Há 26 anos, em 21 de março de 2000, o Pantera lançava “Reinventing The Steel“, o nono e último álbum de estúdio lançado por essa banda que revolucionou a cena Metal da década de 1990 e que é tema do nosso Memory Remains deste sábado.
Apesar do bom momento que a banda vivia, o clima interno já não era dos melhores desde a turnê do álbum anterior, “The Great Southern Trendkill“, onde Phil Anselmo sofreu uma overdose depois do uso excessivo de drogas e o próprio vocalista se afastou dos companheiros, andando em um ônibus separado dos demais músicos. Em 1997, a banda tinha lançado o ótimo álbum ao vivo “Official Live: 101 Proof“, no qual eles concentraram somente as músicas gravadas na década de 1990.
Depois do lançamento, eles se afastaram por um longo tempo, o que gerou rumores sobre a separação definitiva, o que não tardou a acontecer. Mas antes disso, eles se juntaram e começaram a escrever o material do nosso aniversariante. O título, além de ser uma homenagem ao clássico álbum “British Steel“, do Judas Priest, é uma homenagem aos fãs da banda.
As letras de “Reinventing The Steel” têm questões relacionadas à própria banda, como em “We’ll Grind That Axe for a Long Time“, onde eles contam como se mantiveram fiéis aos longo dos anos. Em “Yesterday Don’t Mean Shit“, eles tentam negar o passado, com o visual e a sonoridade Glam Metal. “Goddamn Electric” faz uma citação aos fãs e cita duas grandes influências da banda, como Slayer e Black Sabbath.
A banda se juntou no Chasin Jason Studios, Dalworthington Gardens, Texas, onde o álbum foi gravado entre o final de 1999 e o início de 2000. A produção foi assinada por Vinnie Paul e Dimebag Darrell, contando com a ajuda de Sterling Winfield. Kerry King gravou o solo na música “Goddamn Electric“. O álbum é dedicado à memória de Carolyn Abott, mãe de Dimebag e de Vinnie Paul.
A capa traz a imagem de Dustin Havnen, ex-baixista do Necrophagia e assistente pessoal de Anselmo, pulando em uma labareda, segurando uma garrafa de uísque da marca Wild Turkey. Entretanto, a imagem foi censurada para evitar a violação da marca registrada, além de não fazer propaganda gratuita da bebida em questão.
Dando play na bolacha, “Reinventing The Steel” traz uma banda bem diferente do álbum anterior, pesado, ainda que o clima já não fosse o mesmo de outrora. Temos dez músicas em 43 minutos, com destaques para “Hell Bound“, “Goddamn Electric“, “Yesterday Don’t Mean Shit“, “Revolution is my Name” e “Death Rattle“. Não é um álbum ruim, mas está muito longe dos bons tempos do Pantera.
Da parte da imprensa especializada, as críticas ao álbum foram razoáveis, entretanto, os fãs não gostaram tanto assim do álbum, que é o menos cotado, perdendo em preferência até mesmo para os discos lançados na época do Glam Metal. Ainda assim, nas paradas, “Reinventing The Steel” ficou em 2° na Austrália, 3° na Finlândia, 4° na “Billboard 200“, 8° no Canadá, 10° na Nova Zelândia, 14° na Noruega, 18° na Alemanha, 21° na França, 26° na Áustria, 27° na Suécia, 31° na Irlanda, 33° no Reino Unido, 55° nos Países Baixos e 84° na Suiça. Foi certificado com Disco de Ouro nos Estados Unidos.
A música “Revolution is my Name” foi indicada para o Grammy Awards de 2001, na categoria “Melhor Performance Metal“, quando perdeu para o Deftones com a música “Elite“. Era a quarta vez que a banda estava sendo indicada ao Grammy, todas elas sem conseguir levar a melhor.
O Pantera caiu na estrada e tocou no Ozzfest, onde se apresentou com Ozzy Osbourne, Black Label Society, Queens of the Stone Age, entre outros nomes. Em novembro, a banda cancelou uma nova turnê, pois Anselmo quebrou a costela durante um evento. E aí a banda não se juntou mais, pois em 2001, o vocalista seguiu com seus projetos paralelos, deixando o Pantera em segundo plano, até que, em 2003, cansados de esperar, os irmãos Abott determinaram o fim da banda.
Um ano depois um louco invadiu o show do Damageplan, banda que os irmãos Abott montaram. O plano do sujeito era matar Dime e Vinnie. O guitarrista foi atingido em cheio por um tiro, Vinnie foi salvo pelos pratos de sua bateria que amortizaram os tiros disparados contra ele. A polícia matou o assassino, que era fã do Pantera e entendia que a culpa pela separação da banda era dos dois. E ainda há no Brasil quem acredite que armar as pessoas é a solução. Está ai um grande exemplo de que armamentos nas mãos de qualquer um é desaconselhável.
Durante anos, Anselmo e Vinnie Paul trocaram farpas pela imprensa. O baterista nos deixou em 2018, vitimado por uma parada cardíaca. 4 anos depois, Anselmo e Rex Brown se juntaram, e reativaram o Pantera. Onde quer que estejam, Vinnie Paul e Dimebag Darrell não gostaram nem um pouco disso, ainda que os músicos que estejam em seus lugares sejam Charlie Benante e Zakk Wylde, que era amigo pessoal de Dime.
Hoje é dia de celebrar mais um aniversário deste álbum, que é parte da história de uma das bandas que foram mais importantes na década de 1990, juntamente com o Sepultura e o Machine Head. O Pantera fez história, mas foi a banda que tinha um bilhete premiado de loteria e simplesmente rasgou. A banda segue fazendo shows, para alegria de alguns e tristeza de outros.

Reinventing The Steel – Pantera
Data de lançamento – 21/03/2000
Gravadora – East West
Faixas:
01 – HellBound
02 – Goddamn Electric
03 – Yesterday Don’t Mean Shit
04 – You’ve Got to Belong to It
05 – Revolution Is My Name
06 – Death Rattle
07 – We’ll Grind That Axe for a Long Time
08 – Uplift
09 – It Makes Them Disappear
10 – I’ll Cast a Shadow
Formação:
- Phil Anselmo – vocal
- Dimebag Darrell – guitarra
- Rex Brown – baixo
- Vinnie Paul – bateria
Participação especial:
- Kerry King – guitarra solo em “Goddamn Electric“