A banda holandesa Blackbriar lançou seu terceiro álbum, “A Thousand Little Deaths”, em 22 de agosto de 2025, via Nuclear Blast em parceria com a Shinigami Records no Brasil. O trabalho consolida a trajetória iniciada nos EPs “Fractured Fairytales” (2017) e “We’d Rather Burn” (2018), além de dar sequência ao álbum “A Dark Euphony” (2023).
Se no disco anterior havia picos expressivos que por vezes se perdiam em meio a irregularidades, aqui a sensação é de unidade. A banda soa consciente do caminho que quer trilhar. Há um direcionamento claro, uma identidade reafirmada faixa após faixa.
A abertura com “Bluebeard’s Chamber” já estabelece o clima. A atmosfera é densa, envolvente, com vocais mais contidos que ampliam a sensação de tensão. O piano e as cordas intensificam a aura sombria, criando um início que prende pela sutileza. Em “The Hermit and the Lover”, o ritmo ganha impulso. A combinação entre abordagem sinfônica metódica e trechos de guitarra mais diretos evidencia uma banda que equilibra peso e elegância com segurança.
“The Fossilized Widow” reforça o protagonismo de Zora Cock. A construção gradual até o refrão mantém a dramaticidade sem recorrer a explosões previsíveis. A interpretação é o eixo central. A narrativa sobre uma mulher presa ao passado ganha força justamente pela entrega vocal, que conduz a faixa com precisão e sentimento.
“My Lonely Crusade” surge como um dos momentos mais marcantes. A melodia espiralada, os versos mais contidos e a ascensão cuidadosa até o refrão criam uma experiência intensa. Há ecos do início da carreira do grupo, mas com maturidade evidente. Em seguida, “Floriography” assume papel central no álbum. A temática inspirada na linguagem das flores encontra uma construção musical que culmina em um refrão expansivo. Mesmo com vocais mais controlados, a faixa se impõe como ponto de conexão entre as diferentes fases do disco.
Na segunda metade, o álbum ganha ainda mais força. “The Catastrophe That Is Us” investe em detalhes atmosféricos e em uma tensão quase silenciosa, sugerindo que há sempre algo oculto sob a superfície. “A Last Sigh of Bliss” entra com guitarras mais vivas e estrutura sólida, equilibrando energia e narrativa trágica. Já “Green Light Across the Bay” concentra-se nos riffs ao longo de toda a faixa e entrega um dos refrães mais memoráveis do trabalho.
“I Buried Us” trabalha o contraste entre versos de tom mais leve e um refrão mais incisivo, ampliando o impacto da história sobre o fim de um relacionamento. O encerramento com “Harpy” mantém a coerência estética, retomando a atmosfera mitológica e fechando o ciclo de forma consistente.
Os guitarristas Bart Winters e Robin Koezen conduzem o álbum para uma sonoridade mais metalizada, sem abandonar a sofisticação melódica. Zora Cock, por sua vez, adota uma interpretação menos acrobática e mais focada, o que contribui para a coesão geral.
“A Thousand Little Deaths” apresenta um Blackbriar mais maduro e seguro. A excentricidade de trabalhos anteriores dá lugar a uma construção mais refinada, sem que a essência gótica seja diluída. É um disco que confirma a evolução do grupo e reforça seu espaço como um dos nomes em ascensão na cena gótica contemporânea.
Formação:
Zora Cock – Vocais
René Boxem – Bateria
Bart Winters – Guitarras
Robin Koezen – Guitarras
Siebe Sol Sijpkens – Baixo
Ruben Wijga – Teclados