado um mês antes de “Live Evil” e acirrou ainda mais a rivalidade entre Ozzy e sua ex-banda. O Black Sabbath iria entrar em uma fase obscura, enquanto que a carreira do Madman só iria crescer mais e mais, ainda que ele abusasse das drogas e do álcool, o que está lhe cobrando um preço alto atualmente.

Hoje é dia de celebrar esse belo álbum. Infelizmente a saúde de Ozzy está bem debilitada, com sua esposa Sharon lamentando o fato de seu marido não depender mais de si mesmo para andar e a lamentável troca de farpas entre o vocalista e seu ex-companheiro, o baixista Geezer Butler. Infelizmente o Madman não deve ter a sua vida prolongada por mais tempo, mas o que podemos fazer é exaltar o legado de um dos pais do Heavy Metal. Escutando esse tributo à banda que criou todo esse estilo que nós amamos.

 

Speak of the Devil – Ozzy Osbourne

Data de lançamento – 27/11/1982

Gravadora – Jet Records

 

Faixas:

01 – Symptom of the Universe

02 – Snowblind

03 – Black Sabbath 

04 – Fairies Wear Boots 

05 – War Pigs 

06 – The Wizard

07 – N.I.B.

08 – Sweet Leaf 

09 – Never Say Die 

10 – Sabbath Bloody Sabbath

11 – Iron Man / Children of the Grave 

12 – Paranoid

 

Formação:

Ozzy Osbourne – vocal

Brad Gillis – guitarra

Rudy Sarzo – baixo

Tommy Aldridge – bateria