Resenhas

A Biography of Madness

Incognosci

8,0

Temos o disco de estreia dos cariocas do Incognosci, A Biography of Madness. A banda que está na ativa desde 2008 sob o nome Necropse e desde 2012 usa o nome atual. Logo de cara eu destaco o selo “Parental Advisory” que aparece nas capas de álbuns que contém letras que possam causar algum tipo de controvérsia, uma ideia da RIAA, aquela mesma que certifica os álbuns com muitas vendas, dando-lhes disco de ouro, prata, platina. Isso na verdade ajuda mais na divulgação da banda, ao contrário da intenção de inibir ou de “alertar aos país quanto ao conteúdo explícito”.

Os caras lançaram duas demos, nos anos de 2013 e 2015, contendo três das faixas que foram gravadas para este “A Biography of Madness”. Finalmente, o debut foi lançado no dia 22 de outubro de 2020, um ano que se foi terrível para toda a humanidade devido a esta pandemia maldita, a qual muitos insistem em negar sua existência, ao menos deu às bandas o tempo que elas normalmente não têm em meio a turnês, e elas, em sua maioria, entregaram trabalhos muito acima da média. Felizmente, os conterrâneos deste redator não fugiram a regra.

A bolacha é um dos lançamentos mais recentes da Extreme Sound Records, selo especializado em música extrema. Gravado e mixado no estúdio AM, no Rio de Janeiro, com a própria banda produzindo, a masterização aconteceu no Groundhouse Studios, na Grécia. Então sem mais delongas, vamos dissertar sobre o play.

Aftermath” começa rápida e violenta, com vocais incompreensíveis, lembrando bastante o Deicide no início da carreira. Mas o mais surpreendente é a quebra no andamento, com direito a um solo muitíssimo bem feito e embora nada tenha a ver com a proposta musical da banda, caiu muito bem. “Awaken the Desperate” começa veloz e novamente aposta na mudança de andamento onde a banda agrada mais, sendo muito pesada e brutal, soando inclusive bem parecido com Cannibal Corpse na fase do Tomb of the Mutilated. Destaque para o excelente baterista Braulio Drummond e seu bumbo duplo nervoso. Excelente.

Perfect Specimen” aposta no inverso das duas faixas anteriores: tem um andamento perdominantemente mais arrastado com a velocidade entrando vez por outra. E aqui a parte rápida é sensacional e convidativa a um moshpit pra lá de violento. Foi a faixa que mais me chamou atenção, sem desmerecer as demais, que tem suas qualidades. “Traumatize the Masses” mantém a proposta da banda em alternar partes rápidas e arrastadas, essas se destacam pelo peso e brutalidade absurdos.

Eleven Years” é muito veloz com poucas quebradas no andamento e os blastbeats em certos momentos lembram um certo Max Kolesne, dada a velocidade, completamente insana. “Tales of Insanity” começa veloz e aos poucos a cadência e brutalidade vão tomando conta da música até o retorno da rapidez aliada à rispidez do estilo que a banda adotou e o faz tão bem. E novamente um solo que não tem nada a ver com o Death Metal aparece bem por aqui.

Final Descent into Madness” traz um Death Metal bem trabalhado, sem perder o peso e a brutalidade que a banda carrega consigo. E “Trapped in Spontaneous Desintegration” com sua levada meio termo, com partes arrastadas e partes um pouco mais rápidas, mas que não chegam a velocidade da luz quanto as anteriores, mas que agrada, assim como as demais faixas deste disco que impressiona muito em 27 minutos numa verdadeira trilha sonora do terror e caos sonoro.

E o disco impressiona não só pela qualidade sonora apresentada; a produção é caprichada, assim como a apresentação do produto, com um encarte bem feito, contendo letras e as informações bem precisas sobre a banda e a arte assinada por Gilvan Aleixo. Profissionalismo é isso aí. A estreia foi excelente, agora é continuar caminhando, o céu (ou seria o inferno?) é o limite. O Brasil sempre foi celeiro de bandas de qualidade, sobretudo na música extrema. E neste quesito, o redator que vos escreve é muito patriota.

Faixas:

01 – Aftermath

02 – Awaken the Desperate

03 – Perfect Specimen

04 – Traumatize the Masses

05 – Eleven Years

06 – Tales of Insanity

07 – Final Descent Into Madness

08 – Trapped Spontaneous Desintegration

Formação:

Marcos Medeiros – baixo

Jonathas Pereira – guitarra

Iron – vocal

Braulio Drummond – bateria

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