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Michale Graves, ex-Misfits, pode servir de testemunha de extremistas invasores do Capitólio

Carlos Pupo/Headbangers News

De acordo com a agência de notícias Reuters, o ex-vocalista dos Misfits, Michale Graves, que estaria em Washington no dia 6 de janeiro de 2021 quando ocorreu a invasão do Capitólio dos Estados Unidos poderá servir como testemunha de julgamento enquanto advogados de defesa tentam minar a tentativa da promotoria de provar acusações de conspiração contra membros do grupo neofascista de extrema-direita Proud Boys.

Michale Graves, vocalista da banda veterana de 1995 a 2000, disse que um membro do Proud Boys pediu a ele para tocar algumas músicas para um show privado planejado para a tarde de 6 de janeiro. Esse foi o dia do ataque ao Capitólio que deixou cinco pessoas mortas, incluindo um policial.

Graves, que disse ter se tornado membro dos Proud Boys no ano passado, disse à Reuters que não acha que o grupo seria capaz de planejar uma invasão do Capitólio, como disseram os promotores.

“Esses caras têm dificuldade em conseguir um pedido para o McDonalds”, disse Graves durante uma entrevista.

Advogados que representam Ethan “Rufio” Nordean, uma figura proeminente dos Proud Boys e um dos réus acusados de conspiração, afirmaram em um processo judicial na segunda-feira (29) que ele planejava realizar o que eles chamam de uma “festa musical despreocupada” em 6 de janeiro e isso teria envolvido Michale Graves.

No final das contas, a festa nunca aconteceu. Mesmo assim, advogados de defesa disseram que o planejamento de tal evento agendado para um momento em que o motim ainda estava ocorrendo contradiz a noção de que o grupo tinha um plano para “derrubar o governo” naquele dia.

Os advogados de defesa disseram que 1.500 mensagens trocadas por membros dos Proud Boys em 5 e 6 de janeiro no aplicativo de mensagens Telegram – coletadas como evidência pelo FBI – também lançam dúvidas sobre a existência de uma conspiração.

Uma porta-voz do Departamento de Justiça dos EUA se recusou a comentar sobre o pedido de defesa ou sobre o relato de Graves sobre os planos do show.

Os promotores em uma audiência que deve ocorreu amanhã (01) devem pedir a um juiz que ordene a detenção de Ethan Nordean enquanto aguarda o julgamento. Eles falharam em dois pedidos anteriores de prisão preventiva do acusado. As provas citadas no novo processo de defesa podem ser levantadas na audiência.

Os membros do Proud Boys estão entre os apoiadores do ex-presidente americano Donald Trump que invadiram o Capitólio naquela tarde de 6 de janeiro. Os promotores acusaram Nordean e outras figuras de extrema-direita de conspirarem para tomar o Capitólio à força para impedir o Congresso de certificar a vitória eleitoral do presidente Joe Biden.

Quem são os Proud Boys?

Os Proud Boys rejeitam as acusações de racismo que são atribuídas a eles, mas vários membros da organização já foram afiliados à supremacia branca, e os membros do grupo foram descritos por organizações de inteligência dos EUA como “um perigoso grupo supremacista branco”. Eles foram banidos do Facebook, Instagram, Twitter e YouTube.

O grupo acredita que os homens — especialmente brancos — e a cultura ocidental estão sob ameaça; seus pontos de vista têm elementos da teoria da conspiração do genocídio branco. Esta “teoria” consiste numa tese conspiracionista neonazista, de extrema-direita, nacionalista e supremacista branca, segundo a qual imigração em massa, a integração racial, a miscigenação, as baixas taxas de fertilidade, o aborto, a violência organizada e o eliminacionismo estariam gerando um “genocídio” de brancos em países tradicionalmente de maioria caucasiana. Isso, segundo a teoria, visaria transformar tais nações em países de minoria branca e assim causar a extinção das pessoas brancas através de assimilação forçada.

*Com informações da Reuters e Wikipedia