Resenhas

Antithesis

Black Void

9.0

Ao que parece, os projetos paralelos de artistas de bandas famosas se encontram em voga agora. Ultimamente tenho me deparado com grupos formados tão somente para dar vazão a toda fagulha criativa que os artistas têm em mente. Parece ser o caso do inquieto vocalista, baterista e tecladista Lars Are Nedland, que integra as bandas de black metal Borknagar e Solefald. Além disso, ele faz parte do projeto de hard rock White Void e agora surge com um novo álbum "Antithesis" de outro surpreendente projeto, o Black Void.

O próprio músico define assim o projeto: “Onde o White Void foi baseado em Albert Camus e no absurdo, o Black Void é baseado no niilismo e em Nietzsche. White Void e Black Void são contrastes e isso também vale para as filosofias básicas da banda e as letras.”

Então Nedland parece tirar da cartola uma infindável força criativa por trás da banda, pois encontrou uma maneira de desabafar seu lado mais obscuro e primitivo. A mistura é inusitada, com doses de punk rock, black metal e uma espécie de “black and roll”.

Em sua jornada ele está acompanhado pelo baterista Tobias Solbakk (Ihsahn, White Void, In Vain) e pelo guitarrista Jostein Thomassen (Borknagar, Profane Burial). E como convidados, temos nos vocais Sakis Tolis, do Rotting Christ, e Hoest, do Taake.

Com todos estes atributos, podemos afirmar que a obra é um álbum de estreia de respeito, com faixas sendo construídas de forma inteligente e coesa. Apesar dos músicos não terem nenhum compromisso mais sério com este projeto, o resultado impressiona.

Temos momentos melódicos, outros agressivos, englobando a anarquia do punk e o peso desenfreado do black metal que deixa o álbum de certa forma tão fascinante.

Sendo o gêmeo malvado do White Void, o Black Void tem muito a nos oferecer. É uma mistura absolutamente maluca, mas creio que deu certo! O disco é uma homenagem a cinquenta anos de punk e quarenta anos de black metal, dois gêneros musicais que eu gosto e admiro muito. Talvez por isso me sinta confortável ouví-los soando juntos. Porradaria sonora com letras pessimistas e que chutariam a bunda de qualquer “coach quântico” ou outro charlatão que venda a “pílula da felicidade” neste mundo miserável e injusto.

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