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Memory Remains: Voivod – 3 décadas de “Angel Rat”, um disco experimental que fez história

O ano de 1991 foi um ano bastante marcante. Diversas bandas lançaram bons ou ótimos álbuns, que em 2021 comemoram três décadas. A bola de vez é “Angel Rat“, o sexto disco dos canadenses do Voivod, tema do nosso Memory Remains de hoje.

A banda havia terminado sua turnê de divulgação do álbum anterior, “Nothingface”, onde atuaram como banda de abertura do Rush. Em entrevista para a “Kerrang!”, o baterista Michael Langevin falou sobre a influência que o baterista Neil Peart teve em sua maneira de tocar. Aspas para ele:

“Eu estava ao lado do palco assistindo ele e ainda não conseguia entender! O Rush foi muito, muito bom para nós e para verdadeiros senhores. Depois do primeiro show que tocamos com eles, voltamos para o camarim e havia uma garrafa de champanhe deles para nós com uma nota que demos imediatamente a Piggy porque ele era o fã número um do Rush do mundo. Eles eram tão legais, mas estávamos realmente quietos porque o que eu pretendia dizer ao Professor?”

O aniversariante do dia marca a última participação do baixista Jean-Yves Thériault, que ficaria afastado da banda até 2008, quando voltaria para sua segunda e derradeira passagem que acabou em 2014. É, na prática seu penúltimo registro com o Voivod. Seu relacionamento com os demais membros da banda durante a gravação deste play não era nada bom e ele saiu da banda antes mesmo de o álbum ser lançado.

O álbum teve seu lançamento adiado por vários meses, pois havia uma dificuldade em terminar os trabalhos, até que finalmente foi lançado em 12 de novembro daquele ano de 1991. Eles se reuniram no “Metalworks Studios“, em Toronto, Canadá, na companhia do produtor Terry Brown, conhecido por seus trabalhos com o Rush e que assinou a produção deste disco do Voivod.

O Voivod nunca se prendeu a uma vertente específica dentro do Rock e seus álbuns sempre foram diferentes entre si. A banda teve sua fase mais Punk, depois trafegaram pelo Thrash e aqui em “Angel Rat” as coisas andaram entre o Rock, o Post-punk e algumas pitadas de Progressivo, lembrando o Rush em alguns momentos, talvez pela influência de Terry Brown. O fã de fase mais pesada da banda pode não curtir esse play, mas ele tem boas passagens. Vamos destrinchar cada uma das doze faixas presentes aqui.

Após a breve intro que abre o play, temos “Panorama” que traz uma pegada bem NWOBHM e é uma música bem legal, crua e relativamente rápida. Bom início. “Clouds in my House” é bem progressiva e lembra um bocado seus conterrâneos do Rush. Boa canção.

The Prow” é carregada de bastante melodia, enquanto que “Best Regards” é bem Rock ‘n’ Roll e o baixo de Jean-Yves Thériault é o grande protagonista, inclusive tendo direito a um belíssimo solo, que ficou melhor do que a encomenda. “Twin Dummy” é bem radiofônica e traz bons riffs de guitarra.

A faixa título chega abrindo o lado B do vinil e trata-se de uma balada, bem feita e com muita melodia. “Golem” é a faixa que dá sequência e ela tem uma atmosfera post-punk. A impressão que se tem é de que ao escutar essa música, estamos em Londres, o que não é uma coisa ruim.

The Outcast” é bem Rock ‘n’ Roll: simples, direta e sem muitas firulas. “Nuage Fractal” é a faixa número 10 e é bem complexa, trazendo partes psicodélicas, misturadas a outras Prog. “Freedom” é bem esquisita na sua primeira parte, mas depois ganha um pouco de peso na sua metade final. É a única vez que a banda flerta com um som mais pesado em todo o play.

None of the Above” mantém a proposta do play em mesclar Rock Progressivo com Post-punk e a música é bem agradável, encerrando assim, em 53 minutos um álbum bom, que pode parecer demasiadamente pop, mas que tem seu valor e mostra a capacidade criativa.

Se distanciando de seus tempos mais pesados, como o disco antecessor, “Angel Rat” é bastante experimental e agradou bastante aos fãs e a crítica especializada. A produção não deixou a desejar e o álbum segue envelhecendo bem. E o álbum ficou na 34ª posição na lista da revista “Kerrang!” que escolheu os 50 melhores álbuns de Rock e Metal de 1991, dentre tantos bons álbuns que foram lançados neste ano, “Angel Rat” ficou à frente de discos como “Necroticism – Descanting the Insalubrious“, do Carcass e de “Slow, Deep and Hard“, o álbum de estreia do Type O Negative,

Temos aí o Voivod ainda na ativa, lançando bons álbuns e desejamos uma longa vida a esse quarteto canadense, torcendo para que eles possam nos brindar com mais álbuns e apresentações ao vivo. Enquanto isso não acontece, vamos escutar esse “Angel Rat“.

Divulgação/Century Media Records

Angel Rat – Voivod
Data de lançamento – 12/11/1991
Gravadora – Mechanic/ MCA

Faixas:
01 – Shortwave Intro
02 – Panorama
03 – Clouds in my House
04 – The Prow
05 – Best Regards
06 – Twin Dummy
07 – Angel Rat
08 – Golem
09 – The Outcast
10 – Nuage Fractal
11 – Freedom
12 – None of the Above

Formação:
Denis Bélanger – vocal
Denis D’Amour – guitarra/ teclado
Michael Langevin – bateria
Jean-Yves Thériault – baixo

Participações especiais:
Ray Coburn – teclado
Ivan Doroschuck – teclado em The Outcast