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Memory Remains: Rush – 41 anos de “Moving Pictures” e o ápice do Power-trio

Memory Remains: Rush – 41 anos de “Moving Pictures” e o ápice do Power-trio

12 de fevereiro de 2022


O ano é 1981 e temos alguns acontecimentos marcantes neste ano: guerra das Malvinas, algumas ditaduras imperando em países da América do Sul, a guerra fria entre EUA e a antiga União Soviética, que culminou no boicote estadunidense aos Jogos Olímpicos de Moscou, mas o grande evento do ano foi o lançamento de “Moving Pictures“, o oitavo da carreira do Rush, que é assunto do nosso Memory Remains deste sábado.

“Moving Pictures” marca o início da transição do som da banda, que nos anos 1980 deixaria um pouco as guitarras do Rock Progressivo de lado, priorizando os sintetizadores e um som mais radiofônico. Porém, essa paassagem se deu com um grandioso disco e nós vamos te contar um pouco da história desse discaço.

A banda vinha do não menos excelente “Permanent Waves”, que recentemente completou mais um aniversário de lançamento, e os caras nem tinham a obrigação de se superar, porém, acertaram em cheio, criando um álbum emblemático e muito importante para toda a cena. Então entre outubro e novembro de 1980, o trio se reuniu no “Le Studio“, em Quebec, na companhia de Terry Brown, que atuou como co-produtor. E assim nasceu o disco mais aclamado do trio, que iremos destrinchar a partir das linhas abaixo:

Temos 40 breves minutos e uma sensação única: um disco que, das sete músicas, as quatro primeiras são simplesmente estupendas. “Tom Sawyer“, com aquele clima lindo, um peso como poucas vezes fora ouvido na sonoridade do Rush, é quem abre os trabalhos e da melhor forma. Os teclados e sintetizadores de Geddy Lee ditam o ritmo, mas a guitarra e a bateria não ficam para trás, assim como o baixo cavalgado que acompanha o solo é cavalar. Abertura melhor não poderia haver. E a lembrança deste redator que vos escreve é do show que a banda fez no Maracanã, no já longínquo ano de 2002, que virou o CD/DVD “Rush in Rio”, foi com esta mesma “Tom Sawyer” que o melhor trio do mundo abriu a apresentação.

Red Barchetta” explora as harmonias e a banda beira a perfeição, com destaque para a dupla Geddy Lee e Neil Peart, essa que foi a cozinha mais entrosada e cirúrgica da história do Rock. A letra fala sobre carros e a música caiu como uma luva no mercado estadunidense.

Se alguém lhe perguntar qual é o maior instrumental da história do Rock, e quiçá da música, responda sem pensar: “YYZ“. Uma música forte e que levantava até defunto quando a banda a executava ao vivo. Novamente, o espetáculo à parte é de Geddy Lee no baixo. E para quem não sabe, o título da música remete ao aeroporto de Toronto, cidade natal dos caras, já que depois de tantas turnês cansativas, a banda se sentia aliviada por estar de volta em casa quando avistava a sigla YYZ em seus bilhetes aéreos. A música nasceu de uma brincadeira entre Neil Peart e Geddy Lee e depois Alex Lifeson entrou na jogada, abrilhantando tudo com seu solo.

Limelight” acalma os ânimos trazendo mais melodia em uma música não menos importante. Um som cheio de clima e competente, com o selo de qualidade do Rush. A letra trata de particularidades de Neil Peart, em que ele tenta entender essa relação entre fã e ídolo. “The Câmera Eye” tem uma longa intro e aqui a banda já dá uma pequena amostra do que se tornaria a sua sonoridade durante os anos 1980, com muitos sintetizadores e um breve afastamento do Rock Progressivo, que abordamos no início deste texto. Em que pese o fato de esta música ser a mais longa do álbum, com mais de 10 minutos.

