Resenhas

All Colors of Darkness

Nervochaos

9.0

Os veteranos do Nervochaos estão de volta com mais um petardo: All Colors of Darkness é o primeiro disco de músicas inéditas desde "Ablaze" (2019) e mostra o porquê de a banda ser uma das mais relevantes do nosso underground.

O décimo full-lenght dos paulistanos, que acumulam 25 anos de experiência e destilando muito peso e brutalidade, foi lançado em CD e formatos digitais via Emanzipation Productions na Europa e EUA; e via Tumba Records/Xaninho Discos/Voice Music no Brasil. A edição em LP (vinis preto e laranja transparente, cada um limitado a 300 unidades) estará disponível em maio no exterior e no segundo semestre para o Brasil.

Com participações de Brendam Duffey, que atuou na mixagem e masterização e de João Gordo, que deu uma canja na faixa “Demonomania” e a bela arte da capa, assinada por Néstor Ávalos, “All Colors of Darkness” mostra que apesar de o Brasil ser expert em música ruim, há também uma rica cena onde o Nervochaos é uma das protagonistas, praticando o seu Death Metal com muito peso e caos. Vamos navegar pelas onze faixas que compõem este petardo:

Wage War on the Gods” abre o play em grande estilo, que traz o Nervochaos em estado bruto e raivoso. “Golden Globet of Fornication” é rápida, ríspida e agressiva em sua maior parte, mas com espaço para o inserções mais arrastadas, com riffs poderosos e pesados. A melhor faixa do play.

Dragged to Hell” é mais densa e com um andamento mais cadenciado, cabendo até a inclusão de vocais mais limpos. Claro que a música fica veloz em determinado momento. “Beyond the Astral” é curta e grossa, rápida, pesada e certeira, em seus menos que três minutos. Uma paulada na cabeça, digna de um moshpit de respeito. Chega a faixa título e como as anteriores, a impressão é de que estamos ouvindo a trilha sonora do fim do mundo, tamanho é o caos que a banda imprime por aqui. Um belo solo no final deixa a música ainda mais especial.

Gate of Zax” mantém o clima caótico por aqui e os riffs que nos remetem ao Benediction. A música, como as demais, vai alternando partes rápidas com outras nem tão rápidas, porém, aqui, a banda flerta de maneira intensa com o Deathcore. Em “Umbrae Mortis“, riffs nervosos vão conduzindo a música que se mantém veloz e com uma brutalidade que impressiona. “Suffer in Seclusion” tem riffs que parecem o Black Sabbath tocando com uma afinação muito baixa, enquanto que a música em si se concentra em riffs cavalgados e brutais.

Camazotz” é bem puxada para o grindcore e é desse jeito que se encerram as músicas autorais do play, pois as próximas duas, que são as últimas, são homenagens que a banda prestou ao Misfits (“Demonomania“) e ao Hank 3 (“Three Shades of Black“). Enquanto que na primeira, temos a participação de João Gordo abrilhantando a música, na segunda temos o Nervochaos soando completamente diferente do que foi concebido e fazendo um som bem Folk, com direito a viola caipira. Um final improvável, mas memorável.

Como tudo que é bom, dura pouco, “All Colors of Darkness“, assemelha-se aos discos Punks pela sua extensão: são breves 32 minutos onde a banda mostra seu Death Metal de muita qualidade, peso e em estado bruto, completamente diferente das músicas horrendas que habitam as rádios, programas de televisão e a boca do povão, Nasceu clássico e já é sério candidato ao título de melhor álbum nacional do ano. Vai agradar aos que apreciam um som que se distancia do comercial, mas que é verdadeiro. Hail, Satan!

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