Há 45 anos, em 12 de fevereiro de 1980, o Rush lançava “Moving Pictures“, o oitavo e o mais bem sucedido álbum da carreira do maior power-trio que esse planeta já conheceu e que é assunto do nosso Memory Remains desta quinta-feira.
“Moving Pictures” marca a continuação da transição do som da banda, iniciada no álbum anterior, o não menos excelente “Permanent Waves“. Nos anos 1980 eles deixariam um pouco as guitarras do Rock Progressivo de lado, priorizando os sintetizadores e um som mais radiofônico. Porém, essa paassagem se deu com um grandioso disco e nós vamos te contar um pouco da história desse discaço.
“Permanent Waves”, já havia aumentado a reputação da banda e os caras nem tinham a obrigação de se superar, porém, acertaram em cheio, criando um álbum emblemático e muito importante para toda a cena. Em junho de 1980, eles encerraram uma turnê que passou pelos Estados Unidos, Canadá e Reino Unido e a ideia era gravar um álbum ao vivo. Porém, durante a turnê, algumas novas ideias foram surgindo e eles mudaram os planos, resolveram gravar o aniversariante do dia e o álbum ao vivo acabou sendo o maravilhoso “Exit… Stage Left“, de 1981.
Uma curiosidade é que Geddy Lee utilizou um baixo Fender ao invés do seu conhecido Rickenbacker para gravar esta faixa e o resultado foi ótimo. Ele voltou a utilizar esse mesmo baixo doze anos depois, ao gravar o maravilhoso “Counterparts“.
Sobre “YYZ“, o título da música remete ao aeroporto de Toronto, cidade natal dos caras, já que depois de tantas turnês cansativas, a banda se sentia aliviada por estar de volta em casa quando avistava a sigla YYZ em seus bilhetes aéreos. A música nasceu de uma brincadeira entre Neil Peart e Geddy Lee e depois Alex Lifeson entrou na jogada, abrilhantando tudo com seu solo.
Sobre “Limelight“, outra curiosidade: a letra trata de particularidades de Neil Peart, em que ele tenta entender essa relação entre fã e ídolo, concluindo com sua insatisfação com a fama e a perda da privacidade, tipicamente comum para as pessoas famosas.
Então entre outubro e novembro de 1980, o trio se reuniu no “Le Studio“, em Quebec, na companhia de Terry Brown, que atuou como co-produtor. A música “Red Barchetta” foi gravada em um take só. Eles enfrentaram problemas com os equipamentos no estúdio, o que levou a um atraso de três dias no encerramento das sessões. E assim nasceu o disco mais aclamado do trio, que iremos destrinchar a partir das linhas abaixo:
Dando play na pequena bolacha, o álbum é composto por 7 músicas e aproximadamente 40 minutos de duração. Não faltam clássicos, como “Tom Sawyer“, “Red Barchetta“, “YYZ“, “Limelight” e “Wich Hunt“, além da inusitada “Vital Signs“, onde a banda flerta com o Reggae. Dizer que a audição de nosso aniversariante é agradável, talvez seja subestimar o álbum. O play é a cereja do bolo e pode ser definido como o álbum que melhor define a sonoridade do Rush.
“Moving Pictures” não só deixou o seu legado, como tem diversas conquistas: alcançou a 1ª posição do “Canadian Albums Charts“; enquanto que na “Billboard 200” e na “UK Albums Charts“, chegou ao 3º posto; na Holanda, o álbum alcançou a 19ª posição, 32ª Suécia e 34ª na Holanda. Foi certificado com Disco de Prata no Reino Unido, 4 vezes Platina no Canadá e 5 vezes Platina nos Estados Unidos.
O álbum tem mais conquistas: a revista “Kerrang!” colocou o aniversariante do dia na posição número 43 da lista dos “100 Maiores Álbuns de Heavy Metal de Todos os Tempos“; a “Rolling Stone” colocou o disco em 10º lugar na lista dos “Discos Favoritos de Rock Progressivo“; em 2012. A mesma revista elegeu “Moving Pictures” como o 3º maior disco de Rock progressivo de todos os tempos, ficando atrás apenas de “In the Court of king Crimson” e de “The Dark Side of the Moon“, de uns certos King Crimson e Pink Floyd, respectivamente.
O álbum foi relançado por algumas vezes, sendo a primeira em 1984. Nesta edição, por engano, as primeiras batidas da introdução de “Tom Sawyer” acabaram ficando de fora, fato que foi corrigido depois. Em 1997, o play ganhou uma remasterização digital; em 2011, em comemoração aos 30 anos, foi relançado com dois discos, sendo o primeiro a versão original do álbum e o segundo consistindo em um DVD ou Blu-ray, com o áudio em estéreo, mixado em surround 5.1. Em 2015, “Moving Pictures” ganhou uma versão remasterizada em vinil. E por fim, em 2022, nova edição remasterizada, que conta como bônus um registro da banda tocando ao vivo em Toronto, no ano de 1981.
Em 2014, os leitores da revista “Rhythm“, elegeram o aniversariante de hoje como a melhor gravação de bateria da história do Rock Progressivo. E por fim, o livro “1001 Álbuns Que você Precisa Ouvir Antes de Morrer“, do autor Robert Dimery, listou “Moving Pictures” entre estas pérolas.
Hoje é dia de celebrar “Moving Pictures”, que chega aos 45 muito bem. Vamos curtir esse play no volume máximo, esses três caras merecem todo o nosso respeito, admiração e reverência. Estão todos ansiosos pelos shows que Alex Lifeson e Geddy Lee irão fazer, acompanhados da bateria alemã Anika Nilles. Tomara que eles venham ao Brasil, pois eles sabem o quão dedicados são os seus fãs tupiniquins.

Moving Pictures – Rush
Data de lançamento: 12/02/1981
Gravadora: Anthem
Faixas:
01 – Tom Sawyer
02 – Red Barchetta
03 – YYZ
04 – Limelight
05 – The Camera Eye
06 – Witch Hunt
07 – Vital Signs
Formação:
- Geddy Lee – Baixo/ vocal/ teclados/ sintetizadores
- Alex Lifeson – guitarra
- Neil Peart – bateria
Participação especial:
- Hugh Syme – Teclado em “Witch Hunt“