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Memory Remains: Rush – 42 anos de “Permanent Waves” e a consolidação como uma das maiores bandas de Rock Progressivo

Uma semana após a lembrança dos dois anos da morte do grande Neil Peart, de longe, o melhor baterista que o Rock já conheceu, o Rush (e nós também, obviamente), comemora mais um ano de lançamento de um clássico não só do trio canadense, mas também do Rock Progressivo. Uma das maiores dádivas lançadas dentro deste estilo que abraçamos e amamos. Pois bem, caro leitor, o Memory Remains deste 14 de janeiro trata de “Permanent Waves”, o sétimo álbum da carreira desta banda cultuada.

O disco já demonstra uma transição na sonoridade da banda, porém, as guitarras e o lado progressivo ainda falariam alto em determinados momentos. Outra mudança notada foi no conceito deste álbum, diferente dos anteriores que eram mais conceituais, cujas letras eram mais voltadas para a ficção científica, no aniversariante do dia eles optaram por uma roupagem mais direta, sem necessariamente descaracterizar a essência deles, o que faz desta obra ainda mais especial.

Após a conclusão da turnê do álbum “Hemispheres“, na qual a banda tocou por oito meses entre o Canadá, Estados Unidos e Europa e os trabalhos de composição do vindouro álbum se iniciaram ainda em junho de 1979. Assim, o trio se reuniu no “Le Studio“, na província de Quebec, entre os meses de setembro e outubro de 1979, com produção da própria banda em parceria com Terry Brown. Por algum tempo, após a gravação, o guitarrista Alex Lifeson senriu-se inseguro com o disco e evitava ouvi-lo. Ele alegava não ter apresentado nenhuma ideia nova. Obviamente ele viu depois que havia exagerado; Como pode alguém achar ruim um disco que começa com “The Spirit of Radio“, “Freewill” e “Jacob’s Ladder“?

Vamos então sem mais delongas colocar a bolacha para rolar e destrinchar o que se passa nos breves 35 minutos de obra-prima: A abertura não poderia ser melhor, as viradas estupendas de Neil Peart anunciando a clássica “The Spirit of Rádio”. Uma música calma, porém divertida e já com um prenúncio dos sintetizadores que Geddy Lee passaria a utilizar na década de 1980. Perfeita. “Freewill” dá sequência ao clássico play, em mais uma música que se tornou hino. Ela é densa e tem uma atmosfera única. Sem falar no espetáculo que a dupla Geddy Lee e Neil Peart dão na parte antes do solo, brilhantemente estrelado por Alex Lifeson. Por anos ela foi a minha preferida do Rush.

Chega o rock progressivo e denso com “Jacob’s Ladder” e impressiona o peso que Geddy Lee colocou nesta música, o baixo é o instrumento que conduz toda a canção, que é perfeita, não precisava tirar nem colocar nada além do resultado final desta composição. Temos duas músicas com menores pitadas de Rock Progressivo, que são “Entre Nous” e “Different Strings”, que são, podemos dizer, mais acessíveis às rádios. A primeira é bem interessante, levada completamente no violão, enquanto que a segunda é bem melancólica.

Mas o final é épico com “Natural Science”. Com todo respeito que eu tenho pelas bandas gigantes de Rock Progressivo, mas se alguém me pedir para definir o estilo com uma música, a escolhida é essa em questão. Que sonzeira. Geddy Lee usando e abusando de escalas maravilhosas em seu baixo; Neil Peart quebrando tudo com suas viradas. Também temos Alex Lifeson fazendo o seu melhor. Detalhe é que ao vivo ele melhorou o solo nesta música. É de longe uma das mais complexas e completas deste power trio que nos deixa com muitas saudades.

O álbum, embora curto, é certeiro e esse final é o que há para os apreciadores de uma música de excelente qualidade, coisa que poucas bandas na história conseguiram. E o feito do Rush é potencializado pelo fato de serem não três caras, e sim três super heróis. Porque a sonzeira que eles faziam era uma coisa inalcançável para um ser humano comum.

Na época do lançamento, “Permanent Waves” foi muito bem recebido pela crítica e pelos fãs, se tornando o disco de maior sucesso até então. Alcançando o 3º lugar nas paradas em seu país natal e no Reino Unido, além do 4º lugar na “Billboard 200”. Foi certificado pela RIAA com o disco de ouro, por alcançar a marca de 1 milhão de cópias vendidas nos Estados Unidos. Isso com certeza alavancou a banda para grabar seu sucessor, o igualmente fabuloso “Moving Pictures”, mas isso é tema para outra data, quando chegar o aniversário deste clássico.

Nos charts pelo mundo, o álbum ficou em terceiro no Reino Unido, quarto na “Billboard 200”. Na Noruega alcançou a posição de número 21, 26 na Suécia e na Holanda alcançou a posição de número 31. Em 2020, quando do lançamento da edição comemorativa dos 40 anos, o disco chegou a posição de número 47 na Alemanha e 65 na Suíça. O álbum foi certificado com Disco de Ouro no Reino Unido e Platina nos Estados Unidos e Canadá.

Minha relação com este “Permanent Waves” é mais que especial, pois é o meu favorito do Rush. Então nestas ocasiões, fica difícil separar o lado emotivo do analítico e talvez nem seja essa a intenção aqui, pois estamos reverenciando 42 anos de um disco que envelhece cada vez melhor. E como não há a possibilidade de testemunharmos uma reunião da banda, só nos resta escrever e enaltecer o legado deixado por estes monstros do Rock. Hoje é dia de fazer um culto de adoração a esse disco maravilhoso. Se puder, fique em casa. Cude de si e dos seus, a pandemia mais a ainda não terminou e parece ter voltado com ainda mais força.

Permanent Waves – Rush

Data de lançamento – 14/01/1980

Gravadora – Anthem

Faixas:

01 – The Spirit of Radio

02 – Freewill

03 – Jacob’s Ladder

04 – Entre Nous

05 – Different Strings

06 – Natural Science

Formação:

Geddy Lee – baixo/ vocal/ sintetizadores

Alex Lifeson – guitarra/ violão

Neil Peart – bateria