Satsuma, o projeto solo do multi-instrumentista de Edimburgo, Cam Halkerston, emerge com seu aguardado EP de estreia ‘Anodyne’, trazendo uma sonoridade direta, que vai agradar especialmente os fãs do estilo mais tradicional até os mais modernos do gênero de rock alternativo. Satsuma combina suas diversas influências dos anos 90 em um som dinâmico e explosivo e entrega uma atuação densa e agressiva em todas as 6 faixas do disco. Com uma combinação engenhosa de passagens grunge, punk e alternativo, e totalmente DIY, cada faixa deste álbum mergulha o ouvinte em um mundo exuberante e sombrio, “está repleto de inquietações pessoais, buscando conectar-me com o ouvinte e oferecer-lhe algum apoio emocional através da música”, disse o músico.
O álbum prova a capacidade do Satsuma de equilibrar emoção e energia, criando um registro coeso e dinâmico. O projeto é one man band e, segundo comunicado à imprensa, Cam Halkerston disse: “Pretendo manter-me o mais autossuficiente possível para garantir um bom ritmo nos lançamentos futuros, bem como refinar e desenvolver ainda mais o meu som”.
O álbum combina letras introspectivas com um instrumental que alterna entre impulsos grunge, texturas alternativas e construções cinematográficas, criando um disco onde cada música funciona tanto como afirmação emocional quanto como explosão sonora.
E Satsuma já prova isso na abertura com “Ash and Dust”, um convite para o mundo surpreendente e emotivo, com riffs suaves e melódicos e vocais intensos, já mostrando logo de cara para que o artista veio. A canção mantém o ritmo cadenciado e depressivo, emulando o som melancólico do grunge. Uma faixa muito sentimental e com uma melodia que nos vicia, nitidamente influenciada por Radiohead e Jeff Buckley.
Em “Love my Lies”, o tom melancólico característico do rock alternativo dos anos 90 continua. Um ponto interessante é o detalhe de sentirmos como se fosse um LP de uma banda dos anos 90, que pegamos para ouvir. Os vocais trazem mais sentimentalismo, sendo possível sentir a emoção na voz.
Seguimos com a faixa-título que traz riffs mais densos e pesados, onde é possível perceber a influência oldschool da banda no peso emocional de Kurt Cobain e Josh Homme, mas há um toque mais moderno, sendo perfeitamente um projeto novo que soube abraçar a modernidade e criar um ambiente moderno influenciado pelos pioneiros do estilo. Sem dúvidas, é a faixa mais comercial do disco, perfeita para rádios, podendo se tornar um hino.
Há muita técnica no som, embora pareça de simples execução, vale lembrar que tudo é tocado e composto por Cam Halkerston. Em “Touch Of Your Breath”, faixa mais curta do EP, o músico incorpora tanto a fragilidade quanto a resiliência presentes no coração do disco. As clássicas linhas de violão do rock alternativo, que vêm ganhando notoriedade em um revival incrível, são perfeitamente mostradas aqui. Os vocais aqui ganham mais intensidade, trazendo aquele hino perfeito melancólico que carrega forte influência do saudoso Jeff Buckley.
Preparando os ritos finais, “Swallowed” nos é apresentada com aquela vibe de jam de garagem levada ao limite, com instrumental simples mas ardente, em vocais penetrantes de uma faixa imersiva, comovente e seguindo o tom emotivo do álbum, mergulhando no terreno da introspecção noturna. A canção explode com uma base rítmica sólida e riffs fortes, peso e agressividade delicada, tornando-se a faixa perfeita para um show, mas ainda assim mantendo o clima melódico. Aqui sentimos muita influência do rock dos anos 90 com riffs e vocais que dão uma nova textura, em uma tempestade sonora, mas mantendo a energia underground do grunge, com refrão potente, muito Nirvana.
Em “Black Trick v2”, retorna com o grunge de primeira linha e entrega riffs de guitarra memoráveis e vocais cheios de sentimento que desabafam e, mesmo que não entenda a língua cantada, consegue sentir o peso da emoção. A faixa oferece uma pausa reflexiva no disco, onde somos surpreendidos com vocais muito técnicos, a bateria segue o ritmo denso e potente, fervendo, com o baixo que marca forte presença em um groove e sintetizadores que mantêm o clima denso, para criar um som mais acessível e memorável.
Preparando os ritos finais, “Fat Baby” surpreende pela versatilidade, efeitos vocais e instrumental denso que carrega forte energia nostálgica. É mais uma faixa que explode melancolia e riffs sinuosos e densos, que arrastam o ouvinte em uma viagem depressiva, mas com toda beleza que só o rock dos anos 90 consegue fazer, além de uma imensidão de jovens que souberam utilizar a técnica clássica, mas incorporar tons modernos.
Para encerrar, “Scorched Earth” entrega riffs rítmicos e bem melódicos. Mantendo o som denso e sombrio, e a energia moderna que já é assinatura do Satsuma, enquanto o instrumental é impactante e cheio de energia, sendo a faixa mais forte. Esse álbum vem com um ritmo que nenhum fã do estilo poderá colocar defeito. É mais uma faixa que explode melancolia e riffs sinuosos e densos, que arrastam o ouvinte em uma viagem depressiva, mas com toda beleza que só o rock dos anos 90 consegue fazer.
No entanto, é importante notar que Satsuma não se aventura muito além dos limites do estilo tradicional de grunge, o grupo não pisa no freio para criar melodias mais inovadoras e não convencionais. Isso resulta em um som bem executado, fiel às raízes do gênero, perfeito para os mais exigentes. Para aqueles que são fãs do estilo, Satsuma oferece exatamente o que se espera: riffs densos, vocais melancólicos e fortes e uma atmosfera depressiva e bela. Para os apreciadores de grunge e anos 90, ‘Anodyne’ é um prato cheio, mantendo-se fiel aos fundamentos do gênero sem explorar novos territórios sonoros.