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Memory Remains: Slayer – 38 anos de “Show no Mercy”, a estreia com o pé na porta e influenciado pela NWOBHM

O ano de 1983 revelou ao mundo duas das bandas do The Big 4: Metallica e Slayer. O Memory Remains desta sexta-feira vai tratar do álbum de estreia do Slayer, “Show no Mercy“, que completa hoje 38 anos.

A banda de Tom Araya, Kerry King, Jeff Hanneman e Dave Lombardo foi contratada por Brian Slagel, o fundador da Metal Blade Records. O que chamou a atenção do dono do selo foi ele ter presenciado a banda executando “Phantom of the Opera“, do Iron Maiden. E apesar de ter fechado contrato com o selo, a banda foi obrigada a financiar o seu disco de estreia. E graças ao dinheiro que Tom Araya ganhava em sei emprego como terapeuta respiratório e também a um empréstimo financiado pelo pai de Kerry King, o aniversariante do dia pôde ser concebido.

Ainda distante do Thrash Metal que a consagraria futuramente, o álbum é muito inspirado no Heavy Tradicional, porém com um pequeno detalhe: as letras tratam de temas ocultos, que logo chamaram a atenção da crítica especializada e dos fãs. Algumas das músicas presentes aqui, como “Die by the Sword“, “Black Magic” e “The Antichrist” se tornaram tão importantes que se mantiveram presentes no setlist da banda até os seus últimos dias.

A banda gravou e mixou o álbum em um período de 8 horas, em algum dia de novembro de 1983 e o estúdio escolhido foi o “Track Record Studios”, em Hollywood, Califórnia. A bolacha foi produzida pelos próprios integrantes. A masterização ocorreu no “MCA Whitney Recording Studios“, em Glandale, também no estado da Califórnia. Vamos colocar a bolacha para rolar e dissertar sobre as faixas contidas nesse debut? Vem comigo, no caminho eu te explico.

Temos a abertura com a clássica “Evil Has no Boundaries“, que traz uma pegada bem Speed Metal, diferente da sonoridade que o Slayer atingiria futuramente e com a qual estávamos acostumados. Aqui temos muita influência de NWOBHM e de Judas Priest. Os brasileiros do Korzus fizeram uma versão para essa música. “The Antichrist” é a faixa que sucede e essa é um soco na boca do estômago. Seus riffs matadores empolgam e impressiona como a banda evoluiu e conseguiu melhorar ainda mais a música com o tempo.

Die by the Sword” é outra faixa que melhorou com o tempo, aqui ela é mais puxada para o Heavy tradicional e os riffs já mostram que nascia uma das duplas mais letais nesse sentido: Kerry King e Jeff Hanneman. “Fight Till Death” mantém o disco veloz como o Slayer sempre foi. Claro que quem conhece a banda de seus áureos tempos vai estranhar um pouco, mas os moleques tinham disposição para dar e vender.

Metal Storm/ Face the Slayer” chega e a primeira parte é instrumental, com duração de dois minutos e é bem Heavy, enquanto que a segunda fase já é um esboço do que se tornaria o Slayer nas músicas mais cadenciadas. “Black Magic” é outra que nasceu clássica e novamente os riffs são os destaques em uma música que traz uma pequena influência Thrash, embora ela seja predominantemente uma música mais Heavy.

Tormentor” é bem NWOBHM, novamente mostrando que a banda ouviu muito Judas Priest antes de gravar esse play. “The Final Command” mantém a mesma vibe da faixa anterior. “Crjonics” é menos rápida, mas tem um clima sensacional e bons riffs. E a faixa título traz a bateria do Dave Lombardo rufando na intro e uma música agressiva, que encerra de maneira belíssima esse disco de estreia.

A versão que este redator possui, tem três músicas a mais, que originalmente entraram no EP “Hauting the Chapel“. São elas “Chemical Warfare“, “Captor of Sin” e “Hauting the Chapel“. E as músicas são simplesmente matadoras. Em pouco mais de 40 minutos temos uma estreia sensacional e que mostrava que a banda iria se superar cada vez mais, se destacando como uma das maiores bandas de Thrash Metal da história.

Show no Mercy” é o álbum mais vendido da história da Metal Blade. O selo que vendia em média 5 mil cópias, superou e muito essa média com o aniversariante do dia. Estima-se que foram vendidas entre 15 e 20 mil copias deste play. É um número qur impressiona principalmente por se tratar de um álbum de uma banda iniciante, além de naquele instante, desconhecida. Era o Slayer já fazendo história.

O álbum teve receptividade mista. Enquanto a “Guitar World” classificou o álbum entre os 40 álbuns que definem o ano de 1983 e a “Kerrang!” classificou o álbum em 3° lugar na lista dos dez maiores álbuns de sempre no Metal satânico, Brian Slagel afirmou certa vez que o álbum não foi bem recebido na Europa. As músicas “Evil Has no Boundaries“, “Captor of Sin“, “Tormentor“e “Die by the Sword” fizeram parte da trilha sonora do filme “River’s Edge” (1986). Neste ano de 2021, o álbum alcançou a posição de número 44 nos charts da Alemanha.

Era só o início e o quarteto estreava com o pé na porta. A banda mostraria ainda um poderio mais letal. Quem viu a banda ao vivo nas inúmeras passagens pelo Brasil pôde comprovar tal fato. Essa redator que vos escreve teve a honra de testemunhar a última apresentação da banda em terras tupiniquins, na edição de 2019 do Rock in Rio. É uma banda que deixa saudades e o legado deles está ai para que possamos mantê-lo vivo. É nossa missão.

Show no Mercy – Slayer
Data de lançamento – 03/12/1983
Gravadora – Metal Blade

Faixas:
01 – Evil Has no Boundaries
02 – The Antichrist
03 – Die by the Sword
04 – Fight ‘Till Death
05 – Metal Storm/ Face the Slayer
06 – Black Magic
07 – Tormentor
08 – The Final Command
09 – Crionics
10 – Show no Mercy

Formação:
Tom Araya – baixo/ vocal
Kerry King – guitarra
Jeff Hanneman – guitarra
Dave Lombardo – bateria