Notícias

Memory Remains: Pantera – 21 anos de “Reinventing the Steel”, o canto do cisne em meio as crises de Phil Anselmo com os irmãos Abott

Em 21 de março de 2000, o Pantera lançava aquele que seria seu último álbum. “Reinventing the Steel”, do qual iremos falar no Memory Remains, que hoje vai ser um pouco diferente, pois não vamos fazer a análise das faixas, uma por uma; ao invés disso, faremos um apanhado geral.

Quatro anos após o lançamento de “The Great Southern Trendkill”, o mais brutal álbum da banda e a constatação de que as coisas não andavam bem desde aquele período: se na época do antecessor, Phil Anselmo já se mostrava distante, gravando sua parte de outra cidade e andando em tour bus diferente dos demais membros, mais preocupado que ele estava com seus outros projetos, como o Down e Superjointed Ritual. As coisas não andavam bem e o fim era iminente.

Ainda assim, a banda colhia os frutos do álbum ao vivo, “Official Live – 100% Proof”, que registrou performances da melhor fase do Pantera, aquela que realmente nos interessa, que corresponde aos álbuns lançados a partir do clássico “Cowboys From Hell”. E entre 1999 e 2000, o quarteto foi ao “DWG” e também ao “Chasin Jason Studios”. A produção ficou a cargo dos irmãos Dimebag e Vinnie Paul, com Sterling Winfield atuando na co-produção.

Certamente “Reinventing the Steel” é o menos inspirado dos discos do Pantera. Tal qual os integrantes da banda, eu desconsidero a fase Glam. Mas é um disco honesto e tem alguns bons momentos. Eles tentaram entregar um material justo. Os caras admitiram em entrevistas da época que o título é uma homenagem ao álbum “British Steel”, do Judas Priest, de quem eles nunca negaram influência.

Nas letras, os caras falam sobre si próprios, do passado que eles não faziam nenhuma questão de lembrar, retratado em “Yesterday Don’t Mean Shit”. Em “Godmamn Electric”, há citações para duas bandas que influenciaram não só a eles, mas a muitas: Black Sabbath e Slayer.

Em outras músicas, eles se autoafirmaram, como em “We’ll Grind That Axe for a Long Time”, eles mandam um recado para as bandas contemporâneas que mudaram o estilo para se adaptar às tendências, e “I’ll Cast a Shadow”, falam da influência exercida por eles dentro do estilo. Eles dedicaram o álbum aos fãs, a quem consideravam como irmãos.

Joe Giron

Musicalmente falando, as seis primeiras músicas garantem ao Pantera um bom desempenho, porém, os destaques maiores são para a raivosa “HellBound”, que abre o play com a mesma pegada do álbum anterior, dando uma falsa impressão de que a vibe seria a mesma, “Godmamn Electric”, com seu Groove sensacional, “Revolution is my Name”, que teve videoclipe exibido à exaustão na MTV e foi premiada no Grammy Awards de 2001 como Melhor Performance de Metal, e “Death Rattle”, que é bem nervosa e em certo momento descamba para o Hardcore.

Reinventing the Steel” alcançou a segunda posição na Austrália, terceira na Finlândia, quarta na “Billboard 200” e um oitavo lugar no chart canadense. Além de ter sido certificado com disco de ouro nos Estados Unidos. Conta ainda com a participação de Kerry King, que gravou no Backstage do OzzFest de 1999, o solo da música “Godmamn Electric”. A capa, é bem real, como normalmente eles costumavam fazer. Aqui temos uma pessoa pulando uma fogueira, completamente nu.

É um álbum relativamente curto, são 44 minutos que acabaram sendo os últimos de uma banda que assim como o Sepultura, brilhou na primeira metade dos anos 1990 e que teve a oportunidade de se colocar na linha de frente e quem sabe, até mesmo ser o novo Metallica. Infelizmente, por conta do gênio difícil de Phil Anselmo, que colocava outras prioridades acima de sua banda mais famosa, os irmãos foram perdendo o prazer e deixaram os fãs órfãos, oficialmente em 2003, mas antes mesmo disso, a banda já estava estagnada.

Um final bem amargo para quem protagonizou algumas das melhores performances na cena Metal na década de 1990. Não só os fãs, mas a própria banda também merecia uma vida mais longa. Os irmãos Abott foram tocar a vida, deixando o Pantera para trás e naquele fatídico 8 de dezembro de 2004, um lunático pôs fim a qualquer possibilidade de um retorno do Pantera, quando matou a tiros e de forma cruel, o guitarrista Dimebag Darrell.

Particularmente falando, o Pantera é uma das minhas bandas favoritas e muito embora hoje eu seja um adulto consciente de que algumas das atitudes de Phil Anselmo bem como o gosto pela bandeira dos Estados Confederados que Dimebag estampava em sua guitarra, eles foram uma das bandas que me despertaram interesse pelo Heavy Metal. Me sinto culpado por não ter ido no único show deles na cidade do Rio de Janeiro, em 1995. Em 2001, era esperado um show da banda em São Paulo, tendo o Soulfly como banda de abertura. Mas a crise interna entre Anselmo e os irmãos Abott impediram que esse show se concretizasse. Uma grande pena.

Fica a lembrança e o legado de uma banda que resolveu mudar a sonoridade e o visual, ganhando destaque, com quatro álbuns simplesmente arrebatadores e esse último que não é brilhante, mas não pode ser desprezado. Eles influenciaram uma geração e hoje temos bandas que se inspiram nestes quatro cavaleiros do Texas. Quem os viu em ação, podem se considerar afortunados. Os caras bateram de frente com em uma época que todos diziam que o Heavy Metal estava morto. Não estava, como não está, era só uma crise existencial, que logo o Pantera tratou de colocar panos quentes.

Reinventing the Steel – Pantera

Data de lançamento – 21/03/2000

Gravadora – EastWest

Faixas:

01 – HellBound

02 – Godmamn Electric

03 – Yesterday Don’t Mean Shit

04 – You’ve Got to Belong to It

05 – Revolution is my Name

06 – Death Rattle

07 – We’ll Grind That Axe for a Long Time

08 – Uplift

09 – It Makes Them to Disappear

10 – I’ll Cast a Shadow

Formação:

Phil Anselmo – vocal

Dimebag Darrell – guitarra

Rex Brown – baixo

Vinnie Paul – bateria

Participação especial:

Kerry King – guitarra solo em “Godmamn Electric