Há 40 anos, em 30 de agosto de 1985, o Stormtroopers of Death, ou simplesmente S.O.D., lançava seu disco de estreia, “Speak English or Die“, que é tema do nosso Memory Remains deste sábado. Vamos contar um pouco das histórias deste play.
O título é uma frase tipicamente xenófoba utilizada por alguns estadunidenses que rejeitam os imigrantes, principalmente agora com as políticas migratórias adotadas pelo atual presidente de lá, o Donald Trump, aquele que acha que vai conseguir livrar o Jair Bolsonaro de uma condenação. Mas no caso do S.O.D., era somente uma curtição por parte dos integrantes, que eram ninguém menos que Scott Ian, Charlie Benante, Dan Lilker e Billy Milano.
Scott Ian sempre se referiu às letras do aniversariante do dia como sendo “ridículas” e que elas não passavam de piadas internas. Claro que nem todos compreenderam o humor ácido dos caras e hoje certamente eles seriam cancelados pela patrulha do politicamente correto. Certa vez, o guitarrista falou sobre quem os taxou de racistas. Aspas para ele.
“Algumas pessoas pensaram que éramos racistas, e essas pessoas são estúpidas.”
Dan Lilker também falou que as letras eram “somente para irritar pessoas”. Elas continham temas como homossexualidade, mulheres e culturas de outros países. Ou seja, era um projeto completamente despretensioso, que nasceu logo depois que o Anthrax lançou o álbum “Speeading the Disease“, quando Scott Ian desenhou um personagem e deu a ele o nome de Sargent D. Então ele passou a escrever letras inspiradas neste personagem e recrutou os demais músicos para formar uma banda de Hardcore.
Uma vez com a banda formada, eles gravaram uma demo com 63 músicas e fecharam um acordo com a Megaforce Records para gravar e lançar o aniversariante do dia, que foi gravado em três dias e teve a produção de Scott Ian e Alex Perialas. O grande mérito de “Speak English or Die” é o de ter sido um dos primeiros a misturar dois estilos: o Hardcore e o Thrash Metal, formando o que conhecemos hoje como Crossover Thrash.
A música “Milk” traz consigo elementos do que veio a se tornar o blastbeat, que muitos consideram invenção de Charlie Benante. Em uma declaração bastante modesta, o batera recusou este título:
“Se você quer dizer que decidi sentar no meu quarto e inventá-lo, não, não foi assim. A coisa era algo que já existia na cena hardcore de Nova York . há muito tempo, mas não tinha sido usado para outras coisas. A primeira vez que isso realmente aconteceu foi na música ‘Milk’ do SO D, então acho que você poderia dizer que tive muito a ver com isso. Agora muitas bandas estão usando isso e fazendo isso muito bem.”
Das 63 músicas gravadas na demo, o quarteto reaproveitou um terço delas, ou seja, 21. Algumas delas nem chegam a ser músicas, são apenas vinhetas que duram alguns poucos segundos. Algumas músicas se destacaram, como “March of S.O.D.“, “Milano Mosh“, “Cromathic Death” e “Sargent D and the S.O.D.” foram veiculadas no programa Headbanger’s Ball, da MTV dos Estados Unidos. Já a faixa “Kill Yourself“, ganhou uma versão do Lamb of God, quando eles gravaram o álbum de covers “Legion XX“, sob o nome Burn the Priest.
O álbum exerce uma influência muito grande, tanto entre os fãs quanto entre os artistas. Al Jourgensen, líder do Ministry, disse que “Speak English or Die” o inspirou a colocar elementos de Thrash Metal na guitarra de sua banda. Eddie Vedder, por sua vez, já parou Scott Ian por 25 minutos em uma festa para lhe dizer que o play é um de seus favoritos e de como sua vida mudou depois que ouviu o álbum pela primeira vez. O álbum vendeu mais de um milhão de cópias em todo o mundo.
Se na época, poucas pessoas deram importância ao conteúdo lírico, as gerações posteriores começaram a prestar atenção nas letras. Em 2014, Dan Lilker falou se ele se sentia arrependido sobre ter passado dos limites na hora de compôr o álbum:
“Provavelmente teria foi um momento mais difícil só porque as pessoas parecem estar mais tensas agora. No entanto, era o que era, o que significa que é o que é, mas naquela época. E não me arrependo. Talvez pequenos aspectos tenham exagerado com certas letras coisas, mas, novamente, nós realmente não queríamos dizer isso. Talvez se as pessoas perceberem isso, então será mais engraçado.”
A banda saiu em turnê abrindo shows para o Motörhead e o The Plasmatics. Após a turnê, Scott Ian e Charlie Benante voltaram ao Anthrax, Dan Lilker voltou ao Nuclear Assault e Billy Milano formou o MOD, cujo primeiro álbum tem muitas letras escritas por Scott Ian. Após algumas reuniões esporádicas, o lançamento do segundo álbum “Bigger Than the Devil“, eles se separaram e não têm intenção de voltar. Scott Ian havia dito que o projeto era apenas uma brincadeira e que não fazia sentido aquilo virar um trabalho fixo. Em 2018, Dan Lilker se reuniu com João Gordo, Guilherme Martin e Cleber Orsioli e se apresentaram sob o nome de Not S.O.D., tocando o aniversariante do dia em show de abertura para o D.R.I., em São Paulo.
Apesar de as letras parecerem ofensivas, ainda que eles tenham deixado claro que era apenas uma brincadeira (N. do R: de gosto bastante duvidoso, é bem verdade), o fato é que o álbum não pode, nem deve passar em branco. Por isso ele é merecedor da homenagem do dia, o mais novo quarentão da música pesada .
Speak English or Die – S.O.D.
Data de lançamento – 30/08/1985
Gravadora – Megaforce
Faixas:
01 – March of the S.O.D.
02 – Sargent “D” and the S.O.D.
03 – Kill Yourself
04 – Milano Mosh
05 – Speak English or Die
06 – United Forces
07 – Chromatic Death
08 – Pi Alpha Nu
09 – Anti-Procrastination Song
10 – What’s That Noise
11 – Freddy Krueger
12 – Milk
13 – Pre-Menstrual Princess Blues
14 – Pussy Whipped
15 – Fist Banging Mania
16 – No Turning Back
17 – Fuck the Middle East
18 – Douche Crew
19 – Hey Gordy!
20 – The Ballad of Jimi Hendrix
21 – Diamonds and Rust (Extended Version)
Formação:
Billy Milano – vocal
Scott Ian – guitarra
Dan Lilker – baixo
Charlie Benante – bateria