No terror in the Bang, uma banda de metal moderno originária na França, emerge com seu aguardado EP ‘Existence’, trazendo uma sonoridade direta, que vai agradar especialmente os fãs do estilo mais tradicional até os mais novos do gênero. A banda que combina suas diversas influências em um som cru e explosivo, entregando uma performance densa e melancólica em todas as 5 faixas do disco. Com uma combinação engenhosa de passagens do metal moderno e metalcore, cada faixa deste álbum mergulha o ouvinte em um mundo exuberante e sombrio, repleto de obscurantistas.
A abertura com “Moon” é um convite para o mundo pesado, sombrio, perturbador e emotivo de No terror in the Bang, com linhas guitarra melódicas, break downs bem técnicos e vocais intensos de Sofia Bortoluzzi, esse som á mostrando logo de cara para que a banda veio. A canção mantém o ritmo cadenciado e angustiante, emulando o som pesado e técnico do metalcore. Uma faixa muito sentimental e com uma melodia que nos vicia. O álbum não disfarça a tensão e sofrimento, ele o encara de frente, como a banda descreveu: “Construmos nossa música em torno de tensão, narrativa e libertação emocional. Existence é um capítulo mais sombrio e introspectivo para nós: uma exploração visceral da identidade, do conflito interno e do que significa confrontar a si mesmo.”
Em “Heroine” a banda abaixa o tom e nos surpreende com um prelúdio de vocais angelicais e violão – até nos surpreender novamente com o gutural arrasados de Sofia e todo o peso melódico do estilo. Um ponto interessante é o detalhe de ouvirmos os trastejos dos dedos escorregando nas cordas distorcidas, que criam ruídos agudos e enfatizam ainda mais a violência do som. Os vocais trazem mais sentimentalismo, sendo possível sentir a emoção nos vocais guturais e limpos de Sofia (muito admiráveis) em sintonia perfeita com o instrumental . Sem dúvidas, é a faixa mais comercial do disco, perfeito para rádios, podendo se tornar um hino entre os fãs do estilo.
“Goat”, o single do EP que rendeu um videoclipe cinematográfico, traz riffs mais densos e melódicos, onde é possível perceber a influência oldschool da banda no peso emocional de bandas dos anos 2000, mas há um toque mais moderno, sendo perfeitamente uma banda nova que soube abraçar a modernidade e criar um ambiente moderno influenciado pelos pioneiros do estilo além de expor suas experiências e seus traumas ao mundo de forma artística, mergulhando em temas como julgamento, a figura do “bode expiatório” e a violência tanto da pressão externa quanto da luta interna – é a música que mais gostei.
Há muita técnica no som da banda, com os clássicos riffs do metalcore, que vem ganhando notoriedade em um revivel incrível, mas com toda modernidade e técnica da juventude. A seguinte, “Human race kills” entrega linhas de pianos memoráveis em uma introdução sombria que expressa todo sentimento e explode melancolia. Essa é a balada do disco, que surpreende com riffs sinuosos e densos, que arrastam o ouvinte em uma viagem com vocais angustiados e potentes mas com toda beleza que No terror in the Bang consegue fazer, além de uma imensidão de jovens que souberam utilizar a técnica clássica mas incorporar tons modernos. Aqui a banda está mais forte do que nunca para expressar sua dor e dilui as fronteiras entre narrativa e virtuosismo musical.
Para encerrar, “Chasm” começa suave, com tons de pop nos vocais mas como esperado, continua a brutalidade e explode de agressividade e riffs sinuosos que vem e voltam e convidam a todos para bater cabeça. Aqui sentimos muita influência do metal moderno nos vocais, nos riffs e com tons mais eletrônicos em uma tempestade sonora, tornando-se a faixa perfeita para um show cheio. A faixa muda o ambiente, onde somos surpreendidos com vocais agressivos e muito técnicos, a bateria segue o ritmo rápido e potente, fervendo, junto com o baixo que marca forte presença em um groove que mantém o clima denso, para criar um som mais acessível e memorável – erfeito para fãs de Jinjer!
É importante notar que No terror in the Bang se aventura muito além dos limites do estilo tradicional de metal. O grupo não pisa no freio quando o assunto é criar melodias mais inovadoras e não convencionais. Isso resulta em um som bem executado, fiel às raízes do gênero, mas com com inovação. Para aqueles que são fãs do estilo, No terror in the Bang oferece exatamente o que se espera: riffs pesados e densos, quebras de bateria, vocais melancólicos e fortes, guturais intensos e uma atmosfera sombria. Para os apreciadores de metal moderno, ‘Existence’ é um prato cheio, mantendo-se fiel aos fundamentos do gênero, e ainda sim, explorando novos territórios sonoros.