MORE, uma banda que rapidamente se tornou parte da segunda onda da New Wave of British Heavy Metal, emerge com seu novo álbum ‘Destructor’, trazendo uma sonoridade crua e direta, que vai agradar especialmente os fãs do estilo mais tradicional do gênero. Composta por Baz Nicholls (baixo), Peter Welsh (guitarra), Steve Rix (bateria) e Mike Freeland (vocal), a banda entrega uma performance densa e brutal em todas as faixas do álbum. Juntos, eles carregam adiante uma visão que honra o espírito feroz da NWOBHM, ao mesmo tempo que abraça novas dinâmicas, atmosferas mais sombrias e composições expansivas. Importante cita que ‘Destructor’ é a produção final do falecido e lendário produtor Chris Tsangarides (Judas Priest, King Diamond, Helloween, Yngwie Malmsteen e outros). Na véspera de seu falecimento, em janeiro de 2017, a mixagem final de ‘Destructor’ foi entregue em seu próprio estúdio, The Ecology Rooms.
A abertura com “Hearts on Fire” é um convite para o mundo pesado e sombrio de MORE, com riffs pesados e vocais épicos intensos, já mostrando logo de cara para que a banda veio. A canção mantém o ritmo cadenciado e agudo, emulando o som melancólico mas agressivo do heavy metal. Uma faixa muito sentimental e com uma melodia que nos vicia, nitidamente influenciado por Iron Maiden.
“Rocquiem” mantém o ritmo perfeito do NWOBHM, provando que a banda se propôs a entregar algo para os verdadeiros fãs do estilo. Os vocais inspirados nos anos 80 trazem uma autenticidade difícil de ignorar, e são eles que carregam todo o disco de maneira grandiosa. Em “Scream”, explode de agressividade e riffs sinuosos que vem e voltam e convidam a todos para bater cabeça, mas aqui há um toque inspirado no hard rock, com refrão que gruda e convida todos a cantar – semelhante a fase de Def Leppard.
Já em “New World”, os riffs e solos agressivos característico do grupo continuam. Detalhe interessante é o detalhe de ouvirmos os trastejos dos dedos escorregando nas cordas distorcidas, que criam identidade e enfatizam ainda mais a inspiração do som. Chegando na faixa-título, resgatando uma pegada old school do classic rock sombrio mas mantendo o clima do heavy metal britânico e vocais mais pesados e graves.
“Spirit of War” é o puro suco do NWOBHM, uma tempestade sonora melódica, repleta de riffs e vocal marcante. Há muita técnica no som da banda, sendo notável em “Immortal”, que mantém a mesma cozinha, uma canção que incorpora tanto a fragilidade quanto a resiliência presentes no coração do disco. Essa faixa é mais comercial do disco, com backing vocals em coro que facilmente vão cativar o público.
“My Obsession” mantém o estilo oldschool do hard rock e heavy metal, cheio de influências mas que ainda assim mantém a identidade de MORE, que usou o estilo típico de tocar com seu tempero artístico e entregou uma obra prima. “Wolf Behind Your Eyes” pode ser dita como uma balada do disco, com forte influência de uma banda que nem precisamos explicar qual – isso que torna tudo mais interessante. Um som mais envolvente e comercial que fará qualquer headangers se envolver e agitar um mosh.
Para encerrar, nada mais digno que a música que dá nome à banda: “More”. A faixa entrega um ritmo dilacerante, com uma introdução perfeita e se apresenta como um encerramento épico, afinal é a faixa mais envolvente do disco, com variações rítmicas, diversas influências, solo exemplar, a faixa é uma explosão de dinamismo sonoro brutal e incontestável.
No entanto, é importante notar que MORE não se aventura muito além dos limites do estilo tradicional de The new wave of British heavy metal. O grupo pisa no freio quando o assunto é criar melodias mais inovadoras e não convencionais. Isso resulta em um som que, embora bem executado e fiel às raízes do gênero, não oferece grandes surpresas ou inovação.
Para aqueles que são fãs de bandas como ron Maiden, Saxon, Def Leppard, and Diamond Head, MORE oferece exatamente o que se espera: riffs grandiosos, vocais melódicos e épicos e uma atmosfera oldschool do puro heavy metal. Para os apreciadores de NWOBHM, ‘Destructor ‘ é um prato cheio, mantendo-se fiel aos fundamentos do gênero sem explorar novos territórios sonoros.