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Memory Remains: Rush – 37 anos de “Grace Under Pressure” e o mergulho de cabeça nos sintetizadores

Em 12 de abril de 1984, o Rush lançava o seu décimo álbum de estúdio. “Grace Under Pressure” é a consolidação da nova sonoridade que este Power-Trio de Toronto, Canadá e que é o assunto a ser abordado em nosso Memory Remains desta segunda-feira.

O Rock Progressivo ia dando cada vez mais espaço ao som mais oitentista, com uso constante dos teclados e sintetizadores. Não, não é ruim, até porque nada do que estes caras fizeram chegou a ser abaixo da média, mas foi uma fase que a banda precisou passar por ela para que chegasse à década seguinte de volta ao Progressivo e mais visceral.

No disco anterior, “Signals“, a banda já promovia esta mudança, que foi levemente incorporada no clássico maior da banda, “Moving Pictures“. Era a banda mudando e angariando ainda mais fãs. A turnê terminou no meio de 1983 e entre novembro do mesmo ano e março de 1984, a banda ficou reunida no “Le Studio”, em Quebéc, e desta vez, sem Terry Brown na produção, que acompanhava a banda desde 1975. Para o seu lugar, fora recrutado Peter Henderson, depois de uma procura intensa por alguém para assumir tal posto.

A arte da capa foi toda criada por Hugh Syme, que já estava com a banda desde 1975. O título do álbum foi inspirado em uma citação do romancista americano vencedor do Prêmio Nobel, Ernest Hemingway. O baterista e letrista, Neil Peart, era um ávido leitor e admirador de Hemingway, e gostou da citação “coragem é graça sob pressão”, pois ele pensava que a citação refletia o clima ambiental das sessões de gravação deste. Então ele apresentou a ideia desta citação ao resto da banda, e eles gostaram o suficiente para chamar o álbum “Grace Under Pressure“.

Vamos então destrinchar faixa por faixa do aniversariante do dia: a abertura se dá com a clássica e obrigatória nos shows da banda, “Distant Early Warning“, que traz ainda resquícios do Progressivo, mas agora com os teclados e sintetizadores de Geddy Lee ditando os rumos, em uma sonoridade que nos anos 1990 soou mais pop, radiofônico, acessível. E essa música é muito boa, o que não é uma novidade em termos de Rush.

Afterimage” traz um pouco do que a banda já tinha mostrado na música “Vital Signs“, do álbum “Moving Pictures“: um som com influências do Reggae e também do The Police. Chega a vez de “Red Sector A” e essa é uma das minhas músicas favoritas desta época mais “moderna” do Rush, vamos assim dizer. Mesmo que ela tenha clima de música eletrônica (dos anos 1980, que fique bem claro), mas ela é carregada de um Groove bem legal. Ao vivo ela ficava ainda mais especial. Perfeita.

The Enemy Within” traz mais Reggae sendo incorporado ao seu som e por mais que ela tenha uns riffs de guitarra esquisitos, Geddy Lee dá um show em seu baixo. “The Body Electric” se assemelha e muito com a faixa que abre este álbum, sendo que aqui a música tem mais um clima futurista é uma batida mais intensa protagonizada pelo imortal Neil Peart. E na hora do solo, quem brilha é Geddy Lee e suas perfeitas linhas de baixo.

Kid Gloves” é uma música interessante, embora mostre que na década de 1980, os canadenses estavam mesmo dispostos a se afastar do Rock Progressivo, que lhe deu notoriedade na década anterior. Era como se eles soassem como as bandas de New Wave que estavam em alta naquele momento. Não que seja uma música ruim, mas não era o Rush autêntico.

Red Lenses” traz um resquício da música dos anos 1970, ainda que os teclados e sintetizadores se sejam mais evidentes que os demais instrumentos. “Between the Wheels” encerra um disco cheio de altos e baixos, mas aqui as coisas se encerram por cima, em uma boa música, que tem partes mais sombrias e partes com um andamento um pouco mais rápido.

Grace Under Pressure” foi bem recebido e teve certo sucesso nas paradas, alcançando o 4º lugar no Canadá; no Reino Unido, o aniversariante do dia chegou em 5º e na “Billboard 200“, ficou em 10º. Nos Estados Unidos o disco foi certificado com disco de platina, por ter vendido um milhão de cópias. A revista “Guitar World” incluiu o disco na lista: “Novas Sensações: 50 discos icônicos que definem o ano de 1984”. Obviamente, este álbum não está entre os melhores da carreira da banda, mas todo registro deste maravilhoso e inesquecível trio não pode deixar jamais de ser lembrado. Então, vamos celebrar este play e também todo o legado deixado por estes três gênios, Geddy Lee, Alex Lifeson e Neil Peart. Fique em casa se puder, acompanhando tudo que a HEADBANGERS NEWS prepara para você. Em breve estaremos todos de volta, fazendo nossas coisas e acompanhando nossos ídolos em cima dos palcos.

Grace Under Pressure – Rush
Data de lançamamento: 12/04/1984
Gravadora: Mercury

Faixas:
01 – Distant Early Warning
02 – Afterimage
03 – Red Sector A
04 – The Enemy Within (Part I of Fear)
05 – The Body Electric
06 – Kid Gloves
07 – Red Lenses
08 – Between the Wheels

Formação:
Geddy Lee – Baixo/Vocal/Teclados/Sintetizadores
Alex Lifeson – Guitarra
Neil Peart – Bateria