Resenhas

Hate Über Alles

Kreator

9.5

Nos últimos anos, o radicalismo da extrema-direita cresceu vertiginosamente. No meio do Rock e Metal a coisa também não foi diferente e nem chega a surpreender, pois o que a gente vê de músico conservador, não tá no gibi. Mas nem tudo é terra arrasada e tem gente como os alemães do Kreator que entenderam o Pink Floyd e o Black Sabbath e levantam a bandeira do antifascismo, que se faz necessária, principalmente em um estilo de música que nasceu para ser contestador. E esses lindos voltam depois de cinco anos com Hate Über Alles, o disco de número 15 de sua discografia e que encerra um jejum de cinco anos sem álbuns de estúdio.

Perto de completar 40 anos de carreira, o Kreator nasceu com uma sonoridade rápida, brutal e ríspida, além de uma temática anticristã. Com o passar do tempo eles foram amadurecendo tanto a parte musical quanto a lírica, fazendo a banda evoluir. Hoje eles são uma referência na questão do combate a essa nova onda de ódio que tem infestado nosso planeta. “Hate Über Alles” vem reforçar essa necessidade. É claro que no Brasil, o fã mongolóide que repete aquele mantra de que “não se deve misturar música com política”, nem entende a mensagem dos caras e vai achar que o título do novo álbum é alguma homenagem ou menção aos profissionais das corridas de aplicativo. Estes (os “fãs”) não merecem nada mais do que a nossa indiferença, pois faltaram a aula de iniciação no Rock, que fala exatamente sobre desapegar de ideais como o conservadorismo e o ódio às minorias. E esse novo álbum é um soco na cara deste tipo de gente.

O álbum já estava praticamente pronto desde o final de 2020, segundo a própria banda afirma em seu press-release. Inclusive havia previsão de que a banda pudesse inciar uma turnê em 2021, porém, a pandemia, sempre ela, impediu os planos dos alemães. A bolacha foi gravada no Hansa Tonstudio, na capital Berlim, com produção de Arthur Rizk. A bela capa é assinada pelo artista Eliran Kantor. O álbum marca também a estreia do baixista Frédéric Leclerq, membro do Kreator desde 2019. Vamos ao que interessa, que é passear pelas onze faixas contidas neste esperado play, que foi lançado pela Nuclear Blast.

A bolacha tem início com a intro “Sergio Corbucci is Dead“, que tem um clima bem épico e dura menos que um minuto. A homenagem ao cineasta italiano é breve e logo temos a faixa título que chega arregaçando tudo, trazendo o melhor que o Kreator pode nos oferecer: a velocidade e brutalidade dos velhos tempos, casada com elementos mais progressivos/ melodicos no refrão. Pé na porta.

Killer of Jesus” é o Kreator Old-school mais moderno e bem mais técnico, em uma música veloz, com pequenas inserções mais arrastadas. “Crush the Tyrants” é mais cadenciada e mostra uma nova faceta do Kreator, onde no primeiro solo, a banda é tão melódica que soa como seua contemporâneos do Blind Guardian. Ficou bem interessante.

Strongest of the Strong” tem alguns dos nobres riffs de sempre dá carreira do Kreator. Novamente os caras colocam melodias interessantes e a banda foge um pouco do Thrash Metal aqui. Mas continuam pesados e um tanto quanto sombrios. A segunda metade do play abre com “Become Immortal“, o Kreator solta suas influências da NWOBHM, sem perder o peso característico, porém, com inclusão de um coral, típico das bandas de Metal Sinfônico. Nada mal.

Conquer and Destroy” é uma verdadeira mistura de influências e de andamentos, a começar pela velocidade Thrash Metal em suas estrofes, passando pelo refrão mais Progressivo e o final surpreendente, trazendo mais do Metal Sinfônico. Quem escutava “Pleasure to Kill” ou “Extreme Aggressions“, por exemplo, jamais poderia imaginar tais disparidades. E ficou excelente. A faixa número oito, “Midnivht Sun” relembra o que a própria banda fez no álbum “Endorama“. É uma faixa técnica, muito pesada e conta com o vocal de Sofia Portanet, que aparece nas partes anteriores ao refrão, ajudando a manter um clima mais sombrio.

Riffs agressivos e cavalgados marcam “Demonic Future“, a faixa que vem a seguir, e que aposta novamente na fórmula de usar as palhetadas rápidas do Thrash Metal nas estrofes e um refrão mais denso. “Pride Comes Before the Fall” é a música número dez e o play já se aproxima do final. Esta tem um clima mais épico, pesado, apesar do início surpreendente, tendo Mille Petrozza com vocais limpos e a falsa impressão de que seria uma balada. “Dying Planet” é o ato final do play e traz um peso absurdamente maravilhoso, enquanto a banda faz um alerta para o planeta que vai morrendo, por culpa nossa. O som arrastado e muito brutal, é certamente a música que mais chama atenção no play e a escolha para o encerramento não poderia ser melhor.

São 46 minutos bastante agradáveis, onde temos uma gama de elementos dentro do Heavy Metal que o Kreator conseguiu colocar, sem que isso impactasse em uma mudança brusca na sonoridade e a produção caprichadíssima ajuda neste sentido. A banda continua pesada, rápida, brutal, mas agora ainda mais evoluída. E as letras são tão incríveis quanto o som. Como é bom ter bandas que ainda se preocupam com uma mensagem que possa nos fazer ter um pensamento crítico. “Hate Über Alles” nasce clássico e fatalmente estará nas listas dos melhores álbuns de 2022.

 

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