Aí chega a música favorita de toda a carreira do Rush para este redator que vos escreve: a sombria “Witch Hunt“. Com riffs perfeitos e uma atmosfera perfeita, essa música ganhou meu coração quando eu a conheci no ao vivo “A Show of Hands“. Ao vivo ela fica ainda mais pesada. A curiosidade é que os teclados da intro foram gravados por Hugh Syme, o cara que criou a arte da capa. Aliás, ele trabalhou em todos os álbuns do Rush, a partir do terceiro álbum, “Caress of Steel” (1975).

Vital Signs” fecha o álbum em uma canção mais pop, com flertes com Reggae, principalmente nas guitarras de Alex Lifeson. Não que seja uma música ruim, mas está um pouco só abaixo das demais, sendo até covardia compará-las com as clássicas deste belo disco, ela não faz o disco deixar de ser maravilhoso e merecedor da homenagem de hoje.

Moving Pictures” não só deixou o seu legado, como tem diversas conquistas: alcançou a 1ª posição do “Canadian Albums Charts“; enquanto que na “Billboard 200” e na “UK Albums Charts“, chegou ao 3º posto, Ao passo que a “Kerrang!” colocou o aniversariante do dia na posição número 43 da lista dos “100 Maiores Álbuns de Heavy Metal de Todos os Tempos“; a “Rolling Stone” colocou o disco em 10º lugar na lista dos “Discos Favoritos de Rock Progressivo“; em 2012. A mesma revista elegeu “Moving Pictures” como o 3º maior disco de Rock progressivo de todos os tempos, ficando atrás apenas de “In the Court of king Crimson” e de “The Dark Side of the Moon“, de uns certos King Crimson e Pink Floyd, respectivamente. Este redator discorda desta lista e coloca o homenageado na segunda posição, atrás somente do seu antecessor, “Permanent Waves”, com todo respeito que as duas bandas merecem.

Em 2014, os leitores da revista “Rhythm“, elegeram o aniversariante de hoje como a melhor gravação de bateria da história do Rock Progressivo. E por fim, o livro “1001 Álbuns Que você Precisa Ouvir Antes de Morrer“, do autor Robert Dimery, listou “Moving Pictures” entre estas pérolas. Ainda foi premiado por quatro vezes com o disco de Platina nos EUA e no Canadá, além do disco de prata no Reino Unido. Não é pouco.

A minha relação com “Moving Pictures“: já curtia Rush desde a infância, quando assistia ao seriado “Profissão Perigo“, que poucos conhecem de nome, mas quando falamos o nome do protagonista, Macgyver, todos reconhecem. “Tom Sawyer” era a música tema de abertura do seriado. No final da década de 1990, comprei o CD em uma loja, no bairro de Copacabana, por singelos dez reais. Ainda tenho o disco até hoje e não o negocio em hipótese alguma. Quando tenho tempo, coloco a bolacha no meu aparelho de som, pois a certeza é de 40 minutos de excelente música,

Infelizmente a banda não mais existe e com o falecimento de Neil Peart no mês passado, as chances de um retorno da banda que já eram nulas agora são impossíveis. Então só nos basta levar adiante esse legado e celebrar “Moving Pictures” não somente no dia 12 de fevereiro, mas por todos os dias de nossas vidas. Vamos curtir esse play no volume máximo, sem nos esquecer da necessidade de vacinação e de nos cuidar, para que possamos voltar a assistir aos nossos ídolos que ainda resistem.

Moving Pictures – Rush

Data de lançamento: 12/02/1981

Gravadora: Anthem

Faixas:

01 – Tom Sawyer

02 – Red Barchetta

03 – YYZ

04 – Limelight

05 – The Camera Eye

06 – Witch Hunt

07 – Vital Signs

Formação:

Geddy Lee – Baixo/vocal/Teclados/Sintetizadores

Alex Lifeson – Guitarra

Neil Peart – Bateria

Participação especial:

Hugh Syme – Teclado em “Witch Hunt“