Resenhas

Caught In A Mosh: A Era De Ouro Do Thrash

Vários Artistas

Avaliação

10

Dando continuidade a outra trilogia de Martin Popoff aqui no Brasil, a Editora Denfire lançou no final do ano passado “Caught In A Mosh: A Era De Ouro Do Thrash” (original: “Caught In A Mosh: The Golden Era Of Thrash”), o segundo volume da saga que aborda agora o período áureo do thrash metal.

 

No primeiro volume, “Hit The Lights: O Nascimento do Thrash” (2019), Popoff foi desde as influências das bandas de thrash metal (Deep Purple, Iron Maiden, Black Sabbath, Kiss, Motorhead, Venom, Judas Priest) até os primeiros lançamentos do estilo propriamente dito, terminando o livro com, se não o marco zero do estilo, um dos seus discos mais emblemáticos: “Kill ‘Em All”, lançado pelo Metallica em julho de 1983.

Continuando desse marco com sua costumaz e detalhada ampla cobertura dos fatos, Popoff segue a história do estilo até outubro de 1986. Pode parecer pouco tempo, mas foram nesses poucos mais de três anos que muito do que foi lançado acabaria mudando não só o thrash metal, mas o metal como um todo. Para se ter uma ideia de como foi rico esse período, foram lançados “Fistful Of Metal” (1984) e “Spreading The Disease” (1985) pelo Anthrax; “Killing Is My Business… And Business Is Good!” (1985) e “Peace Sells… But Who’s Buying?” (1986) pelo Megadeth; “Show No Mercy” (1983), “Hell Awaits” (1985) e “Reign In Blood” (1986) pelo Slayer e Metallica (sempre ele) com “Ride The Lightning” (1984) e “Master Of Puppets” (1986). Foi ou não a era de ouro do estilo?

Por si só, os lançamentos do Big Four já dariam um bom livro, mas Popoff revirou cada mês atrás de demos, EPs, K7s e vinis de bandas dos EUA, Canadá, Europa e até do Brasil (Stress, Sarcófago e Sepultura, mesmo não sendo thrash metal na essência na época, acabaram sendo citados). Aí meu amigo/a, uma enxurrada de lançamentos e testemunhos dos próprios personagens disso tudo invade as páginas: Brian Slagel (Metal Blade Records), “Jonny Z” Zazula (RIP, 2022, Megaforce Records), membros do Slayer, D.R.I., Anthrax, Overkill, Exciter, Metallica, Testament, Sabbat, Nasty Savage, Sodom, Annhiliator, Voivod, Pilediver, Kreator (inclusive quando ainda era Tormentor), Onslaught, Death Angel, Exodus, Bulldozer, Anvil, Razor, Artillery, Destruction, Tankard, Metal Church, Nuclear Assault…vou parar a lista de nomes por aqui, mas tem muito mais nomes.

Além dos discos, também são abordados assuntos que marcaram o período, como a saída do Metallica da Megaforce para a Elektra e daí para o topo do mundo, o impacto do trágico acidente que vitimou precocemente Cliff Burton (RIP, 1986), as “gentilezas” que Paul Baloff (RIP, 2002) tinha com fãs de glam metal e até o recado na lata que Gary Holt, hoje no Slayer, deu para sua futura banda na época: “Vocês não podem usar maquiagem em um show do Exodus”.

A cada página que você vai avançando, a história do thrash metal e daqueles então jovens, a maioria ali na casa dos seus vinte e poucos anos cheios de vontade de tocar alto e rápido, vai sendo desenhada num ritmo frenético. Convenhamos, do heavy metal para o speed metal foi um pulo, mas do heavy metal para o thrash metal foi um verdadeiro salto. Cada banda que surgia (e nessa época já eram aos montes) queria ser “a mais rápida” e “a mais pesada”. Toda essa adrenalina descarregada em palhetadas rápidas e batidas fora de controle descambaria no disco que encerra esse segundo volume e que, se não for o melhor do estilo (para mim é), foi aquele que em apenas trinta minutos definiu novos patamares para o que viria a ser metal: “Reign In Blood”, o auge do Slayer e uma unanimidade entre fãs de thrash, death, black, etc.

“Caught In A Mosh: A Era De Ouro Do Thrash” (2025) é leitura obrigatória para qualquer um que assim como os músicos do Arch Enemy, Lamb Of God, In Flames e The Haunted, que também participam do livro, tiveram suas vidas mudadas graças aos discos/bandas citados.

Com recheio em papel couchè de alta qualidade ilustrado com muitas fotos coloridas, ainda tem três adesivos de brinde (Destruction, Voivod e Exodus). A trilogia se encerrará com o lançamento já programado pela Editora Denfire de “Tornado Of Souls: Thrash’s Titanic Clash”, cobrindo de 1987 a 1989. Até lá, faça a você mesmo um favor e adquira logo o livro, pois o volume I já esgotou.