Resenhas

Hallelujah

Igorrr

8.0

Querido leitor. Se você não conhece Igorr, faça o favor de ir para qualquer plataforma digital que você tenha acesso, até You Tube se possível, e procure por eles. Eu sinceramente não tenho como descrever o estilo de som deles em menos de cem palavras. Tentarei resenhar este álbum criado por Gautier Serre e seus demônios da melhor forma possível, apesar de que tenho certeza de que dúvidas surgirão.

Laurent Lunior tem uns gritos que são absurdamente estridentes e que incluem as versões magníficas do Mundo da ópera de Laure Le Prunenec e ainda inclui a bateria absurda de Sylvain Bouvier, Serre te leva para uma viagem louca. O resultado é uma loucura.

Halleujah não é um álbum acessível. É difícil, complicado e você precisa de muita paciência e tempo para ouvir e entender a proposta do grupo. Tudo é um grande choque aqui, desde a música ‘Damaged Wig’ e a caótica ‘Absolute Psalm’ – que de certa forma é uma homenagem ao Ministry se existe alguma comparação á música destes franceses. É como se Al Jourgensen tivesse virado um grande fã de black metal e incluído todos os samplers em suas músicas.

Até os momentos acústicos são alterados para o estilo industrial – como a faixa ‘Cicadidae’ – que de longe é comum. Distorcida, alterada, em diversas frequências, Igorrr tenta mostrar uma nova face ao estilo Flamenco e o faz com maestria. ‘Vegetable Soup’ faz referências a estes momentos estranhos também – desta vez incluindo acordeão e riffs no melhor estilo black metal que você pode imaginar. ‘Lullaby for a Fat Jellyfish’ mostra a competência da banda em criar riffs do melhor estilo black metal e mais uma vez faz muitas referências ao Ministry  mas deixam a referência cair por completo em ‘Grosse Barbe’ – uma das músicas mais “estranhas” pois junta dois cantores de ópera com momentos gritados no melhor estilo deathcore que você pode imaginar.

Enfim, Hallelujah é um álbum estranho sim, cheio de detalhes minuciosos e caos organizado em cada faixa que deixam o ouvinte com a estranha sensação de que todos os sentidos estão sendo ocupados de alguma forma – repulsa, alegria, suavidade, agressividade, gritos, cantorias belíssimas. É um álbum muito difícil de curtir na primeira ou segunda audição e certamente não é para qualquer um. Recomendo, no entanto que você se esforce um pouco, pois em dias em que tudo parece igual, Igorrr tem a proposta de mostrar que o Mundo pode ter todas as formas, basta você dar uma chance.

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