Resenhas

Elbows Don’t Have Eyes

The Stolen Moans

Avaliação

10

‘Elbows Don’t Have Eyes’ é o álbum de estreia que encapsula a essência do The Stolen Moans: energia ilimitada, composições afiadas e um amor inabalável pelo rock. É um disco que te pega pela garganta desde o início e não solta até o último acorde. Um álbum cheio de hits e refrão que se tornam hinos, difícil escolher só uma música para colocar na playlist.

Se a eletricidade pudesse ser engarrafada, vendida e consumida em doses cavalares, certamente viria no formato de ‘Elbows Don’t Have Eyes’. Composto por 13 faixas que alternam entre explosões de energia e grooves carregados de atitude, o disco é um passeio guiado pelo talento inegável de uma banda que soube canalizar a essência do rock clássico e do alternativo com precisão cirúrgica – além de um tempero a mais com tons de pop punk.

A abertura, como o nome já diz, “Prelude (TC)”, misterioso e instigante que nos prepara para o que está por vir. Prestes a entregar um álbum de estreia explora temas como reis felinos, misoginia no ambiente de trabalho, batalhas amorosas surreais e manifestos artísticos anarquistas.

A faixa seguinte “The King of Claws” chega como um soco no peito: bateria pulsante, guitarras ferozes e vocais duelistas. A dinâmica entre o trio funciona como um motor de alta rotação, levando a música a um clímax caótico que quase extrapola o limite, mesclando o pesado e melódico. É uma introdução que deixa claro: segure-se, porque o álbum não vai aliviar.

Logo depois, “More” – faixa repleta de groove e sensualidade, mostra o poder das bandas dos anos 90 como No Doubt, Hole e as mais modernas como Yeah Yeah Yeahs – bandas que adoro. “Damned Sweet” mostra o equilíbrio entre peso, o swing e o groove, que é a assinatura da banda. Guitarras com riffs insinuantes e uma cozinha rítmica impecável comandada pelo trio, criam um pano de fundo perfeito para refrões explosivos. É um momento onde o rock se enrosca na pista de dança e se solta sem pedir desculpas.

“Trees V3” começa com uma introdução misteriosa e logo os vocais empoderados começam, mantendo o fôlego com seu instrumental frenético e moderno. Essa faixa tem intrumentais mais dançantes, sintetizadores que deixam tudo mais moderno e inusitado, exalando o poder feminino com vocais ferozes.

Enquanto isso, “Bard-Inspired Treachery, Chaos & Heartbreak”, nos puxa para uma ilusão de que será uma faixa calma, até nos surpreender com o hard rock clássico com leves elementos de punk. A faixa perfeita para se tornar um hino, com a banda toda cantando o refrão, e imagine isso em um grande show, com o público cantando junto! Sensasional!

Em “Falling Into” os maravilhosos do The Stolen Moans introduzem um groove mais clássico, mas ainda assim cheio de energia. É aqui que os riffs de guitarra brilham com texturas e solos que reforçam a versatilidade do álbum, é aqui em que vimos o quanto o grupo está bem entrosado no quesito composição, dessa vez nitidamente inspirado em Siouxsie and the Banshees. É uma faixa mais melódica, e que remete ao novo álbum do Wolf Alice (que tive o prazer de ouvir recentemente antes da estreia).

Mas a banda não economiza no alto octanagem: “Our Song” acelera novamente o ritmo, carregada por um groove maníaco que remete ao melhor do punk e flertam com um rock mais cru, mas ainda contagiante e cheio de energia. “Pu Num Tu” em particular se destaca pela combinação de harmônica percussiva e uma explosão de vocais que não dá trégua, os trechos de “pausa” são recheados de resposta que tornam tudo muito mais dinâmico e autêntico. É uma faixa com introdução curiosa, que dá espaço para o rock’n’roll clássico, mostrado com a guitarra a lá Motörhead, e logo os vocais e batida trazem a essência de Amyl and the Sniffers. E é isso que nos encanta no disco, o poder de misturar influências e criar um som próprio.

Quando chegamos a “Morning Scars”, o álbum ganha uma nova camada. É um passeio montanha-russa que alterna momentos mais cadenciados com vocais sombrios que soam uma mistura de post punk, novamente inspirados em Siouxsie and the Banshees. A faixa é um exemplo perfeito da habilidade do The Stolen Moans de criar dinâmica em suas composições. E essa é uma das canções que eu mais gostei.

A décima primeira faixa é “Dada Catapult”, mega pesada, de um peso quase sufocante, mas ainda sim sensual e excêntrica. O riff arrastado e sombrio, aliado ao clima denso criado pela banda, ilustram um ambiente intimidador, soturno – a trilha perfeita para shows energéticos.

As duas últimas faixas, “I’m a Crow” e “Epilogue (TBC)”, funcionam como um encore emocional, oferecendo uma espécie de alívio antes de o ouvinte ser jogado de volta ao silêncio. “I’m a Crow” traz uma dinâmica calma, com refrão arrebatador, denso, sombrio, excitante. Enquanto “Epilogue” encerra essa viagem maravilhosa, acalmando os ânimos mas deixando com vontade de embarcar novamente nessa audição.

Se há algo a aprender com ‘Elbows Don’t Have Eyes’, é que o The Stolen Moans veio para redefinir o que significa alta voltagem no rock moderno. Prepare-se para deixar essa experiência te eletrizar.