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Memory Remains: Rush – 28 anos de “Counterparts” e as brigas de Alex Lifeson com Geddy Lee para que as guitarras voltassem ao protagonismo

Em 19 de Outubro de 1993, o Rush lançava seu 15° álbum de estúdio. “Counterparts” é assunto do nosso Memory Remains desta terça-feira. É sempre um prazer inenarrável falar sobre esse Power-Trio canadense, o maior da história.

Dois anos após “Roll the Bones“, os rapazes retornavam ao estúdio para produzir e gravar mais um disco, para êxtase dos fãs ansiosos por novo material. “Counterparts” marca a transição da sonoridade eletrônica que foi adotada nos anos 1980, da qual alguns torceram o nariz. O Rush não tem um disco ruim, mas, que era muito melhor vê-los de volta ao bom e velho Rock ‘n’ Roll, disso não temos a menor dúvida. O ápice deste retorno seria no disco sucessor deste, “Test for Echo” (1996), mas aqui já temos momentos de peso.

Ainda sobre a sonoridade, mais pesada, eles assumiram que aqui em “Counterparts“, sofreram influência de bandas como o Primus e o Pearl Jam. A primeira banda tocou como banda de abertura na tour anterior e a banda de Eddie Vedder era uma das bandas que estavam emergindo na cena naquele momento. O trio entendeu que as músicas novas deveriam ter uma fusão entre espontaneidade e refinamento. Lee e Lifeson trabalharam arduamente nas composições, enquanto que Neil Peart trabalhou nas letras, como ele sempre fez desde que entrou na banda e assumiu esse papel de letrista.

Em junho de 1992, ao final da turnê de Roll the Bones, os caras tiraram merecidas férias, antes de se reunirem, entre os meses de abril e junho de 1993, em dois estúdios: o “Le Studio“, em Quebec e no “McClear Pathé“, em Toronto. A produção foi assinada por Peter Collins em parceria com a própria banda. Collins voltava a trabalhar com o Rush, após ter produzido os discos “Power Windows” (1985) e “Hold Your Fire” (1987). Durante o período de ensaios e pré-produção, todos ficavam no estúdio durante a semana, retornando para suas casas nos finais de semana para ficarem com suas famílias e voltarem com ideias frescas para a continuidade do processo.

Mas nem tudo foram flores durante este período de produção do aniversariante do dia: a banda enfrentou diversos problemas técnicos, que atrasou Neil Peart em organizar as suas partes. Geddy Lee explicou o que aconteceu. Aspas para ele:

“Ele passou por um período de ensaio massivo; ele trabalha tremendamente duro e é incrível de testemunhar.”

Botando a pequena bolacha temos a clássica “Animate“, que era obrigatória nos shows da banda, com sua pegada mais moderna, com pitadas dançantes e muito agradável de se ouvir, abre o play de maneira sensacional. “Stick It Out” é linda e traz um peso assustador, muito em virtude do baixo de Geddy Lee, que ficou maravilhosamente lindo. Essa música era outra que não podia deixar de ser executada ao vivo. Que início fantástico.

Cut to the Chase” ainda mantém o Rush pesado, o que é muito bom. Mas aqui temos algumas mudanças de andamento que a diferem da faixa anterior, enquanto que “Nobody’s Hero” é uma quase balada, com muita melodia e que dá aquela balanceada que o álbum precisa. Essa era outra faixa que de vez em sempre frequentava o setlist da banda.

Between Sun & Moon” é uma faixa relativamente calma, com todos os elementos do Rush presentes ali. Alien Shore traz a quebradeira da cozinha, aquela altura, com vinte anos de parceria. E assim ultrapassamos a primeira metade do play, na qual os caras passaram com a nota máxima.

The Speed of Love” é aquele Rock Progressivo super agradável do Rush, levemente radiofônico e bom demais de se escutar. “Double Agent” tem o mesmo clima da faixa anterior, porém, a quebradeira da cozinha é ainda maior. A seguir temos a maior performance de um baixista na história da música, na genial instrumental chamada “Leave That Thing Alone”. Neil Peart e Alex Lifeson não ficam atrás e dão um espetáculo a parte, mas os louros são para esse monstro chamado Geddy Lee, o músico mais completo da história. Fazer o que esse cara faz é para quem é diferenciado e ele é demais.

A reta final do play conta com as suaves “Cold Fire” e “Everyday Glory“, duas músicas que agradam muito. Não são poderosas como outras do play, mas não deixam a desejar, como o Rush jamais o fez. E em 54 minutos temos um disco espetacular, onde as guitarras voltavam a ser predominantes, o que agradou muito ao guitarrista Alex Lifeson. Acredito que os fãs também tiveram a mesma sensação. A fase dos sintetizadores foi boa, mas nada como ver o trio tocando Rock de verdade, com a guitarra no talo.

Lifeson constantemente pediu a Lee para não usar nenhum teclado para o álbum, mas Lee os trouxe para o estúdio, o que criou “uma atmosfera imediata”. Lee afirmava que os teclados eram usados no “Roll the Bones” apenas para embelezar as canções e desejava usá-los da mesma maneira para o novo play. Geddy Lee certa vez falou sobre esse “conflito”.

“Mas Alex estava fazendo suposições de que eu queria teclados em todos os lugares. Era uma situação muito volátil.”

Lifeson, por sua vez, disse que os dois tiveram “maiores altos e baixos emocionais” durante a fase de composição do que qualquer outro álbum anterior do Rush e em parte culpou várias “pressões externas” pessoais que não se relacionam com a vida pessoal de nenhum dos dois.

Counterparts” estreou na segunda posição da “Billboard 200“, atrás somente de “VS.“, o segundo álbum do Pearl Jam, que foi coincidentemente lançado na mesma data. No Reino Unido, o álbum alcançou a 14ª posição; na Suécia ficou em 45°; na Alemanha chegou a 47ª posição e na Holanda ficou em 56° lugar. A música “Stick It Out” ficou em 1° lugar durante quatro semanas na categoria “Album Rock Tracks Chart“, da Billboard, e “Leave That Thing Alone” foi indicada ao Grammy na categoria Melhor Performance instrumental de Rock. Não levou, mas merecia muito. O álbum foi certificado com Disco de Ouro nos Estados Unidos e Platina no Canadá.

Enfim, temos um baita disco, onde as insistências de Lifeson para que Lee usasse menos os sintetizadores, levando a banda de volta ao Rock Progressivo que eles faziam nos anos 1970, mas desta vez, com toques de modernidade. Infelizmente, a banda não está mais na ativa e nem há a possibilidade disso acontecer sem Neil Peart entre nós. Mas temos o legado da banda para exaltar e deve ser passado de geração em geração.

Counterparts – Rush
Data de lançamento – 19/10/1993
Gravadora – Atlantic

Faixas:
01 – Animate
02 – Stick It Out
03 – Cut to Change
04 – Nobody’s Hero
05 – Between Sun & Moon
06 – Allen Shore
07 – The Speed of Love
08 – Double Agent
09 – Leave That Thing Alone
10 – Cold Fire
11 – Everyday Glory

Formação:
Geddy Lee – vocal/baixo/ teclado
Alex Lifeson – guitarra
Neil Peart – bateria