Resenhas

Access All Worlds

Iotunn

9.0

Um disco ambicioso, mas não ostensivo. Diversificado e amorfo, mas não confuso. Técnico, mas não saturado. Prolongado, mas não monótono. São essas as sentenças que melhor definem “Acess All Worlds” — o primeiro capítulo musical completo do quinteto dinamarquês, Iotunn.

Lançado pela poderosa Metal Blade Records e embalado numa expressiva arte do mestre, Eliran Kantor (Hate Eternal, Incantation, Testament, Krisiun), o disco marca a estreia do novo vocalista, Jón Aldará (Barren Earth, Hamferð) e também do baixista, Eskil Rask (Sunless Dawn). Não somente as adequações da nova formação, o novo material também expõe uma mudança (enriquecimento) em sua marca sonora, agora com os horizontes abertos a mais elementos, contrastes e influências vindas dos mais diversos biomas metálicos. O resultado é um acervo de faixas ricas, diversificadas e propensas a divagação; por vezes desafiando o ouvinte, sua atenção, capacidade de absorção e até mesmo sua percepção.
Ainda que rotulado como Progressive Metal (rótulo esse que não lhe faz justiça), o disco revela-se como um conglomerado de texturas, de dinâmicas e abrangências. Esticando seus tentáculos às mais diversas repartições do Heavy Metal — do Melodic Death ao Power; do Black (pequenas, mas sábias porções) até o Heavy Metal (riffs, solos e costuras melódicas). Claro que o já citado Progressive Metal faz-se sentir em todas as composições, mas não predominantemente, e sim como um complemento. Tal qual uma bela moldura que completa e protege a personalidade da obra de arte que lhe é confiada.
Composto por sete faixas que compartilham pouco mais de uma hora, o trabalho logo lança-se aos mares cósmicos com a poderosa “Voyage Of The Garganey I” (que se destaca pela brilhante atuação dos irmãos e guitarristas: Jesper Gräs e Jens Nicolai Gräs — são os riffs, solos e fraseados melódicos criados por eles que sustentam grande parte da beleza expedicionária do trabalho). “Access All Worlds” (faixa), é uma espécie de êxtase musical, puro deleite para quem aprecia sonoridades complexas, intrincadas, repletas de elementos, de camadas e relevos.
As próximas faixas; “Laihem’s Golden Pits”, “Waves Below”, “The Tower Of Cosmic Nihility” e “The Weaver System”, são elegantes dissertações sobre técnica e emotividade. Recheadas de pormenores, de climatizações e nuances. Todo repertório causa grande impacto e de fato, os músicos demonstram destreza na construção e desenvolvimento dos temas, que embora longos, não cansam. Baixo e bateria atrelados e sólidos; guitarras protuberantes e Jón Aldara entregando uma interpretação avassaladora, seja nos tons operísticos ou nos guturais, que vez ou outra emprega. A faraônica e esplendorosa “Safe Across the Endless Night” encerra o disco de forma épica — uma suíte progressiva onde não existem vagas para se apontar defeitos. Um desfecho incrível para um lançamento monumental.
 “Access All Worlds” prova que é possível criar musicas altamente técnicas sem necessariamente torná-las enfadonhas, pois sua paleta criativa é farta, vibrante e atraente. Altamente indicado aos fãs de bandas ousadas e inquietas; na tradição de nomes camaleónicos como: Enslaved, Borknagar, Opeth e até mesmo, Arcturus. Existe vida inteligente no dito Prog Metal, isso é fato, mas também existe alma e emoção, o Iotunn é a prova de tal afirmação.
Faixas:
01. Voyage Of The Garganey I
02. Access All Worlds
03. Laihem’s Golden Pits
04. Waves Below
05. The Tower of Cosmic Nihility
06. The Weaver System
07. Safe Across the Endless Night
Formação:
Jón Aldará – vocal
Jesper Gräs – guitarra
Jens Nicolai Gräs – guitarra
Bjørn
Wind Andersen – bateria
Eskil Rask – baixo

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