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Memory Remains: Type O Negative: 22 anos de “World Coming Down” e as tragédias familiares de Peter Steele

Há exatos 22 anos, o Type O Negative, essa que foi uma das referências quando o assunto é Gothic Metal,  lançava o seu quinto full-lenght e “World Coming Down“, disco dos mais importantes é assunto do nosso Memory Remains desta terça-feira.

O quarteto de Nova Iorque vinha do não menos excelente “October Rust” e a expectativa era grande pelo sucessor do adorável play. O álbum foi escrito logo depois de algumas mortes na família do vocalista e baixista Peter Steele. Assim sendo, todos retornaram ao mesmo  estúdio “System Two“, no bairro do Brooklyn, Nova Iorque, novamente com a dupla Peter Steele e Josh Silver. Este mesmo estúdio foi utilizado para a mixagem e a masterização aconteceu no “Sterling Sound“, também em Nova Iorque.

A capa do play é uma coisa a se admirar, trata-se de uma arte sobre a imagem da famosa ponte do Brooklyn, em minha opinião é uma das mais belas capas do Rock em geral. Particularmente, eu confesso que na época em que adquiri esse play, a capa foi o que me chamou a atenção, visto que eu pouco conhecia o som da banda. E foi uma decisão acertada, pois a partir deste eu fui em busca dos trabalhos anteriores.

Vamos pôr a bolachinha para rolar e dissertar sobre as treze faixas presentes aqui. E a faixa número um, que de forma sacana (no bom sentido, claro) chamou de “Skip It” e traz uns barulhos como se o CD estivesse danificado. No momento que ouvi pela primeira vez, pensei em voltar à loja para reclamar, mas depois entendi a piada e o “aviso” de pular (Skip) a faixa.

White Slavery” é a primeira música e com seus oito minutos tem um mix de peso, clima dark proporcionado pelo teclado e um ótimo refrão. “Sinus” é outra vinheta perdida no meio das faixas, que dura apenas 43 segundos e logo entra a faixa “Everyone I Love Is Dead”, que também é extensa, com seus seis minutos, mas tem uma pegada não tão arrastada quanto a anterior, porém de igual qualidade. E com direito a um belo solo, com muito feeling.

Who Will Save the Sane?” é a faixa de número cinco e que também bate na casa dos seis minutos e traz de volta o clima dark e sombrio que essa banda sabia fazer como poucos na cena.  O ótimo trabalho do teclado de Josh Silver fez a diferença aqui.

Apesar de ser um disco longo, já chegamos a metade dele e com outra vinheta no meio, desta vez é “Liver“, que tem menos de dois minutos e antecede a faixa título que tem mais de onze minutos de pura atmosfera e que nos faz viajar neste som. “Creepy Green Light” tem um andamento um pouco mais rápido do que a anterior em sua primeira parte e depois fica pesada e densa, agradável de se ouvir.

Everything Dies” e seus ótimos riffs arrastados de sua introdução nos dão a impressão de que a música vai ser assim, assustadoramente pesada, mas não, logo logo ela perde o peso e ganha em efeitos do teclado e essa acaba sendo o ponto não tão alto assim do play. Não, ela não é ruim, mas a introdução é muito boa, se comparada ao restante dos seus mais de sete minutos.

Outra vinheta, a última desta vez, ela se chama “King“, tem menos de dois minutos e antecede “Pyretta Blaze“, que tem os riffs de suas estrofes que muito lembram o Black Sabbath na sua fase Doom Metal. Já “All Hallows Eye“, por sua vez tem um belo clima visceral e as guitarras estão com um ótimo som.

A faixa derradeira é um cover dos Beatles, que embora leve o nome de “Day Tripper“, na verdade contém além da música citada, “If It Needed Someone “e “I Want You (She’s so Heavy)” em um improvável e ótimo medley, com sete minutos de duração, encerrando bem um play que foi praticamente impecável em seus mais de 73 minutos.

O álbum foi bem recebido pela crítica e fãs, sendo o primeiro da banda a figurar na “Billboard 200“, ocupando a 39ª posição. Chegou ao 3° na Alemanha e na Finlândia, 16° na Noruega, 17° na Suécia e na Áustria, 23° nos Países Baixos e 49° no Reino Unido. Ainda foi nomeado um dos 20 melhores álbuns de Metal em uma lista compilada este ano pela revista “Metal Hammer“. Nada mal para um estilo que nem é tão popular.

Infelizmente não temos mais a banda na ativa e só nos resta sentir saudades da figura que era Peter Steele na cena. O Type O Negative faz muita falta, mas temos a sua discografia aí para celebrarmos e hoje é  dia de apreciarmos esse disco sensacional e histórico que é “World Coming Down“. Não se esqueça de cuidar si e dos seus, a pandemia ainda não terminou. Em breve estaremos nos shows curtindo os artistas por quem admiramos e que seguem na cena.

World Coming Down – Type O’Negative
Data de lançamento – 21/09/1999
Gravadora – Roadrunner

Faixas:
01 – Skip It
02 – White Slavery
03 – Sinus
04 – Everyone I Love Is Dead
05 – Who Will Save the Sane?
06 – Liver
07 – World Coming Down
08 – Creepy Green Light
09 – Everything Dies
10 – Lung
11 – Pyretta Blaze
12 – All Hallows Evil
13 – Day Tripper

Formação:

Peter Steele – baixo/ vocal/ guitarra/ teclados

Kenny Hickey – guitarra/ backing vocal

Josh Silver – teclados/ vocais adicionais/ samples

Johnny Kelly – bateria/ backing vocal

 

Participações especiais:

Benspnhoist Lesbian Choir – coral

Richard Termini – teclados em “Pyretta Blaze

Paul Bento – cítara/ tambura