Resenhas

Ascension

Paradise Lost

Avaliação

8.5

Em 2025, Paradise Lost entrega ao público seu 17º álbum de estúdio, Ascension. O lançamento, pela Nuclear Blast (com distribuição da Shinigami Records no Brasil), tem data marcada para 19 de setembro, e promete entrar para a lista de grandes momentos da banda. O trabalho chega com a responsabilidade de manter a chama de uma das bandas mais influentes do metal sombrio, e o resultado não decepciona. Produzido pelo próprio Mackintosh, o disco reúne o melhor do Doom e Gothci Metal, com a melancolia de sempre e riffs carregados de tensão.

Desde a abertura, fica claro que “Ascension” é um álbum que respeita o legado da banda, mas não tem medo de explorar nuances dentro de seu universo sombrio. “Serpent On The Cross” abre os trabalhos com impacto: uma faixa épica que equilibra peso e melodia com a naturalidade que só o Paradise Lost sabe entregar. Em seguida, “Tyrants Serenade” revela o lado mais gótico do grupo, trazendo vocais contidos e limpos de Nick Holmes, contrastando com o peso instrumental. Já “Salvation” mergulha de vez no Doom Metal — lenta, arrastada, guiada por um riff denso e com uma performance hipnótica.

Silence Like The Grave”, primeira a ser liberada como single, traz energia extra: bateria cheia de viradas, harmonias afiadas e vocais mais raivosos, sem perder a marca melancólica da banda. Outra surpresa é “Lay a Wreath Upon the World”, conduzida por um violão desolador que cresce até se tornar uma das faixas mais marcantes do álbum — e possivelmente da carreira da banda.

Na parte mais pesada, “Delirium” volta a explorar o lado denso do Doom, com Jeff Singer brilhando nos pedais duplos, enquanto “Savage Days” aposta em uma progressão quase teatral, guiada pelo violão e cheia de drama. “Sirens” surge com o riff mais direto e intenso do álbum, flertando com algo mais acessível, mas sem perder a identidade do grupo. “Deceivers” mantém o clima denso, porém mais acelerado, antes de chegar ao fechamento grandioso com “The Precipice”, que mistura piano e teclado sombrio em uma atmosfera épica e melancólica.

Como bônus, temos ainda “This Stark Town”, marcada por uma ponte belíssima guiada pelo violão, e “A Life Unknown”, que surpreende ao flertar com um Hard Rock melancólico, onde a bateria ganha protagonismo. Ambas poderiam facilmente estar na tracklist principal, reforçando a força criativa dessa fase da banda.

Ascension” é um disco que mostra o Paradise Lost em plena forma criativa. O retorno mais incisivo dos guturais de Nick Holmes adiciona força ao repertório, enquanto seus vocais limpos mantêm a sutileza e a emoção. O resultado é um álbum que equilibra peso, melancolia e acessibilidade de forma quase agridoce — sombrio, mas paradoxalmente agradável de ouvir.

O Paradise Lost prova, mais uma vez, que ainda tem fome e relevância dentro do Metal. “Ascension” é não apenas um reflexo da maturidade da banda, mas também um lembrete de que eles seguem explorando caminhos dentro de sua própria escuridão. Se depender dessa energia, ainda teremos muitos anos de grandes álbuns pela frente — e os fãs só têm a agradecer por isso.

Tracklist:
01. Serpent On The Cross
02. Tyrants Serenade
03. Salvation
04. Silence Like The Grave
05. Lay A Wreath Upon The World
06. Diluvium
07. Savage Days
08. Sirens
09. Deceivers
10. The Precipice
11. This Stark Town
12. A Life Unknown