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Memory Remains: Testament – 25 anos de “Demonic” e o Death Metal sendo o protagonista

Em 24 de junho de 1997, o Testament lançava “Demonic“, o sétimo álbum da carreira dessa poderosa banda da Bay Area e que é tema do nosso Memory Remains desta sexta-feira, data em que Chuck Billy também faz aniversário, parabéns ao sessentão. Vamos contar um pouco da história desse play que é bastante controverso, mas igualmente pesado.

Não é segredo para ninguém que a década de 1990 não foi muito frutífera para as bandas de Heavy Metal. O Testament também foi afetado por essa crise, que se refletiu nas profundas mudanças na formação: era o terceiro disco seguido com diferentes membros. James Murphy havia deixado a banda, deixando Eric Peterson como o único guitarrista, Gene Hoglan ocupava o lugar deixado por John Tempesta e Derrick Ramirez, que havia sido o primeiro guitarrista, lá nos primeórdios da banda, retornava como baixista. Era o único disco gravado por Gene Hoglan até o ano de 2012, quando ficou por dez anos, sendo substituído por Dave Lombardo.

Confusas essas mudanças no lineup do Testament, não é mesmo, caro leitor? Fato é que a banda se via agora não mais como um quinteto e sim com quatro caras. Quatro foram os produtores: Douglas Hall, Chuck Billy, Eric Peterson e o recém-saído guitarrista James Murphy. Assim sendo, todos foram para Oakland, Califórnia, mais precisamente no Driftwood Studios, entre 1996 e 1997. A mixagem aconteceu no Wire World Studio, no Tennessee e a masterizacão em Nova Iorque, no Sterling Sound. O play também marca a estreia pelo selo Music for Nations. Vamos lá então mais delongas, passear pelas onze faixas contidas aqui.

Logo na faixa de abertura, “Demonic Refusal” a gente percebe a brusca mudança no direcionamento musical, pois o Testament deixou de lado as palhetadas Thrash Metal para colocar mais peso, combinado com o Groove Metal. Talvez, motivados por bandas como Sepultura, Pantera e Machine Head faziam e elas quem estavam na crista da onda naquele momento. O resultado não é ruim, mas é bem diferente vê-los tão pesados e brutais. A faixa número dois, “The Burning Times” tem riffs sensacionais, pesados e cavalgados, que nos remetem ao Sepultura da fase “Chaos A.D.”. Estranho ver o Testament soar tão pesado, mas ao mesmo tempo é bom.

Stephanie Cabral/Divulgação

Togheter as One” tem alguns lapsos de lembranças do  Testament antigo, mas o que prevalece são os riffs cavalares e pesados de Eric Peterson, agora o único responsável pelas seis cordas. Em “Jun-Jun“, o Thrash Metal noventista segue ditando os rumos e temos duelos entre a guitarra de Eric Peterson e a bateria de Gene Hoglan, quebrando tudo. E os caras são bons mesmo, quem teve a oportunidade de vê-los ao vivo como este que vos escreve, sabe que os caras detonam mesmo.

John Doe” é mais arrastadona e conta com alguns elementos experimentais no meio. Em “Murky Waters“, temos um Testament quase Death Metal, em uma música mais rápida e com muita quebradeira por parte de Gene Hoglan. Ainda que os caras tenham colocado uma parte mais arrastada e com bastante Groove, a música não compromete. “Hatred’s Rise” abre a metade final do play e é pesada e tudo mais, mas não empolga. Ainda que seja a primeira música com solo, e um bom solo por sinal.

Distorted Lives” tem bons riffs cavalgados e mantém a banda com um peso jamais visto antes. “New Eyes of Old” tem peso e Groove na medida certa. As palhetadas de Eric Peterson são certeiras e o baixo de Derrick Ramirez também ajuda nesse peso cavalar.

Ten Thousand Thrones” tem uma longa e épica introdução e a música vai se desenvolvendo em um andamento médio, não tão rápido nem tão devagar. Guitarra e bateria vão conduzindo as coisas da melhor maneira. “Nostrovia” é o capítulo final, uma faixa bem curta, menos de dois minutos e muito pesada.

Em 40 minutos temos um Testament muito diferente, soando pesado como jamais visto e o resultado é bem satisfatório. Longe dos bons momentos como por exemplo em “Practice What You Preech” ou “Souls of Black“, foi uma tentativa da banda de fazer um som mais brutal. Apesar de um disco com bons momentos, eles voltariam com tudo no seu disco posterior, “The Gathering“, o qual falaremos em um momento oportuno.

O álbum é dedicado a John Killen, que era um amigo próximo da banda e que morreu de maneira inesperada, de causa desconhecida, suspeita-se de infarto ou derrame. O apelido de Killen era Wood e Chuck Billy e Eric Peterson resolveram batizar o estúdio de ensaio do Testament com o apelido do amigo.

Durante essa fase, Chuck Billy chegou a se candidatar para ocupar a vaga deixada por Max Cavalera no Sepultura, mas na época, Andreas Kisser afirmou em uma entrevista que o vocalista não foi aceito exatamente pelo estilo vocal que o frontman havia adotado e eles queriam alguém que tivesse uma técnica vocal diferente a do fundador. E foi bom Chuck ter continuado somente em sua banda principal, pois assim ele pôde continuar a nos oferecer vasto material por essa que é uma das principais bandas de Thrash Metal.

Enfim, hoje é dia de celebrar esse álbum mais trevosão do Testament, essa banda maravilhosa que segue na ativa, é uma das que sobreviveram imunes a esse vírus maldito e lançando excelentes álbuns. Aliás, já está na hora de sair um novo play. Nós aguardamos ansiosos, enquanto isso, vamos escutando esse “Demonic“. No volume máximo.

Demonic – Testament

Data de lançamento – 24/06/1997

Gravadora – Music for Nations

 

Faixas:

01 – Demonic Refusal

02 – The Burning Times

03 – Togheter as One

04 – Jun-Jun

05 – John Doe

06 – Murky Waters

07 – Hatred’s Rise

08 – Distorted Lives

09 – New Eyes of Old

10 – Ten Thousand Thrones

11 – Nostrovia

 

Formação:

Chuck Billy – vocal

Eric Peterson – guitarra

Gene Hoglan – bateria

Derrick Ramirez – baixo

 

Participação especial:

Glen Alvelais – guitarra solo em “New Eyes of Old”