Resenhas

Blood on Blood

Running Wild

8.5

Dezessete álbuns de estúdio. Não é um número qualquer. Quando se trata de algo bem específico, o “Pirate Metal” um subgênero dentro do Power Metal, que é um subgênero do Heavy Metal, são necessários ainda mais talento, dedicação e resiliência! Mas o que seria de um pirata sem essas características?

Sem muitas expectativas após os dois álbuns mais recentes da banda, Resilient e Rapid Foray, de 2013 e 2016, respectivamente, a alma da banda, com riffs certeiros e vocal sempre na medida, Rolf Kasparek, trouxe composições inspiradas, que fazem você sentir o balanço do mar, o sabor do rum e o cheiro de pólvora através das aventuras narradas em suas letras e a empolgação do instrumental.
A faixa título abre o álbum de forma rápida e precisa, mostrando que os piratas estão em forma, uma letra empolgante e um refrão bem grudento, com duetos clássicos, enfim, um ótimo prenúncio para todo álbum.
Em Wings of Fire ouvimos a assinatura de Running Wild nos riffs. Se você ouvisse sem ser avisado saberia de que banda é essa música! Letra sobre loucura e mentira que muitas vezes prevalecem e envenenam as pessoas. A primeira grande faixa do álbum, mas não única.
O álbum segue chovendo no molhado com Say Your Prayers, um pouco mais lenta, mas ainda assim trazendo o que esperamos da banda, com letras fantasiosas sobre o fim do mundo, julgamento por fogo e armas.
Seguimos com Diamonds & Pearls, narrando os preparativos para um saque e a ganância que rege o mundo. Também com um grande riff, refrão que não sai da cabeça e solos inspirados. Uma das minhas preferidas, a joia do álbum.
Em Wild & Free ouvimos uma satisfatória diferença no tema, com carros, motores, gasolina e pneu queimando, celebrando o prazer de dirigir um carro potente e sair livre pelas estradas consumindo combustível (algo para se pensar duas vezes atualmente, com os preços nas alturas). Também satisfaz com todas as características esperadas da banda!
Em Crossing the Blades, como o título entrega, voltamos à temática principal, com riffs empolgantes, duetos e solos coerentes e letra sobre união, lealdade e resiliência nas lutas, conquistas e saques da pirataria celebrada pela banda desde 1987. Talvez seja a mais simples e direta até agora, mas ainda assim muito boa!
One Night, One Day é uma balada pouco inspirada e repetitiva, com uma mensagem até compreensível, mas dispensável no contexto do álbum. Os solos compensam a audição, pelo menos.
Com The Shellback voltamos ao contexto original, com uma cadência mais marcante, letra que conta sobre o marujo que cruzou o equador pela primeira vez, um rito de passagem, e tem muitas histórias para contar. Mais lenta, cadenciada e mesmo assim interessante, com um clima envolvente para contar sua história.
Wild Wild Nights também aparece meio fora de contexto, claramente algo saído diretamente dos anos 80 e parece meio deslocada no meio das outras faixas, falando de jaqueta de couro, cerveja e “sextou”.
Para fechar o álbum temos a longa The Iron Times (1618 – 1648) demonstra a capacidade da banda com um longa música sobre um dos maiores e mais destrutivos conflitos da história, A Guerra dos 30 anos, que na verdade é uma série de conflitos que afligiram a Europa por uma séria de razões. Muito pertinente por falar em guerra, ódio, perda de empatia e como isso deteriora os relacionamentos da humanidade. Bela faixa para fechar um grande disco que reabilita a banda após trabalhos medianos.

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